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Luciferianismo, História e Filosofia

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Home/Biblioteca/Demonologia/72 Daemons da Ars Goetia/Botis ou Otis: história, origem e tradição do 17º espírito da Ars Goetia
Templo de Lúcifer Botis
72 Daemons da Ars Goetia

Botis ou Otis: história, origem e tradição do 17º espírito da Ars Goetia

By Emrys
abril 12, 2026
0

Botis, também registrado como Otis e relacionado a formas anteriores como Otius e Artis, ocupa a décima sétima posição na Ars Goetia. Recebe uma dignidade dupla, sendo apresentado simultaneamente como Grande Presidente e Conde.

Sua descrição goética combina uma iconografia ameaçadora com funções inesperadamente voltadas ao conhecimento e à reconciliação. Botis aparece inicialmente sob a forma de uma víbora de aspecto desagradável. Quando assume figura humana, apresenta grandes dentes, dois chifres e carrega uma espada afiada e brilhante. Conhece acontecimentos passados e futuros, reconcilia amigos e inimigos e governa sessenta legiões de espíritos.

Esse perfil tornou-se a representação dominante de Botis no ocultismo moderno, mas está longe de contar toda a história.

Antes de ocupar a posição nº 17 na Ars Goetia, Johann Weyer já registrava Botis, também chamado Otis, como nº 9 da Pseudomonarchia Daemonum. E antes de Weyer encontramos testemunhos ainda mais antigos: Otius, num manuscrito necromântico do século XV, e Artis, no Livre des esperitz.

Quando essas versões são comparadas, descobrimos mudanças importantes de nome, aparência, hierarquia, número de chifres, quantidade de legiões e extensão dos conhecimentos atribuídos ao espírito.

Botis, portanto, não é apenas uma figura da Ars Goetia. É o resultado de uma tradição textual que atravessou séculos.

Quem é Botis na Ars Goetia?

No manuscrito Sloane 3825, Botis é apresentado como o 17º espírito. Seu título é incomum porque acumula duas dignidades: Grande Presidente e Conde.

Sua primeira manifestação ocorre como uma víbora. Depois, sob comando do operador dentro da narrativa ritual do grimório, assume figura humana com grandes dentes, dois chifres e uma espada afiada e brilhante.

Seu ofício é relativamente conciso: Botis fala sobre acontecimentos passados e futuros e reconcilia amigos e inimigos. O texto atribui-lhe 60 legiões e apresenta o selo pelo qual se tornou conhecido posteriormente.

É importante observar aquilo que a entrada não oferece. Não existe ali uma tabela original com planeta, signo, carta do Tarô, metal, cristal, erva, cor ritual ou enn. Essas correspondências pertencem a sistemas posteriores.

Botis antes da Ars Goetia

A história documental de Botis pode ser recuada muito além do Lemegeton.

Johann Weyer registra:

Botis, alibi Otis — Botis, também chamado Otis.

Na Pseudomonarchia Daemonum, ele ocupa a posição nº 9, enquanto posteriormente passa para nº 17 na Ars Goetia.

Essa mudança demonstra novamente um princípio importante para toda a biblioteca dos 72 espíritos: a numeração goética não deve ser tratada automaticamente como identidade metafísica permanente.

Botis não foi sempre o décimo sétimo.

A posição resulta da organização específica do catálogo que chegou ao Lemegeton.

Otius no manuscrito de Munique

A história pode ser recuada ainda mais.

O manuscrito Clm 849, produzido no século XV e estudado por Richard Kieckhefer em Forbidden Rites: A Necromancer’s Manual of the Fifteenth Century, preserva um espírito chamado Otius.

Joseph H. Peterson relaciona diretamente Otius ao posterior Botis/Otis de Weyer.

A descrição de Otius é suficientemente próxima para tornar a relação textual muito forte.

Ele possui as dignidades de Presidente e Conde. Em forma humana, apresenta grandes dentes, três chifres e uma espada afiada. Responde sobre presente, futuro e assuntos escondidos e concede favor entre amigos e inimigos. O manuscrito atribui-lhe 36 legiões.

Compare com Weyer:

grandes dentes;

dois chifres;

espada;

presente;

passado;

futuro;

oculto;

amigos e inimigos;

60 legiões.

A estrutura é reconhecível, mas não idêntica.

De três chifres para dois

Uma das alterações mais visíveis está justamente na cabeça.

Otius possui três chifres.

Botis, em Weyer, possui dois.

A Ars Goetia mantém os dois.

Não sabemos exatamente por que o terceiro desapareceu.

Pode ter havido uma variante manuscrita, simplificação ou outra alteração durante a transmissão. Não precisamos escolher uma explicação sem documentação.

O importante é reconhecer que a iconografia mudou.

Isso impede que uma ficha moderna apresente cada detalhe visual como se tivesse permanecido intacto desde sua primeira documentação.

Artis no Livre des esperitz

Outro testemunho anterior é ainda mais surpreendente.

O Livre des esperitz, preservado no Trinity College Cambridge MS O.8.29, apresenta Artis, que Peterson coloca em correspondência com Botis dentro da comparação entre os catálogos.

Jean-Patrice Boudet transcreve a entrada da seguinte maneira: Artis é um Grande Duque, possui duas coroas e uma espada na mão, responde ao que lhe é perguntado, ensina coisas ocultas, concede bom amor ou favor entre as pessoas e governa 36 legiões.

Essa versão é extraordinariamente importante.

Não temos uma víbora.

Não aparecem grandes dentes.

Não aparecem chifres na transcrição acadêmica de Boudet.

Em vez deles, existem duas coroas.

Mas a espada permanece.

O conhecimento oculto permanece.

A dimensão social permanece.

E as 36 legiões coincidem com Otius.

Coroas transformadas em chifres?

Essa possibilidade merece atenção, mas não deve ser apresentada como fato consumado.

No francês do Livre des esperitz, Boudet lê:

deux coronnes — duas coroas.

Em Weyer encontramos:

cornua duo — dois chifres.

As palavras são suficientemente próximas no contexto da transmissão manuscrita para levantar uma questão interessante: teria ocorrido uma alteração durante a cópia ou tradução?

É possível.

Mas não sabemos.

Por isso, a formulação mais responsável é:

“Artis aparece com duas coroas em uma tradição anterior, enquanto Botis aparece posteriormente com dois chifres. A razão dessa mudança não está estabelecida.”

Essa pequena diferença demonstra como crítica textual pode modificar completamente uma imagem que hoje parece fixa.

Artis é realmente Botis?

A relação é forte, mas deve ser formulada com cautela.

Peterson coloca Artis na posição correspondente a Botis/Otis ao comparar diferentes testemunhos dos chamados Offices of Spirits.

Entretanto, suas descrições não são idênticas.

Artis é Grande Duque.

Botis acumula Presidente e Conde.

Artis possui duas coroas.

Botis possui dois chifres.

Artis governa 36 legiões.

Botis governa 60.

Por isso, é melhor tratar Artis como testemunho relacionado ou antecedente textual da tradição de Botis, e não afirmar simplesmente que se trata da mesma entrada copiada sem alterações.

Os manuscritos mostram diferentes ramos da tradição.

Botis ou Otis em Johann Weyer

Weyer fornece a principal ponte entre esses materiais anteriores e a Ars Goetia.

Seu texto latino apresenta Botis como Grande Presidente e Conde. Ele surge na forma de uma víbora extremamente terrível. Quando assume forma humana, mostra grandes dentes e dois chifres e segura uma espada afiada.

Mas sua função em Weyer é mais ampla que na Goetia.

Botis responde verdadeiramente sobre:

o presente;

o passado;

o futuro;

e assuntos ocultos.

Também reconcilia amigos e inimigos e governa sessenta legiões.

Esse detalhe é importante.

A versão anterior sabe mais, pelo menos textualmente, que a versão goética posterior.

O presente e o oculto desaparecem da Ars Goetia

Na Ars Goetia, Botis continua conhecendo passado e futuro.

Mas a pequena entrada não menciona explicitamente:

presente

nem

assuntos ocultos.

Essa diferença demonstra que a formação da Goetia não consistiu apenas em acrescentar material à Pseudomonarchia.

Também houve simplificação.

Certos atributos desapareceram.

Esse ponto é editorialmente importante porque inúmeras páginas atuais pegam tudo que aparece em qualquer versão histórica e montam uma única ficha, como se cada atributo pertencesse simultaneamente ao mesmo texto.

O método adotado nesta biblioteca deve fazer o contrário:

mostrar quando cada característica aparece.

Reginald Scot e a transmissão inglesa

Reginald Scot reproduziu em The Discoverie of Witchcraft, de 1584, grande parte do catálogo de Weyer em inglês.

Essa transmissão é especialmente importante porque Joseph Peterson observa que a Ars Goetia corresponde em muitos pontos mais diretamente à tradução inglesa preservada por Scot do que ao latim de Weyer.

Isso ajuda a explicar por que determinadas formulações chegaram ao Lemegeton modificadas.

A história da Goetia não é apenas história de entidades.

É história de cópias, traduções, omissões e reorganizações.

De nº 9 para nº 17

A mudança de posição de Botis é considerável.

Weyer:

nº 9.

Ars Goetia:

nº 17.

Portanto, interpretações modernas que atribuem significado esotérico absoluto ao número 17 precisam reconhecer que essa numeração pertence à organização posterior da Goetia.

O número pode possuir significado dentro de um sistema contemporâneo.

Não deve ser apresentado como essência histórica invariável de Botis.

Presidente e Conde ao mesmo tempo

A dupla dignidade também chama atenção.

Botis não é somente Presidente.

Também é Conde.

As duas classificações já aparecem juntas em Weyer e são preservadas no Lemegeton.

Isso demonstra que as hierarquias dos grimórios não funcionam necessariamente como cargos mutuamente exclusivos.

Um espírito pode acumular dignidades.

Não existe, entretanto, uma escala matemática confiável que permita transformar títulos em pontos de poder.

Ser Presidente e Conde não significa que possamos calcular quantitativamente sua posição em relação a um Duque ou Rei.

A víbora

A víbora tornou-se uma das principais imagens de Botis.

Em Weyer, sua primeira manifestação é descrita como uma víbora extremamente terrível.

A Goetia preserva a serpente, chamando-a de víbora de aparência desagradável ou repulsiva.

A fonte não explica o significado simbólico dessa forma.

Portanto, associações com:

sabedoria;

renovação;

veneno;

transformação;

conhecimento;

sexualidade;

ou iluminação

são interpretações posteriores.

Podem ser utilizadas numa leitura contemporânea, mas não como legenda histórica fornecida pelo grimório.

A transformação para forma humana

Depois da víbora aparece uma figura humanoide.

Grandes dentes.

Chifres.

Espada.

A mudança produz um contraste particularmente forte.

Mas novamente a fonte descreve.

Não interpreta.

Quando uma leitura contemporânea afirma que “Botis abandona a serpente para assumir a razão humana” ou que seus dentes simbolizam determinada característica psicológica, estamos no campo da interpretação.

Essa separação precisa permanecer clara.

A espada

A espada é um dos elementos mais persistentes da tradição.

Artis já possui espada.

Otius possui espada.

Weyer preserva espada.

A Goetia preserva espada e acrescenta que ela é brilhante, além de afiada.

Isso faz da arma um elemento iconográfico muito mais estável que vários outros detalhes.

Ainda assim, seu significado não é explicado pelo texto.

Podemos interpretá-la contemporaneamente como discernimento ou separação.

Não devemos dizer que esse é o significado histórico comprovado.

A espada torna-se brilhante

Essa pequena modificação merece registro.

Weyer fala de uma espada afiada.

O Sloane 3825 apresenta uma espada afiada e brilhante.

É apenas um adjetivo.

Mas esse tipo de alteração demonstra como uma iconografia se torna progressivamente mais detalhada.

Depois, artistas adicionam novos elementos.

Séculos mais tarde, leitores podem imaginar que todos estiveram no texto original.

Botis e passado, presente e futuro

A relação com o tempo é uma das características mais importantes da figura.

Otius responde sobre presente e futuro.

Weyer amplia ou preserva a tradição em:

presente;

passado;

futuro;

oculto.

A Goetia reduz para:

passado;

futuro.

Portanto, quando dizemos simplesmente que Botis “conhece passado, presente e futuro”, precisamos especificar:

segundo Weyer e tradições anteriores.

A entrada goética propriamente dita não enumera os três tempos.

Conhecimento do futuro não é comprovação de previsão

Outro limite metodológico é necessário.

Podemos afirmar documentalmente:

“o grimório atribui a Botis conhecimento do futuro.”

Não podemos passar automaticamente disso para:

“Botis comprovadamente prevê acontecimentos futuros.”

A primeira frase descreve uma tradição.

A segunda exigiria evidência independente sobre a realidade da afirmação sobrenatural.

Uma página que pretende demonstrar autoridade precisa distinguir essas categorias.

Botis e coisas ocultas

Conhecimento do oculto aparece também antes da Goetia.

Artis ensina coisas escondidas.

Otius responde sobre assuntos escondidos.

Weyer inclui explicitamente abstrusis, aquilo que está oculto.

A pequena entrada da Goetia, porém, não preserva essa categoria.

Esse desaparecimento é historicamente tão importante quanto a própria presença do atributo.

A reconciliação entre amigos e inimigos

A segunda grande função de Botis é social.

Weyer afirma que ele reconcilia tanto amigos quanto inimigos.

A Ars Goetia mantém claramente a mesma função.

Os antecedentes parecem apontar para um campo semelhante.

Otius concede favor de amigos e inimigos.

Artis concede amor ou favor entre as pessoas.

Assim, a reconciliação não surge repentinamente no século XVII.

Existe uma tradição anterior ligada a:

favor;

boa disposição;

relações;

e oposição.

Favor não é exatamente reconciliação

A diferença precisa ser mantida.

Conseguir favor de duas partes não é necessariamente o mesmo que reconciliá-las.

Durante a transmissão, a função social parece ter se tornado mais específica.

Otius:

favor de amigos e inimigos.

Artis:

favor ou boa relação entre pessoas.

Weyer:

reconciliação de amigos e inimigos.

Goetia:

reconciliação de amigos e inimigos.

Isso mostra evolução sem exigir que imaginemos uma mudança metafísica da entidade.

Reconciliação não significa apagar conflito

Aqui podemos começar uma interpretação contemporânea.

Reconciliar não é necessariamente retornar ao estado anterior.

Duas pessoas podem compreender um conflito e ainda decidir manter distância.

Uma relação pode ser encerrada sem hostilidade.

Um desacordo pode continuar existindo sem transformar-se em guerra permanente.

Assim, dentro da interpretação do Templo, reconciliação pode significar:

resolver aquilo que precisa ser resolvido sem exigir falsa intimidade.

Essa é uma leitura contemporânea.

Botis e a verdade antes da paz

A combinação entre conhecimento e reconciliação oferece um eixo filosófico particularmente forte.

Em Weyer, Botis conhece:

presente;

passado;

futuro;

e aquilo que está escondido.

Depois reconcilia amigos e inimigos.

A sequência permite uma interpretação interessante:

compreender antes de conciliar.

Uma paz construída sobre versão falsa dos acontecimentos pode apenas adiar o conflito.

Descobrir aquilo que realmente ocorreu pode inicialmente tornar a situação mais difícil.

Depois pode criar condições para uma resolução mais sólida.

A verdade também pode ser utilizada como arma

O contrário precisa ser reconhecido.

Descobrir informações sobre um conflito não significa que serão utilizadas de maneira responsável.

Uma pessoa pode usar conhecimento para:

humilhar;

chantagear;

manipular;

ou vencer uma disputa.

Conhecimento não produz ética automaticamente.

Por isso, Botis oferece um problema filosófico interessante:

o que fazemos com aquilo que sabemos sobre a fraqueza e os conflitos dos outros?

A perspectiva do Templo: Reconciliação Lúcida

Dentro da interpretação contemporânea do Templo de Lúcifer, Botis pode representar aquilo que chamamos de Reconciliação Lúcida.

Essa expressão não pertence a Weyer nem ao Lemegeton.

É uma síntese contemporânea baseada em dois elementos históricos:

conhecimento;

e reconciliação.

Reconciliação lúcida significa não fingir que o problema nunca aconteceu.

Não exigir paz antes de compreender a origem do conflito.

Não apagar responsabilidade apenas para evitar desconforto.

E também não transformar cada descoberta numa arma.

Reconciliação não é submissão

Uma pessoa pode reconhecer a verdade de uma situação e ainda manter limites.

Perdoar, quando alguém escolhe fazê-lo, não precisa significar:

reconstruir intimidade;

restabelecer acesso;

esquecer;

ou aceitar nova exposição ao mesmo comportamento.

Nesse sentido, a reconciliação de Botis pode receber uma leitura contemporânea baseada em clareza e autonomia.

A víbora como interpretação contemporânea

Se decidirmos trabalhar simbolicamente com sua forma serpentina, podemos utilizar a víbora como imagem de algo que exige atenção.

Um conflito ignorado pode permanecer escondido.

Ressentimento.

Informação incompleta.

Motivação não declarada.

A presença da serpente pode simbolizar, dentro da leitura do Templo, aquilo que existe sob a superfície.

Mas essa interpretação é nossa.

A fonte não fornece essa explicação.

A espada como discernimento

O mesmo vale para a espada.

Dentro de nossa leitura contemporânea, ela pode representar capacidade de separar:

fato de interpretação;

responsabilidade de acusação;

problema real de ruído;

possibilidade de reconciliação de necessidade de afastamento.

É uma metáfora útil precisamente porque Botis combina conhecimento e conflito.

Mas não deve ser apresentada como “significado secreto original” da espada.

Os chifres e o problema da transmissão

Botis oferece um excelente exemplo de por que não devemos construir simbolismo demais sobre pequenos detalhes iconográficos.

Otius possui três chifres.

Weyer possui dois.

Artis pode nem possuir chifres na transcrição de Boudet, mas duas coroas.

Se criarmos uma teologia inteira sobre o significado esotérico dos “dois chifres eternos de Botis”, ignoraremos que esse número mudou durante a transmissão.

Antes de interpretar um símbolo, precisamos saber se o símbolo é realmente antigo e estável.

De 36 para 60 legiões

O mesmo ocorre com as legiões.

Otius:

36.

Artis:

36.

Weyer:

60.

Ars Goetia:

60.

Isso mostra uma ruptura bastante clara.

Não sabemos por que o número aumentou.

Não é necessário inventar uma explicação numerológica.

O fato textual é suficiente.

Botis no Grand Grimoire

Botis também aparece no Grand Grimoire, mas dentro de uma organização diferente.

Nesse sistema, seis grandes autoridades comandam grupos de espíritos subordinados.

Agaliarept é colocado sobre:

Buer;

Gusoyn;

e Botis.

Assim, no Grand Grimoire, Botis pertence a uma estrutura que não é a mesma da Ars Goetia.

Isso é outro exemplo de como não existe uma única burocracia infernal universal compartilhada por todos os grimórios.

Botis é subordinado a Agaliarept?

A resposta correta precisa indicar a obra:

no Grand Grimoire, sim.

A Ars Goetia não apresenta essa relação como parte da entrada de Botis.

Dizer simplesmente:

“Agaliarept é o superior de Botis”

sem indicar o sistema misturaria duas tradições diferentes.

Botis no Dictionnaire Infernal

No século XIX, Jacques Collin de Plancy registra a figura sob:

Otis ou Botis.

Mantém a condição de Presidente.

Mantém a víbora.

Mantém os grandes dentes, os dois chifres e a espada.

Mantém também as sessenta legiões.

Entretanto, sua formulação sobre as relações sociais muda: em vez de dizer claramente que Botis reconcilia amigos e inimigos, Collin de Plancy afirma que ele possui “tantos amigos quanto inimigos”.

Isso altera significativamente o sentido.

O Dictionnaire Infernal é recepção, não origem

A entrada de Collin de Plancy é importante para compreender como Botis era recebido no século XIX.

Não deve substituir Weyer na reconstrução do século XVI.

Esse princípio vale para toda a nossa série.

Uma obra posterior pode:

preservar;

resumir;

moralizar;

alterar;

ou reinterpretar.

Precisamos datar cada camada.

Botis é uma entidade bíblica?

Não.

Botis não aparece nos textos bíblicos como a figura que encontramos nos grimórios.

A documentação relevante que conseguimos reconstruir pertence à tradição mágica europeia medieval e moderna inicial.

Isso o diferencia de figuras como Belial, cujo nome possui uma trajetória muito mais antiga em textos judaicos e bíblicos.

Botis era uma antiga divindade?

Não existe evidência histórica suficiente para identificá-lo com segurança como uma divindade antiga específica.

A víbora, os chifres e a espada podem lembrar inúmeras figuras religiosas.

Semelhança iconográfica não demonstra genealogia.

A cadeia Otius–Artis–Otis–Botis oferece documentação muito mais concreta que tentativas de ligar a figura a um deus antigo apenas por comparação visual.

Qual é a origem do nome Botis?

Permanece incerta.

As formas documentadas incluem:

Botis;

Otis;

Otius;

Artis.

Não sabemos exatamente como se relacionam linguisticamente nem se todas derivam de uma forma mais antiga perdida.

Por isso, devemos desconfiar de qualquer página que apresente uma tradução exata do tipo:

“Botis significa X em hebraico.”

Sem cadeia filológica demonstrada, isso permanece especulação.

O selo de Botis

O selo atualmente associado a Botis pertence à tradição do Lemegeton.

Mas a figura é mais antiga que ele.

Otius já está documentado no século XV.

Artis pertence a um catálogo anterior ou paralelo.

Weyer registra Botis/Otis no século XVI.

Assim:

a história textual de Botis precede a documentação do selo goético pelo qual ele é reconhecido hoje.

O selo não deve ser apresentado como símbolo bíblico, antigo ou comprovadamente desenhado pelo Salomão histórico.

Correspondências astrológicas e tarotísticas

Botis recebeu posteriormente numerosas correspondências.

Planetas.

Signos.

Decanatos.

Tarô.

Metais.

Plantas.

Cores.

Dias.

Os sistemas modernos não concordam sempre entre si.

Isso é suficiente para mostrar que não estamos diante de uma única ficha transmitida desde Weyer.

Um exemplo particularmente evidente são as associações a Urano e urânio.

O planeta Urano só foi identificado na astronomia moderna em 1781 e o elemento urânio foi descoberto em 1789.

Portanto, qualquer associação desses elementos a Botis é necessariamente muito posterior a Weyer e à formação da Ars Goetia.

Isso não impede uma escola moderna de utilizá-la.

Impede apenas chamá-la de correspondência original.

Botis e o Luciferianismo

As fontes medievais, Weyer e a Ars Goetia não apresentam Botis como membro de uma religião denominada Luciferianismo no sentido contemporâneo.

Também não fornecem uma relação individual especial com Lúcifer comparável à encontrada em Paimon.

Por isso, não precisamos criar uma biografia inexistente segundo a qual Botis teria recebido de Lúcifer determinada missão.

O Templo pode incorporá-lo conscientemente dentro de sua própria filosofia.

Essa camada precisa ser identificada como contemporânea.

Conhecimento e reconciliação

É justamente aqui que Botis oferece uma das leituras mais coerentes de toda a série.

Gusion interpreta perguntas.

Amon trabalha passado e relações.

Eligos possui um perfil estratégico.

Botis reúne:

conhecimento da situação

e

possibilidade de reconciliação.

Seu território filosófico pode ser definido como a utilização do conhecimento para compreender e eventualmente resolver oposição.

Nem todo conflito deve ser reconciliado

Essa ressalva também é importante.

Algumas relações são abusivas.

Alguns limites precisam permanecer.

Algumas divergências não possuem solução comum.

“Reconciliação” não deve se transformar em obrigação espiritual de manter pessoas prejudiciais por perto.

Uma leitura contemporânea madura precisa preservar a possibilidade de:

distância;

encerramento;

e proteção de limites.

Resolver não significa voltar ao que era antes

Duas pessoas podem encerrar um conflito sem restaurar a relação original.

Uma amizade pode terminar com respeito.

Um ambiente profissional pode estabelecer um acordo sem intimidade.

Uma pessoa pode reconhecer responsabilidade sem exigir acesso novamente.

Isso também pode ser uma forma de resolução.

Botis não precisa simbolizar “todo mundo deve voltar a ser amigo”.

Pode simbolizar:

reduzir oposição através de compreensão suficiente para tomar uma decisão consciente.

Botis e a luz luciferiana

Dentro da filosofia contemporânea do Templo, a associação com Lúcifer pode ocorrer no plano interpretativo.

Se a luz luciferiana representa busca de conhecimento, Botis pode representar a luz aplicada ao conflito.

Ela revela:

o que realmente aconteceu;

o que cada lado acredita que aconteceu;

quais interesses permanecem escondidos;

quais responsabilidades existem;

e se ainda existe alguma base real para aproximação.

A luz não garante reconciliação.

Ela permite uma decisão menos baseada em ilusão.

Reconciliação sem verdade é apenas silêncio

Essa talvez seja a formulação mais forte para Botis.

Um conflito pode desaparecer da conversa sem desaparecer da relação.

As pessoas param de discutir.

Mas nada foi compreendido.

Nada foi reparado.

Nada foi decidido.

Silêncio não é necessariamente paz.

Dentro da interpretação do Templo:

reconciliação exige clareza suficiente para que o conflito deixe de governar silenciosamente a relação.

Verdade sem responsabilidade também não basta

Conhecer o erro do outro não transforma automaticamente nossa posição em justa.

Podemos utilizar verdade seletivamente.

Omitir aquilo que também nos responsabiliza.

Transformar fatos em armas.

Assim, Botis também pode representar a disciplina de utilizar conhecimento não apenas para vencer, mas para compreender.

O princípio central de Botis

Dentro da leitura contemporânea do Templo de Lúcifer, sua máxima pode ser formulada assim:

“Não tente reconciliar aquilo que ainda não compreendeu; e não utilize aquilo que compreendeu apenas para derrotar o outro.”

Essa formulação é contemporânea.

Mas nasce diretamente da combinação histórica mais característica de Botis:

conhecimento;

e reconciliação.

Botis segundo o Método das Seis Camadas

Na primeira camada, examinamos a Ars Goetia: Botis é nº 17, Grande Presidente e Conde, aparece como víbora e depois em forma humana com grandes dentes, dois chifres e espada brilhante, conhece passado e futuro, reconcilia amigos e inimigos, governa 60 legiões e possui selo próprio.

Na segunda camada, voltamos a Weyer e Scot: Botis/Otis é nº 9 e possui um campo de conhecimento mais amplo, incluindo presente, passado, futuro e oculto, além da reconciliação.

Na terceira camada, recuamos aos testemunhos anteriores. Otius, no Clm 849, possui três chifres e 36 legiões; Artis, no Livre des esperitz, aparece com duas coroas, espada, conhecimento oculto, favor social e também 36 legiões.

Na quarta camada, separamos as correspondências astrológicas, tarotísticas, planetárias e ritualísticas produzidas posteriormente.

Na quinta camada, acompanhamos a recepção através do Grand Grimoire e de Collin de Plancy, observando como a hierarquia e até a função reconciliadora são modificadas.

Na sexta camada, apresentamos a interpretação contemporânea do Templo: Botis como figura da Reconciliação Lúcida, em que conhecimento serve à compreensão do conflito sem eliminar autonomia ou limites.

O que sabemos com razoável segurança

Botis está documentado antes da Ars Goetia.

Weyer registra Botis/Otis como nº 9.

O Lemegeton reorganiza-o como nº 17.

Otius constitui um importante antecedente medieval e Artis representa outro testemunho relacionado.

A dupla dignidade de Presidente e Conde está documentada em Weyer e na Goetia.

A víbora, os grandes dentes, os chifres e a espada pertencem ao núcleo Weyer–Goetia, embora testemunhos anteriores apresentem diferenças.

O conhecimento temporal possui longa continuidade.

A função social evolui de favor para reconciliação.

O número de legiões passa de 36 em testemunhos anteriores para 60 em Weyer e na Goetia.

No Grand Grimoire, Botis aparece sob Agaliarept.

E Collin de Plancy modifica posteriormente a formulação das relações entre amigos e inimigos.

O que permanece incerto

Não conhecemos uma etimologia segura para Botis.

Não sabemos exatamente como Otius, Artis, Otis e Botis se relacionam em cada etapa da transmissão.

Não sabemos por que três chifres tornam-se dois.

Também não sabemos se a passagem de duas coroas em Artis para dois chifres na tradição posterior resulta de erro, variante ou transformação consciente.

Não existe base suficiente para identificar Botis como antiga divindade específica.

A entrada fundamental não fornece uma ordem angelical anterior nem relação individual especial com Lúcifer.

E as correspondências astrológicas, planetárias, tarotísticas e demonolátricas modernas precisam ser atribuídas aos sistemas que as desenvolveram.

Perguntas frequentes sobre Botis

Quem é Botis?

Botis é o décimo sétimo espírito da Ars Goetia, Grande Presidente e Conde associado a conhecimento de acontecimentos passados e futuros e à reconciliação entre amigos e inimigos.

Botis aparece antes da Ars Goetia?

Sim. Weyer registra Botis/Otis no século XVI e Otius aparece num manuscrito do século XV. Artis constitui outro testemunho relacionado.

Qual é a posição de Botis em Weyer?

Nº 9.

Qual é sua posição na Ars Goetia?

Nº 17.

Botis e Otis são a mesma figura?

Weyer utiliza explicitamente a formulação “Botis, também chamado Otis”.

Quem é Otius?

Otius é uma figura do Clm 849 relacionada textualmente ao posterior Botis/Otis. Possui várias funções semelhantes, mas existem diferenças de aparência e quantidade de legiões.

Quem é Artis?

Artis aparece no Livre des esperitz como Grande Duque com duas coroas e uma espada, associado a respostas, coisas escondidas, favor social e 36 legiões. Peterson o coloca em correspondência com a tradição de Botis.

Botis aparece como serpente?

Sim. Weyer e a Ars Goetia apresentam sua primeira manifestação como uma víbora.

Quantos chifres Botis possui?

Em Weyer e na Ars Goetia, dois. Otius possui três no testemunho medieval.

Botis possui duas coroas?

Artis, figura relacionada no Livre des esperitz, é descrito dessa maneira na transcrição de Boudet. A tradição posterior de Botis utiliza chifres em vez de coroas.

Botis possui espada?

Sim. A espada é um dos elementos mais estáveis nos testemunhos relacionados.

Botis conhece o passado?

Sim.

Botis conhece o futuro?

Sim.

Botis conhece o presente?

Weyer afirma explicitamente que sim. A pequena entrada da Ars Goetia menciona apenas passado e futuro.

Botis conhece assuntos ocultos?

Weyer e testemunhos anteriores incluem essa função. A descrição goética posterior não a menciona expressamente.

Botis reconcilia amigos e inimigos?

Sim. Essa é uma função explícita em Weyer e na Ars Goetia.

Quantas legiões Botis governa?

Na Ars Goetia e em Weyer, 60. Testemunhos anteriores relacionados registram 36.

Botis está sob Agaliarept?

No sistema específico do Grand Grimoire, sim. Essa não é a hierarquia apresentada pela Ars Goetia.

Botis aparece na Bíblia?

Não como a entidade demonológica dos grimórios.

Botis era um deus antigo?

Não existe documentação suficiente para identificá-lo com segurança como uma divindade antiga específica.

Qual é a origem do nome Botis?

Permanece incerta.

Qual é o planeta de Botis?

As fontes fundamentais não fornecem uma correspondência planetária única. Tabelas posteriores divergem.

Urano é o planeta original de Botis?

Não. Qualquer associação com Urano é necessariamente posterior à descoberta moderna do planeta.

Qual é a carta do Tarô de Botis?

Weyer e a entrada básica da Goetia não fornecem uma carta de Tarô.

Botis é originalmente luciferiano?

Não no sentido religioso contemporâneo. Sua interpretação dentro do Templo de Lúcifer pertence à recepção moderna da figura.

Conclusão

Botis demonstra de maneira exemplar por que os 72 espíritos não devem ser estudados apenas através de fichas contemporâneas.

Na Ars Goetia, ele é o nº 17.

Grande Presidente e Conde.

Víbora.

Forma humana com grandes dentes e dois chifres.

Espada afiada e brilhante.

Passado.

Futuro.

Reconciliação.

Sessenta legiões.

Em Weyer, porém, ele é nº 9.

A espada ainda não recebe o adjetivo “brilhante”.

Seu conhecimento é mais amplo, abrangendo presente, passado, futuro e oculto.

As sessenta legiões e a reconciliação já estão presentes.

Antes disso, Otius possui três chifres e apenas 36 legiões.

Artis apresenta duas coroas e uma espada, responde a perguntas, conhece coisas escondidas, concede favor social e igualmente possui 36 legiões.

Mais tarde, o Grand Grimoire reorganiza Botis sob Agaliarept.

Collin de Plancy preserva sua aparência, mas modifica justamente um de seus atributos mais característicos: em vez de reconciliar amigos e inimigos, afirma que Otis possui tantos amigos quanto inimigos.

Cada século adiciona, elimina ou transforma alguma coisa.

Essa é a história real da tradição.

Dentro da interpretação contemporânea do Templo de Lúcifer, Botis pode ocupar um espaço bastante preciso: a relação entre conhecimento e resolução do conflito.

Não basta querer paz.

É preciso compreender o problema.

Não basta descobrir a verdade.

É preciso decidir o que fazer com ela.

E nem toda resolução exige que uma relação volte a ser aquilo que era.

Às vezes compreender permite reconstruir.

Às vezes permite estabelecer limites.

Às vezes permite encerrar.

A lucidez não garante reconciliação, mas impede que a reconciliação dependa inteiramente de negação.

Por isso, Botis não precisa ser reduzido a “um demônio que prevê o futuro” nem romantizado como simples pacificador.

Sua tradição oferece uma questão mais exigente:

o que fazemos com a verdade depois que ela revela aquilo que estava sustentando o conflito?

Dentro de uma filosofia luciferiana centrada em consciência, essa pergunta é mais importante que qualquer tabela de planeta, metal ou carta.

Conhecimento é poder.

Mas, em Botis, talvez exista uma segunda parte igualmente importante:

o valor do conhecimento também depende daquilo que escolhemos fazer com ele.

Leituras relacionadas

Para compreender a sequência completa, consulte Os 72 Daemons da Ars Goetia: lista completa, história, hierarquia e guia.

Leia também Zepar: história, origem e tradição do 16º espírito da Ars Goetia, imediatamente anterior.

O próximo estudo será Bathin: história, origem e tradição do 18º espírito da Ars Goetia, cuja revisão exigirá separar a documentação histórica de Bathin das associações modernas com a deusa egípcia Nephthys.

Também vale comparar Botis com Gusion, Amon e Eligos, porque todos trabalham, em diferentes níveis, com conhecimento, relações, passado, futuro ou conflito.

Referências para aprofundamento

KIECKHEFER, Richard. Forbidden Rites: A Necromancer’s Manual of the Fifteenth Century. Pennsylvania State University Press, 1998. Obra fundamental para o Clm 849 e para Otius, antecedente medieval relacionado a Botis.

BOUDET, Jean-Patrice. “Les who’s who démonologiques de la Renaissance et leurs ancêtres médiévaux”. Médiévales, nº 44, 2003. Fundamental para o Livre des esperitz e para Artis, descrito como Grande Duque com duas coroas, espada, conhecimento oculto, favor e 36 legiões.

WEYER, Johann. Pseudomonarchia Daemonum. Botis/Otis aparece como nº 9, Grande Presidente e Conde, relacionado a presente, passado, futuro, assuntos ocultos, reconciliação e 60 legiões.

SCOT, Reginald. The Discoverie of Witchcraft. 1584. Sua tradução inglesa de Weyer constitui uma etapa decisiva da transmissão que posteriormente contribuiu para a formação da Ars Goetia.

PETERSON, Joseph H. (ed.). Lemegeton Clavicula Salomonis — Ars Goetia. Botis aparece como nº 17, Grande Presidente e Conde, relacionado a passado, futuro, reconciliação e sessenta legiões.

LE GRAND GRIMOIRE. Organiza Botis sob Agaliarept juntamente com Buer e Gusoyn, dentro de uma hierarquia distinta daquela da Ars Goetia.

COLLIN DE PLANCY, Jacques. Dictionnaire Infernal. 6ª ed., 1863. Registra Otis/Botis com víbora, dentes, dois chifres, espada e 60 legiões, mas modifica a antiga função reconciliadora.

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72 DaemonsBotisLuciferLuciferianismo
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Emrys

Emrys é autor, editor e pesquisador responsável pelo Templo de Lúcifer. Seu trabalho concentra-se em Luciferianismo, história das religiões, demonologia, simbolismo, ocultismo e esoterismo, com ênfase na análise e contextualização de fontes. Conheça o autor e a metodologia editorial →

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