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Luciferianismo, História e Filosofia

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Home/Biblioteca/Demonologia/72 Daemons da Ars Goetia/Zepar: história, origem e tradição do 16º espírito da Ars Goetia
Templo de Lúcifer Zepar
72 Daemons da Ars Goetia

Zepar: história, origem e tradição do 16º espírito da Ars Goetia

By Emrys
abril 12, 2026
0

Zepar ocupa a décima sexta posição na Ars Goetia e recebe o título de Grande Duque.

Sua descrição é curta, mas reúne temas particularmente intensos: atração entre homens e mulheres, união amorosa e esterilidade. Na tradição goética, Zepar surge vestido de vermelho e armado como um soldado, governa vinte e seis legiões e possui um selo próprio.

Essa ficha, entretanto, representa apenas uma etapa de sua história.

Antes da Ars Goetia, Johann Weyer registra Zepar na Pseudomonarchia Daemonum. Ali ele ocupa a posição nº 19, aparece simplesmente como soldado, inflama mulheres de amor por homens, modifica sua aparência quando ordenado para que possam encontrar seus amados, torna-as estéreis e governa igualmente vinte e seis legiões.

A comparação mostra imediatamente que o compilador da Goetia não copiou Weyer palavra por palavra.

Alguns elementos permaneceram.

Outros desapareceram.

E pelo menos um detalhe visual foi acrescentado.

Em Weyer:

soldado;

atração;

transformação;

esterilidade;

26 legiões.

Na Ars Goetia:

soldado;

vermelho;

atração;

união;

esterilidade;

26 legiões.

A transformação da aparência desaparece.

O vermelho aparece.

Essa diferença já torna Zepar muito mais interessante do que uma simples ficha de “Daemon do amor”.

Quem é Zepar na Ars Goetia?

A entrada do Sloane 3825 apresenta Zepar como o décimo sexto espírito.

Ele é um Grande Duque.

Aparece usando vestes vermelhas e armado como soldado.

Seu ofício é fazer mulheres amarem homens e aproximá-los em amor.

Também torna as mulheres estéreis.

E governa 26 legiões de espíritos inferiores.

Esse é o núcleo da Ars Goetia.

Não há nessa pequena entrada:

planeta;

signo;

carta do Tarô;

metal;

incenso;

cristal;

“enn”;

antiga ordem angelical;

relação especial com Lúcifer;

ou uma extensa psicologia espiritual.

Essas camadas aparecem em sistemas posteriores.

Zepar não era nº 16 em Weyer

Johann Weyer registra Zepar como nº 19 da Pseudomonarchia Daemonum.

A Ars Goetia reorganiza-o como nº 16.

Portanto:

Weyer: nº 19.

Ars Goetia: nº 16.

Isso novamente demonstra que os números dos 72 espíritos não são necessariamente identidades metafísicas antigas e imutáveis.

A lista foi reorganizada.

Assim, uma tradição moderna pode desenvolver numerologia com o número dezesseis.

Historicamente, porém, Zepar já ocupou outra posição.

A descrição de Zepar em Johann Weyer

Weyer escreve:

Zepar Dux magnus — Zepar, Grande Duque.

Ele aparece uti miles:

como um soldado.

A tradição lhe atribui capacidade de inflamar mulheres com amor por homens.

Quando ordenado, altera sua forma até que possam desfrutar da companhia de seus amados.

Também as torna estéreis.

Vinte e seis legiões lhe obedecem.

Essa descrição é decisiva porque permite separar aquilo que realmente é antigo daquilo que a Goetia modifica posteriormente.

Weyer não diz que Zepar está vestido de vermelho

Esse ponto deve ser corrigido no artigo atual.

Em Weyer:

soldado.

Na Goetia:

soldado vestido de vermelho.

O vermelho pertence documentalmente à tradição goética posterior que estamos utilizando, mas não deveria ser retroprojetado sobre Weyer.

Portanto, uma frase como:

“Desde Weyer, Zepar aparece como soldado vermelho”

seria incorreta.

A formulação precisa é:

“Weyer o apresenta como soldado; a Ars Goetia acrescenta explicitamente o traje vermelho.”

“Armadura vermelha” também exige cuidado

O texto do Sloane 3825 diz que Zepar aparece em red apparel e armed like a soldier.

Isso significa:

vestido de vermelho;

e armado como soldado.

Não necessariamente:

“usando uma armadura vermelha.”

A diferença pode parecer pequena, mas a reconstrução histórica deve ser precisa.

O vermelho caracteriza sua vestimenta.

A condição militar é indicada separadamente.

O vermelho e seu significado

A fonte não explica por que Zepar veste vermelho.

Portanto, associações com:

paixão;

sangue;

sexo;

Marte;

fogo;

desejo;

guerra

são interpretações posteriores.

Algumas são simbolicamente coerentes.

Mas não devem ser apresentadas como uma legenda fornecida pelo manuscrito.

A formulação profissional é:

a Goetia descreve Zepar vestido de vermelho; não explica o significado simbólico dessa cor.

O soldado aparece antes do vermelho

A identidade militar, por outro lado, possui tradição anterior.

Weyer já apresenta Zepar como soldado.

Scot mantém a imagem.

A Goetia conserva e acrescenta a cor.

Portanto, o guerreiro faz parte de um núcleo mais antigo que o vermelho.

Isso é útil para a interpretação contemporânea.

Mas novamente devemos distinguir:

imagem histórica: soldado.

significado filosófico do soldado: interpretação.

Zepar antes de Weyer?

Aqui a pesquisa se torna muito mais interessante.

Zepar não parece surgir isoladamente em 1577.

Catálogos anteriores ou paralelos preservam personagens com funções extraordinariamente próximas.

Um deles é Coap, encontrado no Livre des esperitz.

Outro é Loonab, preservado no Liber Officiorum Spirituum do manuscrito Folger V.b.26.

Esses nomes são muito diferentes de “Zepar”.

Mas suas funções criam correspondências fortes o suficiente para que edições comparativas modernas os coloquem na mesma cadeia textual.

Isso exige cautela.

Não significa que possuímos uma linha perfeita:

Coap → Loonab → Zepar.

Significa que encontramos antecedentes funcionais relacionados dentro da mesma família de catálogos.

Coap no Livre des esperitz

O Livre des esperitz preserva Coap como Grande Príncipe.

O texto diz que ele obtém mulheres, faz com que venham ao lugar desejado e contém uma palavra de leitura difícil relacionada àquilo que pode fazer com elas quando recebe ordem.

A edição de Boudet registra Coap com 27 legiões.

Edições comparativas modernas ligam Coap a Zepar principalmente pela combinação de:

mulheres;

atração ou obtenção;

aproximação;

transformação;

e posição semelhante dentro dessa família textual.

Por isso, é melhor chamá-lo de:

possível antecedente ou correspondente textual de Zepar.

Não “Zepar com outro nome” como certeza absoluta.

Coap não possui ainda o perfil completo de Zepar

Essa nuance importa.

Coap é Príncipe.

Zepar torna-se Duque.

Coap possui 27 legiões.

Zepar possui 26.

A pequena entrada de Coap não apresenta soldado vermelho.

Portanto, a relação é forte no ofício, mas não é uma identidade textual perfeita.

Isso nos mostra justamente como figuras podem mudar durante a transmissão.

Loonab: um antecedente funcional ainda mais impressionante

O Liber Officiorum Spirituum preservado no Folger V.b.26 possui Loonab, nº 24.

Sua entrada é extraordinariamente próxima de Weyer.

Loonab é Príncipe.

Inicialmente aparece como ave negra.

Quando assume forma humana, torna-se uma espécie de líder ou condutor de mulheres.

Faz mulheres arderem de amor por homens.

Quando ordenado, transforma-as em outra forma para que possam unir-se aos homens.

E governa 26 legiões.

Compare com Weyer:

faz mulheres amarem homens;

transforma sua forma;

permite encontro com os amados;

26 legiões.

A proximidade funcional é muito forte.

Então Loonab é Zepar?

É melhor evitar uma afirmação metafísica desse tipo.

O método histórico pode dizer:

as descrições são suficientemente próximas para que edições comparativas relacionem Loonab à tradição posteriormente registrada como Zepar.

O nome, porém, é completamente diferente.

A dignidade também muda:

Loonab é Príncipe;

Zepar é Duque.

E Weyer abandona a ave negra.

Isso mostra que ainda existem lacunas na transmissão.

A ave negra desaparece

Loonab aparece inicialmente como um pássaro negro e depois assume forma humana.

Nada equivalente aparece na pequena entrada de Zepar em Weyer.

Nada equivalente aparece na Goetia.

Portanto, essa iconografia foi perdida em algum ponto da tradição — se realmente estamos acompanhando o mesmo complexo textual.

Não seria correto reinserir a ave negra na ficha goética de Zepar como se estivesse no Lemegeton.

Mas é uma informação excelente para a seção histórica.

O misterioso Taob

Existe ainda um caso mais complicado.

No manuscrito Clm 849, o chamado Munich Handbook of Necromancy, aparece uma figura chamada Taob.

Sua descrição é surpreendentemente próxima de Zepar.

Taob é Grande Príncipe.

Aparece em forma associada a um médico quando assume figura humana.

É descrito como excelente médico ou conhecedor das mulheres.

Faz mulheres arderem de amor por homens.

Também as transforma e as torna estéreis.

Governa 25 legiões.

À primeira vista, parece quase impossível não pensar em Zepar.

Mas existe um problema.

Taob pode também estar relacionado a Gaap

Joseph H. Peterson relaciona nominalmente Taob ao Gaap/Tap de Weyer, observando que existe semelhança na redação e que uma passagem envolvendo in signo medici pode estar ligada a uma corrupção textual de outra expressão.

Ou seja, temos uma situação interessante:

o nome Taob aproxima-se de Tap/Gaap;

os ofícios de Taob aproximam-se fortemente de Zepar.

Isso significa que o testemunho não deve ser utilizado de maneira simplista.

Taob mostra contaminação entre tradições?

É uma possibilidade.

Mas não conseguimos demonstrá-la de maneira definitiva.

Catálogos manuscritos podem sofrer:

mistura de descrições;

deslocamento de funções;

erros de cópia;

nomes ligados à entrada errada;

combinação de ramos diferentes.

Taob talvez represente exatamente um desses casos.

Portanto, eu escreveria:

“Taob constitui um paralelo medieval importante para o complexo de funções posteriormente associado a Zepar, mas sua identidade textual é ambígua, pois Peterson também o relaciona nominalmente a Gaap/Tap.”

Essa formulação é muito mais forte que simplesmente dizer:

“Taob é Zepar.”

A medicina de mulheres desaparece

Taob possui uma característica que não chega a Zepar:

a associação a um médico das mulheres.

Weyer elimina esse ofício.

O que permanece é:

atração;

transformação;

esterilidade.

Isso pode indicar transformação profunda da entrada durante a transmissão.

Também nos impede de chamar Zepar historicamente de:

“Daemon da ginecologia”

ou coisa semelhante.

A característica pertence a Taob, cuja relação exata com Zepar é incerta.

A transformação da aparência

Esse atributo existe em Weyer.

Quando ordenado, Zepar altera a forma das mulheres para que possam desfrutar de seus amados.

Ele desaparece da entrada principal da Ars Goetia.

Isso é muito importante porque o artigo atual do site praticamente reduz o núcleo clássico ao material do Lemegeton.

A cadeia completa mostra algo diferente.

Weyer possui:

atração + transformação + esterilidade.

A Goetia possui:

atração + união + esterilidade.

A transformação é perdida.

A união pode ser reformulação da transformação

É possível que a frase da Goetia — “bring them together in love” — represente uma simplificação ou reformulação do material anterior.

Mas não precisamos afirmar exatamente como isso aconteceu.

O fato seguro é:

a redação mudou.

Essa mudança também torna inadequada a ideia de que a descrição de Zepar permaneceu “quase totalmente estável”.

Seu núcleo afetivo permaneceu.

Detalhes significativos foram alterados.

Zepar e o desejo

Zepar é frequentemente chamado atualmente de:

Daemon do amor;

Daemon da luxúria;

Daemon do sexo;

Duque da sedução.

Esses títulos não são suas dignidades históricas.

Seu título documental é:

Grande Duque.

O campo afetivo é realmente antigo.

Mas precisamos distinguir:

amor;

atração;

desejo;

sexualidade;

luxúria.

Os textos utilizam linguagem de “amor” e união entre mulheres e homens.

A leitura erótica é compreensível.

Reduzir tudo a “luxúria”, porém, já é uma interpretação.

Zepar e Sitri não são iguais

Os dois possuem atribuições afetivas.

Mas a tradição os diferencia.

Sitri:

desejo;

atração;

nudez;

exposição.

Zepar:

atração;

união;

transformação em Weyer;

esterilidade.

Essa diferença precisa permanecer.

Caso contrário, dezenas de espíritos acabam reduzidos a “Daemon do amor”.

Zepar e Beleth também não são iguais

Beleth possui um ofício de amor muito amplo e uma enorme tradição ritual ligada à autoridade régia.

Zepar possui outra estrutura.

Ele é soldado.

Duque.

Seu perfil une atração a uma consequência corporal extremamente específica:

esterilidade.

Isso lhe dá identidade textual própria.

O tema da esterilidade

Aqui está o elemento que mais exige precisão.

Weyer afirma claramente:

Steriles quoque eas facit.

Ele também as torna estéreis.

A Ars Goetia mantém:

“he also maketh them barren.”

Portanto, não existe dúvida sobre a atribuição histórica.

Ela pertence ao núcleo documental de Zepar.

Esterilidade no grimório não é evidência médica

O fato de um texto do século XVI ou XVII atribuir esterilidade a um espírito não demonstra que práticas espirituais causem infertilidade.

Também não significa que Zepar possa ser utilizado como:

contraceptivo;

método de controle de natalidade;

tratamento de fertilidade;

procedimento abortivo;

ou intervenção médica.

São categorias completamente diferentes.

Para evitar desinformação, o artigo deveria declarar isso expressamente.

Zepar não é método contraceptivo

Essa frase vale ser muito clara.

Quem não deseja gravidez precisa recorrer a métodos contraceptivos reconhecidos e adequados, com orientação profissional quando necessária.

Uma atribuição de grimório não substitui contracepção.

Da mesma maneira, quem enfrenta dificuldade para engravidar precisa de avaliação médica adequada, não de conclusões espirituais automáticas.

A tradição pode ser estudada sem converter demonologia em medicina.

Esterilidade não significa necessariamente castração

Outra confusão possível.

O texto fala em tornar mulheres estéreis ou “barren”.

Não descreve:

castração;

remoção de órgãos;

impotência;

ou mecanismo fisiológico específico.

Não devemos inventar um processo que a fonte não oferece.

Historicamente, temos uma atribuição genérica de esterilidade.

Nada além disso pode ser afirmado com segurança.

A esterilidade também não prova um simbolismo antigo específico

O artigo atual interpreta Zepar como:

união que não produz fruto;

paixão que não gera futuro;

desejo que interrompe continuidade.

Como interpretação contemporânea, isso é interessante.

Mas não deveria ser apresentado como aquilo que o autor do grimório pretendia simbolicamente.

A entrada não explica o paradoxo.

Apenas coloca:

amor;

união;

esterilidade.

A explicação filosófica é nossa.

Zepar como soldado

A forma militar merece mais profundidade.

Weyer já a apresenta.

Portanto, não depende do vermelho da Goetia.

Um soldado pertence a uma estrutura de:

disciplina;

ordem;

missão;

ação;

hierarquia.

Mas esses significados são inferências culturais.

O grimório não diz:

“Zepar é soldado porque o desejo é uma guerra.”

Essa frase seria interpretação contemporânea.

Não transformar atração em conquista militar

Existe um risco particular na combinação:

soldado + amor.

Ela pode produzir uma metáfora moderna em que relacionamento é “conquista”, outra pessoa é “alvo” e sedução é “vitória”.

Essa linguagem facilmente transforma pessoas em objetos.

Uma interpretação luciferiana contemporânea pode fazer algo mais coerente com autonomia:

o soldado pode simbolizar disciplina sobre o próprio impulso, não conquista da vontade alheia.

Atração não é consentimento

Esse princípio precisa permanecer tão claro em Zepar quanto em Sitri.

Uma pessoa sentir atração não equivale a:

consentir sexualmente;

aceitar uma relação;

assumir compromisso;

ou perder direito de mudar de ideia.

A linguagem do grimório pertence a uma época que não organiza o tema segundo conceitos contemporâneos de consentimento.

Uma releitura moderna séria precisa fazê-lo.

“Fazer alguém amar” e autonomia

Historicamente, a função é instrumental.

O operador pede.

O espírito influencia outra pessoa.

Essa lógica precisa ser reconhecida em vez de sanitizada.

Mas reconhecer não significa recomendar.

Uma filosofia luciferiana centrada em soberania precisa confrontar a pergunta:

se defendemos autonomia para nós, por que a vontade afetiva do outro valeria menos?

Essa tensão é mais intelectualmente interessante que transformar Zepar em ferramenta de “amarração”.

Nenhum texto histórico garante resultado contemporâneo

A existência da frase em Weyer ou na Goetia demonstra aquilo que seus autores atribuíram a Zepar.

Não demonstra que:

um ritual faça alguém se apaixonar;

uma invocação produza atração;

uma prática torne alguém estéril;

ou determinada entidade possua empiricamente esses efeitos.

História textual e comprovação factual são categorias diferentes.

Esse princípio deve permanecer em toda a biblioteca.

O Dictionnaire Infernal muda Zepar profundamente

No século XIX, Collin de Plancy apresenta uma versão bastante diferente.

Zépar continua Grande Duque.

Aparece como guerreiro.

Mas Collin de Plancy escreve que ele leva homens a “paixões infames” e atribui-lhe 28 legiões, não 26.

Além disso, faz uma observação estranha:

Zépar poderia ser a mesma figura que Vépar ou Sépar.

Essa hipótese merece crítica.

Zepar não deve ser confundido automaticamente com Vepar

Weyer possui duas entradas distintas.

Zepar é nº 19, Grande Duque ligado a atração, transformação e esterilidade.

Vepar, alias Separ é nº 33, Duque marítimo relacionado às águas, navios e feridas.

Portanto, quando Collin de Plancy sugere que Zépar “poderia muito bem ser” o mesmo que Vépar/Sépar, ele está propondo uma identificação posterior que entra em tensão com Weyer, que trata os personagens separadamente.

A semelhança gráfica:

Zepar;

Separ;

Vepar

provavelmente ajudou a produzir a confusão.

Mas nomes parecidos não bastam.

Collin de Plancy reduz o perfil amoroso

Outro detalhe interessante.

Em Weyer e na Goetia, existe uma descrição funcional relativamente precisa.

No Dictionnaire Infernal, isso é condensado numa expressão moralizante:

“paixões infames.”

Isso diz tanto sobre Collin de Plancy e sua época quanto sobre Zepar.

A recepção demonológica não apenas preserva.

Ela interpreta moralmente.

Vinte e seis ou vinte e oito legiões?

Para a ficha goética:

26.

Weyer:

26.

O Liber Officiorum de Loonab também registra:

26.

Coap possui:

27.

Taob possui:

25 no testemunho medieval relacionado.

Collin de Plancy:

28.

Essa progressão é extremamente interessante.

Não significa que exista uma sequência intencional.

Mas demonstra que o número não é absolutamente uniforme nos testemunhos relacionados.

Zepar tem nome estável?

No trecho Weyer → Scot → Goetia, sim, relativamente.

“Zepar” permanece reconhecível.

Mas quando recuamos aos possíveis antecedentes funcionais, encontramos:

Coap;

Loonab;

e o controverso Taob.

Isso muda a conclusão do artigo atual.

Não é mais ideal dizer simplesmente:

“Zepar possui uma estabilidade nominal incomum em toda sua tradição.”

Seria melhor escrever:

“O nome Zepar é relativamente estável entre Weyer e os manuscritos goéticos posteriores; os possíveis antecedentes em catálogos mais antigos, porém, possuem nomes muito diferentes.”

Isso é bem mais preciso.

Qual é a etimologia de Zepar?

Continua incerta.

As principais fontes não explicam o nome.

E os possíveis antecedentes tornam qualquer tentativa ainda mais difícil.

Se a tradição realmente inclui:

Coap;

Loonab;

Taob;

Zepar,

não existe base para selecionar apenas “Zepar” e derivá-lo de uma palavra moderna parecida.

Portanto, a posição editorial correta permanece:

não conhecemos uma etimologia segura.

Zepar era uma divindade antiga?

Não existe documentação suficiente para identificá-lo como antiga divindade específica.

Algumas páginas contemporâneas aproximam espíritos goéticos de deuses antigos através de:

som;

atributos;

planetas;

ou experiências pessoais.

Essas comparações podem pertencer a sistemas religiosos modernos.

Não constituem automaticamente genealogia histórica.

Até onde as fontes aqui analisadas permitem afirmar, Zepar pertence à tradição europeia dos catálogos de espíritos.

Zepar aparece na Bíblia?

Não como essa figura.

Não existe personagem bíblico chamado Zepar com:

traje vermelho;

26 legiões;

atração;

esterilidade.

A associação geral da tradição goética ao rei Salomão pertence à literatura mágica pseudo-salomônica desenvolvida muito depois dos textos bíblicos.

O selo de Zepar

A Ars Goetia atribui um selo ao décimo sexto espírito.

Esse desenho tornou-se atualmente sua principal identificação gráfica.

Mas a história funcional da figura é anterior.

Weyer já possui Zepar.

E os catálogos relacionados preservam Coap e Loonab antes ou fora da forma goética consolidada.

Portanto:

o núcleo textual da figura é anterior ao selo goético atualmente popular.

O selo não é símbolo antigo de fertilidade

O tema da esterilidade pode levar a interpretações modernas do sigilo como:

símbolo uterino;

marca contraceptiva;

símbolo antigo de infertilidade;

ou emblema de alguma divindade sexual anterior.

Não existe documentação suficiente para essas afirmações.

Sem uma legenda histórica, interpretações geométricas do selo continuam sendo interpretações.

Zepar e Hekamiah

Numa sistematização posterior associada aos manuscritos de Thomas Rudd, os 72 espíritos goéticos são colocados posição por posição contra os 72 anjos do Shem ha-Mephorash.

Como Zepar ocupa a posição 16, ele é pareado com Hekamiah, o 16º nome angelical nesse sistema.

Essa relação não existe na pequena entrada de Weyer.

A própria Ars Goetia também não exige um anjo individual para cada espírito.

Portanto:

“na organização posterior associada a Rudd, Zepar é pareado com Hekamiah”

é correto.

Não:

“Hekamiah é o anjo original de Zepar.”

Planeta, signo, elemento e Tarô

Diversas tabelas modernas atribuem a Zepar:

planetas;

signos;

metais;

cores;

incensos;

cartas do Tarô;

decanatos;

plantas.

Essas correspondências não pertencem à pequena entrada de Weyer ou do Sloane 3825.

Quando sistemas modernos discordam, isso não é necessariamente “erro”.

Significa que estão utilizando métodos diferentes de correspondência.

O erro editorial seria misturá-los e dizer:

“esta é a tabela original de Zepar.”

O “enn” de Zepar também é moderno

Os chamados enns utilizados em certas correntes contemporâneas de Demonolatria não aparecem em Weyer nem na descrição original da Ars Goetia.

Podem possuir valor religioso em sistemas modernos.

Não deveriam ser apresentados como:

“antiga frase de invocação de Zepar.”

Isso mistura séculos completamente diferentes.

Zepar possui uma antiga ordem angelical?

As pequenas entradas fundamentais não informam um coro angelical anterior para Zepar.

Não encontramos ali:

Serafins;

Querubins;

Tronos;

Dominações;

Potestades;

Virtudes;

Principados;

Arcanjos;

ou Anjos.

Portanto, qualquer genealogia celestial específica precisa de outra fonte.

Não deveria ser colocada como dado clássico sem documentação.

Zepar possui relação explícita com Lúcifer?

Também não existe em sua pequena entrada uma relação individual explícita comparável à de Paimon.

Isso significa que o Templo pode integrar Zepar a uma filosofia luciferiana contemporânea sem precisar fabricar uma antiga relação hierárquica.

A honestidade histórica é suficiente:

Zepar pertence à tradição goética; sua leitura luciferiana é nossa.

A perspectiva do Templo de Lúcifer

Depois de separar as camadas, Zepar oferece um eixo filosófico particularmente forte:

desejo, união e consequência.

Essa formulação aproveita aquilo que realmente está na tradição.

Atração.

Encontro.

Esterilidade.

Mas não finge que o grimório forneceu nossa interpretação.

Zepar não precisa representar “amor armado”

A imagem atual do site fala em “amor armado”.

É uma expressão literariamente forte.

Mas eu a refinaria.

O soldado pode representar disciplina e ação.

O vermelho pode representar simbolicamente desejo dentro da leitura moderna.

Porém, transformar imediatamente relações humanas em campo de conquista pode reforçar uma metáfora ruim:

a outra pessoa vira território.

Dentro da nova abordagem do Templo, há uma interpretação mais coerente:

Zepar pode representar a necessidade de disciplinar o próprio desejo antes que ele tente disciplinar a vontade do outro.

O desejo e aquilo que ele produz

A tensão histórica de Zepar é incomum.

Ele aproxima.

Mas também impede fecundidade segundo a narrativa do grimório.

Isso permite uma leitura moderna bastante ampla.

Nem tudo aquilo que nos une a alguém produz crescimento.

Nem toda intensidade cria futuro.

Nem toda relação precisa produzir filhos.

Nem toda experiência precisa ser permanente para possuir significado.

A ideia de “fruto” pode ser trabalhada simbolicamente sem transformar esterilidade biológica em metáfora moral negativa.

Esterilidade não significa ausência de valor

Esse cuidado é muito importante.

Não devemos construir uma filosofia em que:

fertilidade = relação boa;

esterilidade = relação vazia ou fracassada.

Isso seria injustificável e também confundiria biologia com valor humano.

Pessoas estéreis podem possuir relações profundas, famílias e vidas plenamente significativas.

Da mesma forma, pessoas podem decidir conscientemente não ter filhos.

Portanto, na interpretação contemporânea, a esterilidade de Zepar não deveria servir para desvalorizar infertilidade real.

“Fruto” em sentido simbólico

Se usarmos o conceito simbolicamente, precisamos defini-lo de outra maneira.

Uma relação pode gerar:

aprendizado;

confiança;

apoio;

mudança;

memória;

projetos;

crescimento pessoal.

Ou pode produzir:

dependência;

obsessão;

humilhação;

controle;

perda de autonomia.

Assim, a pergunta simbólica não é:

“Isso produz filhos?”

É:

“O que essa união está produzindo na vida das pessoas envolvidas?”

Essa leitura é muito mais madura.

Zepar e atração consciente

O desejo pode ser intenso e ainda assim não precisar controlar a decisão.

Podemos reconhecer:

atração;

fantasia;

excitação;

carência;

ciúme.

Sem transformar essas emoções em ordem.

A consciência começa justamente quando conseguimos observar o desejo sem confundi-lo com obrigação.

União não é posse

A Goetia coloca Zepar no campo de unir pessoas em amor.

Uma leitura contemporânea precisa distinguir:

união;

de posse.

Relacionamento saudável envolve duas vontades.

Não uma vontade absorvendo a outra.

Isso vale para qualquer espiritualidade que declare valorizar autonomia.

Uma pessoa não é recompensa por ritual

Esse princípio também serve como proteção contra exploração espiritual.

Nenhuma pessoa deveria ser apresentada comercialmente como:

“resultado garantido”;

“amor que será trazido”;

“alvo que não conseguirá resistir”.

Esse tipo de promessa transforma vulnerabilidade afetiva em produto.

Uma tradição que pretende demonstrar autoridade deveria justamente evitar isso.

Zepar e responsabilidade sexual

A presença conjunta de:

atração;

união;

e esterilidade

torna Zepar apropriado para uma reflexão contemporânea sobre responsabilidade sexual.

Não como fonte médica.

Como tema filosófico.

Desejo possui consequências.

Relações possuem consequências.

Sexo possui consequências emocionais, sociais e eventualmente reprodutivas.

Autonomia exige informação e responsabilidade.

Espiritualidade não substitui contracepção

Uma filosofia responsável precisa ser direta.

Quem deseja evitar gravidez precisa usar métodos contraceptivos adequados.

Quem possui dúvidas sobre fertilidade precisa buscar orientação de saúde.

Nenhuma interpretação de Zepar substitui isso.

A função do artigo é histórica e filosófica.

Não médica.

O soldado como disciplina interna

Dentro da leitura do Templo, talvez essa seja a aplicação mais coerente de sua aparência.

Soldado não como conquistador do outro.

Soldado como imagem de:

disciplina;

controle de impulso;

preparo;

responsabilidade.

Desejo sem disciplina pode transformar-se em compulsão.

Disciplina sem reconhecimento do desejo pode transformar-se em repressão.

Uma posição mais madura existe entre os dois.

O vermelho como intensidade

Como interpretação declaradamente contemporânea, o vermelho pode representar intensidade.

Não apenas sexual.

Desejo de:

ser amado;

ser escolhido;

ser desejado;

não ser abandonado;

possuir;

pertencer.

Esses desejos podem ser profundamente humanos.

Também podem produzir decisões ruins quando permanecem inconscientes.

O verdadeiro território de Zepar

Sitri pode representar o desejo reconhecido.

Beleth, intensidade afetiva e soberania.

Zepar pode receber um território próprio:

aquilo que construímos — ou deixamos de construir — depois que a atração consegue aproximar duas pessoas.

Essa diferenciação fortalece muito a biblioteca.

Não são três versões do mesmo “demônio do amor”.

São três problemas distintos.

A atração é apenas o início

Muitas relações começam porque duas pessoas se desejam.

Isso não responde:

se são compatíveis;

se confiam uma na outra;

se possuem os mesmos objetivos;

se conseguem resolver conflitos;

se respeitam limites.

Zepar pode simbolizar o momento em que a atração já aconteceu e aparece outra pergunta:

o que essa união será capaz de produzir?

Desejo sem projeto

Nem toda relação precisa possuir um projeto de vida conjunto.

Isso também precisa ser respeitado.

Duas pessoas podem escolher conscientemente uma relação breve ou puramente sexual.

O problema não é a ausência de permanência.

O problema é falta de clareza ou consentimento.

Quando uma pessoa acredita estar construindo compromisso e outra apenas busca experiência passageira, conflito pode surgir.

Nesse sentido, consciência exige comunicar intenção.

O preço da ilusão romântica

A leitura antiga de Zepar pode ser atualizada para criticar outra tendência:

acreditar que atração intensa comprova destino.

Não comprova.

Química não garante compatibilidade.

Desejo não garante caráter.

Paixão não garante compromisso.

O fato de algo parecer extraordinariamente intenso não significa que deva governar todas as decisões.

Zepar e soberania corporal

A esterilidade histórica também permite uma reflexão sobre o corpo.

Decisões reprodutivas pertencem às pessoas envolvidas.

Ter filhos.

Não ter.

Utilizar contracepção.

Buscar tratamento de fertilidade.

Tudo isso envolve autonomia corporal e informação.

Uma filosofia que valoriza soberania precisa respeitar especialmente esse território.

O princípio central de Zepar

Dentro da interpretação contemporânea do Templo, poderíamos resumir sua máxima assim:

“Desejo pode aproximar corpos e vontades; consciência decide aquilo que essa união produzirá e quais limites precisam ser preservados.”

Essa formulação é nossa.

Não do grimório.

Mas parte diretamente do conjunto histórico:

atração;

união;

esterilidade.

Zepar e a luz luciferiana

Se Lúcifer é interpretado pelo Templo como símbolo de consciência e conhecimento, Zepar pode representar a luz aplicada ao campo do desejo.

Essa luz não condena sexualidade.

Também não a romantiza.

Ela pergunta:

o que eu quero?

por que quero?

a outra pessoa também quer?

que consequência estou disposto a assumir?

há comunicação?

há responsabilidade?

Essa é uma interpretação muito mais consistente com autonomia do que “conquistar alguém”.

Zepar segundo o Método das Seis Camadas

Na primeira camada, examinamos a Ars Goetia: Zepar é nº 16, Grande Duque, vestido de vermelho e armado como soldado, associado ao amor entre mulheres e homens, à união, à esterilidade, a 26 legiões e a um selo próprio.

Na segunda camada, voltamos a Weyer: Zepar é nº 19, Grande Duque, aparece simplesmente como soldado, inflama mulheres com amor por homens, transforma sua aparência para aproximá-las de seus amados, torna-as estéreis e governa 26 legiões.

Na terceira camada, examinamos testemunhos relacionados: Coap no Livre des esperitz, Loonab no Liber Officiorum Spirituum e o ambíguo Taob do manuscrito de Munique. Esses materiais demonstram que o complexo de amor, transformação e esterilidade possui antecedentes anteriores ou paralelos a Weyer, embora a genealogia nominal não seja simples.

Na quarta camada, separamos o pareamento Rudd/Hekamiah, astrologia, Tarô, elementos, metais e Demonolatria moderna.

Na quinta camada, examinamos Collin de Plancy: Zepar continua Grande Duque e guerreiro, mas o tema amoroso torna-se “paixões infames”, o número passa para 28 e surge uma tentativa de identificá-lo com Vepar/Sépar que não corresponde à separação clara encontrada em Weyer.

Na sexta camada, apresentamos a leitura contemporânea do Templo de Lúcifer: Zepar como figura de desejo, união, soberania corporal e responsabilidade pelas consequências de uma relação.

O que sabemos com razoável segurança

Zepar está documentado diretamente em Johann Weyer como nº 19 da Pseudomonarchia Daemonum.

É Grande Duque.

Aparece como soldado.

Inflama mulheres com amor por homens.

Pode alterar sua aparência.

Está associado à esterilidade.

Governa 26 legiões.

Na Ars Goetia, torna-se nº 16.

Continua Grande Duque.

Continua soldado.

O texto acrescenta traje vermelho.

Mantém amor, aproximação, esterilidade e 26 legiões.

Elimina a transformação explícita da aparência.

Existem ainda antecedentes ou paralelos textuais em Coap e Loonab, e um paralelo particularmente complexo em Taob.

O nome Zepar torna-se relativamente estável a partir de Weyer.

No século XIX, Collin de Plancy modifica o perfil e registra 28 legiões.

O que permanece incerto

Não conhecemos a etimologia segura de Zepar.

A relação exata entre Coap, Loonab, Taob e Zepar não está completamente reconstruída.

Taob é especialmente ambíguo porque seus ofícios lembram fortemente Zepar, mas seu nome e parte da tradição apontam também para Gaap/Tap.

Não sabemos por que a Goetia acrescenta vermelho.

Não sabemos por que elimina a transformação física encontrada em Weyer.

Não existe uma antiga ordem angelical informada em sua pequena entrada fundamental.

Não existe relação individual explícita com Lúcifer comparável à de Paimon.

Não sabemos o significado original dos traços de seu selo.

E correspondências astrológicas, tarotísticas, planetárias e demonolátricas pertencem a sistemas posteriores.

Perguntas frequentes sobre Zepar

Quem é Zepar?

Zepar é o décimo sexto espírito da Ars Goetia, apresentado como Grande Duque vestido de vermelho e armado como soldado, associado ao amor entre homens e mulheres, união e esterilidade.

Zepar aparece antes da Ars Goetia?

Sim. Johann Weyer o registra como nº 19 da Pseudomonarchia Daemonum.

Existem antecedentes ainda anteriores?

Existem figuras de catálogos relacionados com ofícios muito próximos, principalmente Coap e Loonab. Taob constitui outro paralelo, embora sua identidade seja textualmente ambígua.

Qual é a posição de Zepar em Weyer?

Nº 19.

Qual é sua posição na Ars Goetia?

Nº 16.

Qual é o título de Zepar?

Grande Duque.

Quantas legiões Zepar governa?

Weyer e a Ars Goetia registram 26.

Collin de Plancy também registra 26?

Não. O Dictionnaire Infernal registra 28.

Como Zepar aparece?

Em Weyer, como soldado.

Na Ars Goetia, como soldado vestido de vermelho.

Zepar usa armadura vermelha?

A Goetia diz “vestido de vermelho” e “armado como soldado”. Não especifica necessariamente que a própria armadura seja vermelha.

Weyer já descreve Zepar de vermelho?

Não.

Zepar transforma a aparência de mulheres?

Weyer atribui explicitamente essa função. A pequena entrada da Goetia posterior não a conserva.

Zepar provoca amor?

É uma de suas atribuições históricas.

Zepar é um Daemon da luxúria?

A dimensão afetiva e possivelmente erótica é evidente, mas “Daemon da Luxúria” não é seu título histórico formal.

Zepar torna mulheres estéreis?

Weyer e a Ars Goetia atribuem-lhe essa capacidade dentro de suas cosmologias mágicas. Isso é um fato sobre os textos, não evidência médica de que práticas espirituais provoquem infertilidade.

Zepar pode ser usado como contraceptivo?

Não. Uma descrição de grimório não é método contraceptivo nem evidência médica.

Zepar pode tratar infertilidade?

Não existe evidência médica para isso. Questões de fertilidade devem ser avaliadas por profissionais de saúde.

Coap é Zepar?

Coap é um forte correspondente funcional em uma tradição anterior ou paralela, mas é melhor tratá-lo como antecedente textual possível do que como identidade absolutamente demonstrada.

Quem é Loonab?

Loonab é um espírito do Liber Officiorum Spirituum cujo perfil — amor entre mulheres e homens, transformação e 26 legiões — é muito próximo do Zepar de Weyer.

Taob é Zepar?

Não podemos afirmar isso com certeza. Suas funções se aproximam muito de Zepar, mas Peterson também relaciona Taob nominalmente a Gaap/Tap.

Zepar e Vepar são a mesma entidade?

Weyer trata Zepar e Vepar/Sépar como figuras diferentes. Collin de Plancy sugere posteriormente que talvez fossem a mesma, mas essa identificação não deve ser apresentada como fato estabelecido.

Qual é a origem do nome Zepar?

Permanece incerta.

Zepar possui uma antiga ordem angelical?

As entradas fundamentais utilizadas neste artigo não informam uma.

Zepar possui relação especial com Lúcifer?

Não existe em sua pequena entrada uma relação individual explícita equivalente à de Paimon.

Qual anjo é associado a Zepar?

Na tradição posterior associada a Thomas Rudd, Zepar nº 16 é pareado com Hekamiah.

Qual é o planeta de Zepar?

Weyer e a pequena entrada básica da Goetia não fornecem uma correspondência planetária única.

Qual é o signo de Zepar?

As correspondências zodiacais encontradas em sistemas posteriores não fazem parte do núcleo documental básico.

Qual é a carta de Tarô de Zepar?

Não existe carta de Tarô em sua entrada histórica fundamental.

Zepar é originalmente luciferiano?

Não no sentido religioso contemporâneo. Sua incorporação ao Luciferianismo moderno é uma interpretação posterior.

A perspectiva do Templo de Lúcifer

Dentro da interpretação contemporânea do Templo, Zepar pode representar a relação entre:

desejo;

união;

corpo;

consequência;

e responsabilidade.

Isso não exige transformar esterilidade numa metáfora negativa sobre pessoas inférteis.

Nem transformar o soldado numa figura de conquista sexual.

Podemos construir uma leitura mais responsável.

Desejo possui consequência

Desejo costuma ser tratado de duas maneiras extremas.

Como pecado.

Ou como algo que deveria ser satisfeito sempre que surge.

Nenhum dos extremos é suficiente.

Desejo é uma experiência.

Pode ser observado.

Compreendido.

Aceito.

E ainda assim submetido a escolha.

Nesse sentido, Zepar pode simbolizar uma pergunta:

o que estou disposto a assumir como consequência daquilo que desejo?

União não é garantia de futuro

Duas pessoas podem aproximar-se intensamente.

Isso não significa que construirão vida conjunta.

E isso não torna a experiência automaticamente falsa.

O problema aparece quando expectativa e realidade são confundidas.

Uma pessoa busca experiência breve.

Outra acredita estar formando compromisso permanente.

Sem comunicação, intensidade não resolve a diferença.

O desejo não concede direito

Esse princípio é fundamental.

Desejar alguém não cria direito sobre essa pessoa.

Ser rejeitado não significa ter sido injustiçado.

Receber amor não transforma o outro em propriedade.

Dentro de um Luciferianismo orientado à autonomia, esse ponto precisa ser aplicado de forma recíproca.

O corpo também é soberano

A presença histórica da esterilidade torna o corpo inevitavelmente parte da discussão.

Decisões reprodutivas pertencem aos indivíduos diretamente envolvidos.

Espiritualidade pode oferecer valores e reflexão.

Não deveria retirar autonomia corporal.

Essa soberania vale:

para sexualidade;

contracepção;

reprodução;

e decisão sobre relacionamento.

O soldado e a disciplina do desejo

A imagem militar pode então ser reinterpretada de outra maneira.

Não conquista.

Disciplina.

Uma pessoa que consegue reconhecer o próprio desejo sem ser inteiramente controlada por ele possui maior autonomia que alguém que apenas reprime ou obedece.

Esse equilíbrio é difícil.

Talvez seja exatamente por isso que a figura do soldado funcione simbolicamente.

O vermelho e a intensidade

Na camada goética posterior, Zepar veste vermelho.

O Templo pode utilizar isso como símbolo de intensidade.

Mas deve dizer explicitamente:

essa interpretação é contemporânea.

O manuscrito não fornece uma chave dizendo que vermelho = paixão.

Nós construímos essa associação conscientemente.

O que a união está produzindo?

Talvez esta seja a pergunta filosófica central de Zepar.

Não:

“essa relação produzirá filhos?”

Mas:

“o que esta relação está produzindo na vida das pessoas envolvidas?”

Mais consciência?

Confiança?

Apoio?

Dependência?

Medo?

Crescimento?

Controle?

Não existe uma resposta pronta.

A pergunta obriga a olhar para consequências.

Relações não precisam ser fecundas biologicamente para terem valor

Isso também precisa ser declarado.

Uma relação entre pessoas que não podem ou não desejam ter filhos não é menos significativa por isso.

Uma leitura simbólica responsável precisa separar:

reprodução;

de valor.

Caso contrário, transformaríamos um atributo demonológico antigo numa visão contemporânea injustificável sobre fertilidade humana.

Zepar como reflexão sobre responsabilidade sexual

Dentro do Templo, o tema pode ser atualizado para:

consentimento;

contracepção responsável;

comunicação;

expectativas;

limites;

e saúde sexual.

Não porque Weyer tenha escrito sobre essas categorias modernas.

Mas porque são as questões responsáveis que surgem hoje quando tratamos de desejo e união.

A luz luciferiana não precisa moralizar o desejo

Uma filosofia de conhecimento pode rejeitar tanto repressão cega quanto permissividade irrefletida.

A pergunta não precisa ser:

“Desejar é certo ou errado?”

Pode ser:

“Eu compreendo aquilo que desejo e consigo agir sem negar a autonomia das pessoas envolvidas?”

Essa pergunta é muito mais útil.

O princípio central de Zepar

Dentro da leitura contemporânea do Templo, Zepar pode ser resumido assim:

desejo aproxima; consciência estabelece limites; responsabilidade decide aquilo que fazemos com a proximidade criada.

Isso preserva a intensidade da figura.

Mas elimina a necessidade de romantizar coerção.

Conclusão

Zepar parece um personagem simples quando lemos apenas algumas linhas da Ars Goetia.

Grande Duque.

Vermelho.

Soldado.

Amor.

Esterilidade.

Vinte e seis legiões.

Mas a reconstrução histórica mostra uma tradição muito mais complexa.

Weyer o coloca como nº 19.

Não menciona vermelho.

Mantém o soldado.

Acrescenta transformação física.

Mantém atração.

Mantém esterilidade.

Mantém 26 legiões.

A Ars Goetia o desloca para nº 16.

Acrescenta o vermelho.

Retira a transformação.

Reformula a função como aproximar mulheres e homens em amor.

Mantém esterilidade.

Mantém 26 legiões.

Mais atrás encontramos ecos ainda mais estranhos.

Coap, no Livre des esperitz, possui funções relacionadas à obtenção e aproximação de mulheres e 27 legiões.

Loonab, no Liber Officiorum Spirituum, aparece primeiro como ave negra e depois em forma humana, faz mulheres arderem de amor por homens, transforma-as para que possam unir-se a eles e governa 26 legiões.

Taob, no manuscrito medieval de Munique, acrescenta ainda outro problema: medicina das mulheres, amor, transformação e esterilidade, mas seu nome também o aproxima de Gaap/Tap.

Isso significa que a história de Zepar não pode ser resumida simplesmente como:

“nome estável copiado de Weyer pela Goetia.”

O nome torna-se estável em uma etapa relativamente tardia.

Os ofícios parecem possuir uma pré-história textual mais confusa.

No século XIX, Collin de Plancy modifica novamente a figura.

Zépar continua guerreiro.

Mas agora desperta “paixões infames”.

Governa 28 legiões.

E o autor chega a especular que talvez seja a mesma figura que Vepar/Sépar — hipótese problemática porque Weyer os registra separadamente.

Essa história é muito mais interessante que qualquer tabela moderna de:

planeta;

Tarô;

vela;

incenso;

cor;

ou “enn”.

Ela mostra como personagens grimoriais são construídos por transmissão.

Partes permanecem.

Outras somem.

Outras aparecem.

Nomes se deslocam.

Números mudam.

E, séculos depois, interpretações começam a parecer mais antigas que os próprios textos.

Dentro do Templo de Lúcifer, Zepar também pode receber uma leitura mais madura que simplesmente “Daemon para conseguir amor”.

Seu território filosófico pode ser:

a consequência do desejo quando ele deixa de ser fantasia e começa a produzir relações reais.

Desejar é uma coisa.

Aproximar-se é outra.

Construir algo é outra.

E assumir consequências é outra.

O verdadeiro problema não está em desejar.

Está em acreditar que desejo elimina responsabilidade.

Ou que amor elimina autonomia.

Ou que intensidade garante futuro.

Zepar pode simbolizar precisamente a necessidade de olhar além do momento da atração.

Perguntar:

o que estamos construindo?

o que cada pessoa espera?

existe reciprocidade?

existe consentimento?

existem limites?

que consequência estamos dispostos a assumir?

Nesse sentido, sua imagem histórica de soldado pode ganhar uma interpretação contemporânea mais coerente.

Não guerra contra o outro.

Disciplina diante de si mesmo.

E o vermelho acrescentado posteriormente pela Goetia pode representar, dentro da leitura do Templo, a intensidade que precisa ser iluminada pela consciência antes de tornar-se ação.

Assim, a máxima contemporânea de Zepar poderia ser:

“Não confunda aquilo que deseja com aquilo a que tem direito — e não entre numa união sem estar disposto a enxergar aquilo que ela realmente produz.”

Leituras relacionadas

Consulte Os 72 Daemons da Ars Goetia: lista completa, história, hierarquia e guia como página central desta biblioteca.

Leia também Eligos, Eligor ou Abigor: história, origem e tradição do 15º espírito da Ars Goetia, imediatamente anterior na sequência.

Para comparar diferentes aspectos de atração e relações, consulte Sitri, Sytry ou Bitru: história, origem e tradição do 12º espírito da Ars Goetia e Beleth, Bileth ou Byleth: história, origem e tradição do 13º espírito da Ars Goetia.

O próximo estudo será Botis/Otis: história, origem e tradição do 17º espírito da Ars Goetia.

Referências e leituras para aprofundamento

Livre des esperitz. Trinity College Cambridge MS O.8.29. Preserva Coap, Grande Príncipe ligado à obtenção ou aproximação de mulheres e a 27 legiões, considerado em comparações modernas um possível antecedente funcional da tradição de Zepar.

Liber Officiorum Spirituum. Folger MS V.b.26. Preserva Loonab, Príncipe que aparece inicialmente como ave negra e, em forma humana, faz mulheres arderem de amor por homens, transforma-as para permitir sua união e governa 26 legiões.

KIECKHEFER, Richard. Forbidden Rites: A Necromancer’s Manual of the Fifteenth Century. O Clm 849 contém Taob, figura de identidade textual problemática, mas cujas atribuições a mulheres, amor, transformação e esterilidade se aproximam fortemente do complexo posteriormente associado a Zepar.

WEYER, Johann. Pseudomonarchia Daemonum. Zepar aparece como nº 19, Grande Duque em forma de soldado, associado ao amor de mulheres por homens, transformação, esterilidade e 26 legiões.

SCOT, Reginald. The Discoverie of Witchcraft. 1584. Preserva em inglês a entrada de Zepar derivada de Weyer e constitui um importante elo entre a Pseudomonarchia e a tradição inglesa posteriormente utilizada pelo Lemegeton.

PETERSON, Joseph H. (ed.). Lemegeton Clavicula Salomonis — Ars Goetia. Zepar aparece como nº 16, Grande Duque vestido de vermelho e armado como soldado, ligado a amor, união, esterilidade, 26 legiões e selo próprio.

COLLIN DE PLANCY, Jacques. Dictionnaire Infernal. 6ª ed., 1863. Zépar aparece como Grande Duque guerreiro, ligado a “paixões infames” e 28 legiões; Plancy sugere ainda possível identidade com Vepar/Sépar, associação que deve ser tratada criticamente.

Tradição manuscrita associada a Thomas Rudd. O pareamento posterior posição por posição coloca Zepar nº 16 contra Hekamiah nº 16, sistema inexistente na pequena entrada original da Ars Goetia.

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Author

Emrys

Emrys é autor, editor e pesquisador responsável pelo Templo de Lúcifer. Seu trabalho concentra-se em Luciferianismo, história das religiões, demonologia, simbolismo, ocultismo e esoterismo, com ênfase na análise e contextualização de fontes. Conheça o autor e a metodologia editorial →

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