Os 72 Daemons da Ars Goetia: Lista completa, História, Hierarquia e Guia
Bael, Paimon, Astaroth, Asmodeus, Stolas, Orobas, Belial e Dantalion estão entre os nomes mais conhecidos da demonologia ocidental contemporânea. Hoje aparecem em livros, filmes, jogos, músicas, redes sociais, comunidades ocultistas e diferentes vertentes do Caminho da Mão Esquerda.
Entretanto, os chamados 72 espíritos da Ars Goetia não constituem uma lista atemporal preservada sem alterações desde a Antiguidade.
A lista pertence a uma história textual muito mais complexa.
Ela envolve catálogos medievais e renascentistas de espíritos, literatura salomônica, Johann Weyer, Reginald Scot, manuscritos do Lemegeton, erros de tradução, reorganizações editoriais, selos acrescentados durante a transmissão e inúmeras interpretações produzidas nos séculos seguintes.
Por isso, uma página séria sobre os 72 não deveria funcionar apenas como catálogo de “demônios e seus poderes”.
Antes de perguntar o que determinada entidade supostamente pode fazer, precisamos perguntar:
em qual fonte ela aparece?
Qual é a forma mais antiga que conseguimos documentar?
A descrição mudou?
O selo pertence à mesma camada histórica que o nome?
Uma correspondência astrológica está no grimório ou foi acrescentada séculos depois?
Estamos falando de documentação, crença ou interpretação contemporânea?
Este guia foi desenvolvido para responder essas questões e servir como página central da biblioteca de Demonologia do Templo de Lúcifer.
Resposta rápida: o que são os 72 espíritos da Ars Goetia?
A Ars Goetia é a primeira parte da compilação conhecida como Lemegeton Clavicula Salomonis, frequentemente chamada em inglês de The Lesser Key of Solomon — A Chave Menor de Salomão.
Essa primeira parte apresenta um catálogo de 72 espíritos, cada um identificado por características como nome, título hierárquico, aparência, ofícios ou capacidades atribuídas, número de legiões subordinadas e, na tradição manuscrita do Lemegeton, um selo ou caráter.
Os títulos utilizados incluem:
Rei;
Duque;
Príncipe;
Marquês;
Presidente;
Conde ou Earl;
e, no caso singular de Furcas, Cavaleiro.
Alguns espíritos acumulam mais de um título.
Isso já mostra que a hierarquia não deve ser tratada como uma planilha moderna perfeitamente exclusiva.
Ela é uma estrutura textual desenvolvida e transmitida através de manuscritos.
O que é a Ars Goetia?
Ars Goetia pode ser traduzida aproximadamente como Arte Goética.
Ela constitui a primeira seção do Lemegeton e contém o famoso catálogo dos 72 espíritos juntamente com materiais ritualísticos relacionados à tradição de conjuração e constrangimento de espíritos.
O texto pertence ao universo da magia cerimonial salomônica.
Isso significa que sua cosmologia não corresponde automaticamente à Demonolatria ou ao Luciferianismo contemporâneos.
Os espíritos aparecem numa estrutura em que o operador procura exercer autoridade sobre eles através de nomes divinos, símbolos, círculos, selos, fórmulas e uma autoridade atribuída tradicionalmente ao rei Salomão.
Portanto, quando lemos a Goetia historicamente, encontramos um texto produzido dentro de uma cultura religiosa e mágica fortemente influenciada pelo Cristianismo e por tradições salomônicas.
Uma corrente contemporânea pode reinterpretar esses espíritos de maneira diferente.
Mas essa releitura precisa ser identificada como posterior.
O que é o Lemegeton?
O Lemegeton é uma compilação de magia ritual conhecida em sua forma atual principalmente através de manuscritos do século XVII.
Joseph H. Peterson, responsável por uma das edições críticas e transcrições modernas mais utilizadas, observa que a compilação incorpora materiais muito anteriores, alguns ligados a tradições medievais, mas que a forma conhecida do conjunto é posterior.
Isso significa que não estamos diante de um livro escrito de uma única vez por um único autor.
O Lemegeton é melhor compreendido como uma compilação.
Textos anteriores foram incorporados.
Materiais foram reorganizados.
Fontes diferentes foram combinadas.
Algumas partes possuem genealogias textuais distintas.
Essa característica é essencial para compreendermos a própria Ars Goetia.
Salomão escreveu a Ars Goetia?
Não há evidência histórica suficiente para atribuir o manuscrito conhecido da Ars Goetia ao rei Salomão da tradição bíblica.
A literatura mágica europeia frequentemente utilizou grandes autoridades religiosas como autores atribuídos.
Salomão tornou-se particularmente importante porque tradições judaicas, cristãs e mágicas desenvolveram durante séculos narrativas sobre sua sabedoria e sua autoridade sobre espíritos.
Essa atribuição funciona como pseudepigrafia.
Um texto recebe o nome ou a autoridade de uma figura prestigiosa mesmo sendo produzido muito posteriormente.
Isso não torna o texto historicamente irrelevante.
Apenas muda a maneira como devemos descrevê-lo.
A formulação correta é:
a tradição atribui o conhecimento a Salomão.
Não:
Salomão historicamente escreveu a Ars Goetia.
A lenda de Salomão e os espíritos
A associação entre Salomão e espíritos possui raízes muito anteriores ao Lemegeton.
Narrativas medievais já descreviam Salomão aprisionando ou exercendo autoridade sobre demônios.
Peterson observa, por exemplo, uma versão da Vida de Santa Margarida do século XIII na qual Salomão teria encerrado uma multidão de demônios num recipiente.
Durante a transmissão posterior, essa narrativa acumulou novos detalhes.
A famosa imagem do vaso de bronze e da libertação dos espíritos pelos babilônios faz parte dessa tradição narrativa em desenvolvimento.
Isso é importante porque demonstra que o Lemegeton não criou do nada o motivo de Salomão comandando espíritos.
Ele herdou e reorganizou tradições muito anteriores.
Quantas partes possui o Lemegeton?
É comum encontrar a afirmação simples de que o Lemegeton possui cinco livros:
Ars Goetia, dedicada aos 72 espíritos;
Theurgia-Goetia, relacionada a espíritos aéreos;
Ars Paulina, ligada a espíritos das horas e divisões zodiacais;
Ars Almadel, relacionada a espíritos associados às chamadas altitudes;
e Ars Notoria, composta por orações e materiais voltados tradicionalmente à aquisição de conhecimento.
Mas existe uma nuance histórica importante.
Nem todos os manuscritos do Lemegeton possuem a quinta parte.
Há testemunhos que apresentam apenas quatro livros.
Nos manuscritos que contêm a Ars Notoria, o texto dessa seção também possui uma relação problemática com a tradução publicada por Robert Turner em 1657.
Portanto, em vez de dizer que existiu uma versão única e perfeitamente estável contendo obrigatoriamente cinco livros, é melhor reconhecer a variação manuscrita.
Essa é uma característica normal da literatura mágica transmitida por cópia.
A Ars Goetia é medieval?
Sua história possui raízes medievais, mas a forma conhecida da Ars Goetia não deve ser simplesmente chamada de manuscrito medieval.
O Lemegeton em sua configuração conhecida pertence principalmente ao século XVII.
Entretanto, várias tradições incorporadas nele são anteriores.
Esse é um padrão frequente na história dos grimórios:
o manuscrito pode ser moderno enquanto determinados materiais incorporados nele são muito mais antigos.
Precisamos evitar os dois extremos.
Não devemos apresentá-lo como livro preservado intacto desde a Antiguidade.
Também não devemos imaginar que todo seu conteúdo tenha sido inventado no século XVII.
Johann Weyer e a Pseudomonarchia Daemonum
A fonte imediatamente anterior mais importante para compreender o catálogo da Goetia é a Pseudomonarchia Daemonum, associada ao médico Johann Weyer.
Weyer publicou seu De praestigiis daemonum inicialmente em 1563.
O catálogo conhecido como Pseudomonarchia Daemonum aparece posteriormente, na edição de 1577.
Essa diferença cronológica é importante porque muitos sites repetem simplesmente:
“Pseudomonarchia Daemonum, 1563.”
A data de 1563 corresponde à primeira edição da obra principal.
O catálogo demonológico, na forma relevante para nossa comparação, está documentado posteriormente.
Weyer criou os espíritos?
Não.
Também seria incorreto imaginar que Johann Weyer inventou sozinho todos os nomes de sua lista.
Peterson e outros pesquisadores relacionam o catálogo de Weyer a uma tradição anterior conhecida como Offices of Spirits, ou “Ofícios dos Espíritos”.
Existem ainda relações com catálogos anteriores estudados por pesquisadores como Jean-Patrice Boudet.
Portanto, Weyer é uma testemunha fundamental da tradição.
Não necessariamente sua origem absoluta.
Esse princípio será importante quando estudarmos os 72 individualmente.
Alguns nomes podem possuir antecedentes identificáveis.
Outros permanecem obscuros.
E alguns possuem histórias religiosas muito anteriores à Goetia, como Astaroth e Belial.
Weyer possuía 72 espíritos?
Não na lista preservada.
A Pseudomonarchia Daemonum apresenta 69 entradas, apesar de o próprio texto mencionar 72 em determinado ponto.
Essa discrepância é importante.
Além disso, a lista não coincide perfeitamente com a posterior Ars Goetia.
Pruflas ou Bufas aparece em Weyer, mas não integra a lista canônica dos 72 da Goetia.
Por outro lado, Vassago, Seere, Dantalion e Andromalius não aparecem em Weyer da mesma maneira e passam a integrar a lista goética posterior.
A matemática ajuda a visualizar a transformação:
69 espíritos em Weyer;
um deles, Pruflas, não é mantido;
quatro são acrescentados;
resultado:
Isso demonstra que os “72 da Goétia” representam uma etapa específica de desenvolvimento textual.
Reginald Scot: a ligação decisiva
Outra figura central é Reginald Scot.
Em The Discoverie of Witchcraft, publicado em 1584, apareceu uma tradução inglesa do material demonológico de Weyer.
Peterson demonstra que essa tradução é particularmente importante para a formação da Goetia porque erros e grafias específicos introduzidos nessa versão aparecem posteriormente no texto do Lemegeton.
Isso funciona quase como impressão digital textual.
Quando dois documentos compartilham erros incomuns, existe uma forte indicação de relação de transmissão.
Consequentemente, não devemos explicar a genealogia simplesmente assim:
Weyer → Goetia.
Uma formulação melhor é:
tradições anteriores → Weyer → tradução inglesa em Scot → compilação e reorganização no Lemegeton.
Mesmo esse esquema é simplificado, mas está muito mais próximo da complexidade real.
A tradução de Scot também produziu erros
Esse aspecto é fascinante.
A tradução inglesa utilizada por Scot contém erros.
Em alguns casos, o tradutor interpretou incorretamente o latim de Weyer.
Esses erros passaram para versões posteriores.
Isso significa que determinadas características da demonologia moderna podem resultar não de uma doutrina esotérica profunda, mas simplesmente de:
cópia;
grafia;
leitura difícil;
tradução;
ou erro.
O caso de Focalor oferece um exemplo excelente.
Weyer lhe atribui trinta legiões, utilizando o latim triginta.
Uma tradução inglesa transformou o número em três.
Séculos de reprodução posterior podem preservar um erro desse tipo.
Por isso, comparar fontes não é preciosismo acadêmico.
É parte essencial da demonologia histórica.
Por que a Goetia possui exatamente 72?
Não existe uma declaração autoral definitiva dizendo:
“Escolhi 72 exclusivamente por esta razão.”
Portanto, precisamos falar com cautela.
Peterson considera provável que a expansão para 72 esteja relacionada à importância numerológica desse número e observa sua aproximação com a tradição dos 72 nomes ou anjos relacionados ao Shem HaMephorash.
Essa relação tornou-se extremamente influente no ocultismo posterior.
Mas duas afirmações precisam ser separadas.
Uma é:
o número 72 provavelmente possui importância simbólica na formação da lista.
Outra seria:
cada Daemon originalmente foi criado como contraparte exata de um anjo específico do Shem HaMephorash.
A segunda conclusão não está automaticamente demonstrada pela primeira.
Sistemas posteriores desenvolveram correspondências muito mais elaboradas.
Precisamos datá-las em vez de projetá-las sobre toda a tradição.
O que é o Shem HaMephorash?
O tema merece artigo próprio, mas resumidamente o nome é utilizado em tradições judaicas e esotéricas relacionadas ao Nome Divino e, posteriormente, a construções envolvendo 72 nomes ou potências angélicas.
Ocultistas modernos desenvolveram sistemas que colocam 72 anjos em relação com os 72 espíritos da Goetia.
Esses modelos podem ser extremamente importantes dentro das escolas que os adotam.
Mas não devemos afirmar automaticamente que constituem a estrutura original do catálogo de Weyer.
A cronologia precisa vir antes da correspondência.
A Ars Goetia possui 72 “demônios”?
Historicamente, a própria tradição utiliza linguagem como espíritos, demônios, diabos e equivalentes dentro de uma cosmologia cristã e salomônica.
Neste site utilizamos frequentemente Daemon.
Essa é uma escolha editorial e religiosa contemporânea.
A palavra permite marcar uma diferença entre nossa maneira de estudar essas figuras e a imagem popular simplificada do “demônio” como representação absoluta de maldade.
Entretanto, não afirmamos que Daemon seja a única tradução historicamente correta da Ars Goetia.
Quando descrevemos a fonte, preservamos sua linguagem e contexto.
Quando apresentamos nossa perspectiva contemporânea, podemos utilizar nossa própria terminologia.
Daemon não significa simplesmente “espírito grego originalmente neutro”
Também precisamos evitar outra simplificação.
A palavra grega daimōn possui uma história muito anterior à demonologia cristã.
Mas isso não demonstra que cada entidade da Goetia seja simplesmente um antigo daimōn grego que posteriormente foi demonizado.
Cada personagem possui sua própria genealogia.
Alguns nomes podem estar relacionados a tradições anteriores.
Outros surgem documentalmente em catálogos europeus relativamente tardios.
Portanto, a história geral do termo daemon não substitui a história individual de Bael, Paimon, Focalor ou Amdusias.
Os 72 são necessariamente malignos?
A resposta depende da perspectiva religiosa utilizada.
No ambiente textual da Ars Goetia, eles pertencem a uma estrutura demonológica e são submetidos à autoridade ritual através de nomes divinos e procedimentos de constrangimento.
Uma corrente de Demonolatria contemporânea pode interpretar esses espíritos de maneira diferente.
Um luciferiano pode desenvolver outra teologia.
Um historiador pode simplesmente estudar os documentos sem afirmar crença em sua existência metafísica.
As três abordagens não são a mesma coisa.
Por isso, este site evita duas simplificações opostas:
“os 72 são objetivamente seres absolutamente malignos porque o grimório os chama de demônios”
e
“o grimório original secretamente os tratava como deuses benevolentes que apenas foram mal interpretados.”
A primeira transforma uma cosmologia religiosa em fato demonstrado.
A segunda reescreve a fonte para adequá-la a uma teologia moderna.
O caminho mais responsável é reconhecer o texto e depois explicar conscientemente nossa interpretação.
A Ars Goetia é luciferiana?
Não originalmente no sentido contemporâneo.
A Ars Goetia pertence ao universo da magia salomônica e cerimonial.
O Luciferianismo moderno possui outra genealogia histórica.
Hoje, correntes luciferianas podem estudar, venerar, trabalhar simbolicamente ou desenvolver práticas religiosas envolvendo espíritos goéticos.
Isso é um desenvolvimento contemporâneo.
Não transforma retroativamente o compilador do Lemegeton em luciferiano.
Esse princípio será mantido em todos os artigos individuais do projeto.
E Lúcifer aparece na Goetia?
Sim, existem referências a Lúcifer em determinadas entradas e na cosmologia mais ampla da tradição. Paimon, por exemplo, é descrito numa das versões como muito obediente a Lúcifer.
Mas isso não significa que todos os 72 sejam descritos individualmente como manifestações luciferianas.
Uma referência desse tipo precisa ser analisada dentro da entrada específica e da versão manuscrita utilizada.
Não devemos transformar uma relação localizada em uma teoria universal para todo o catálogo.
O que significa a hierarquia da Goetia?
Os 72 recebem títulos derivados de estruturas políticas e nobiliárquicas:
Reis;
Duques;
Príncipes;
Marqueses;
Presidentes;
Condes;
e um Cavaleiro.
Isso produz a imagem de uma corte ou administração espiritual.
Esses títulos precisam ser compreendidos historicamente.
Escritores europeus frequentemente imaginaram hierarquias sobrenaturais utilizando instituições humanas familiares.
O mesmo ocorreu com hierarquias angelicais e demonológicas em diferentes textos.
Portanto, quando dizemos que Paimon é Rei ou Focalor é Duque, estamos informando o título que a tradição lhes atribui.
Não afirmando ter demonstrado a existência objetiva de um Estado infernal estruturado exatamente como uma monarquia europeia.
Rei
O título de Rei aparece entre algumas das posições mais elevadas do catálogo.
Bael, Paimon, Beleth, Purson, Asmoday, Balam e Belial são exemplos importantes.
Alguns espíritos combinam o título de Rei com outro cargo.
Vine aparece como Rei e Conde.
Zagan aparece como Rei e Presidente.
Isso demonstra por que as categorias não devem ser contadas como grupos mutuamente exclusivos.
Duque
Duques constituem uma das categorias mais numerosas.
Entre eles encontramos Agares, Valefor, Barbatos, Gusion, Eligos, Zepar, Bathin, Sallos, Aim, Bune, Berith, Astaroth, Focalor, Vepar, Vual, Crocell, Alloces, Gremory, Vapula, Haures, Amdusias e Dantalion.
Murmur combina o título de Duque e Conde.
Cada entrada precisa ser lida individualmente porque o título não determina por si só todos os ofícios atribuídos ao espírito.
Príncipe
Entre os espíritos denominados Príncipes aparecem Vassago, Sitri, Stolas, Orobas e Seere.
Ipos combina Conde e Príncipe.
Gaap aparece como Presidente e Príncipe.
Novamente, a sobreposição é parte do próprio sistema textual.
Marquês
A categoria inclui nomes como Gamigin, Amon, Leraje, Naberius, Forneus, Marchosias, Phenex, Sabnock, Shax, Orias, Andras, Andrealphus, Cimejes e Decarabia.
As grafias variam entre testemunhos.
Por exemplo, Samigina e Gamigin são formas encontradas para o quarto espírito.
Isso será explicado nos artigos individuais.
Presidente
Marbas, Buer, Foras, Malphas, Haagenti, Caim, Ose, Amy e Valac estão entre os Presidentes.
Alguns acumulam cargos:
Botis é Presidente e Conde;
Marax, Conde e Presidente;
Glasya-Labolas, Presidente e Conde;
Gaap, Presidente e Príncipe;
Zagan, Rei e Presidente.
Isso reforça a necessidade de não tratar a hierarquia como uma taxonomia moderna rígida.
Conde ou Earl
Entre os espíritos que recebem o título de Conde encontramos Furfur, Halphas, Raum, Bifrons e Andromalius, além daqueles que combinam o título com outras posições.
A palavra inglesa Earl corresponde aproximadamente ao título que em português normalmente traduzimos como Conde.
Cavaleiro
Furcas ocupa uma posição singular.
É tradicionalmente identificado como Cavaleiro.
Isso faz dele uma exceção dentro da distribuição de títulos e um caso particularmente interessante para o estudo individual.
Título significa poder absoluto?
Não.
Ser Rei não significa necessariamente ser “mais poderoso em tudo” que um Duque.
O texto não fornece uma escala matemática universal capaz de converter título, número de legiões e atribuições numa pontuação de poder.
Esse tipo de ranking aparece frequentemente em comunidades modernas.
Não pertence automaticamente ao manuscrito.
Uma hierarquia pode estabelecer posição sem produzir uma classificação absoluta de capacidade.
O que são as legiões?
As entradas frequentemente informam que determinado espírito governa certo número de legiões de espíritos.
Isso reforça a linguagem militar e administrativa do catálogo.
Entretanto, não possuímos no próprio texto uma definição confiável dizendo que uma “legião goética” corresponde exatamente a determinado número fixo de entidades.
Portanto, quando uma página moderna multiplica:
“36 legiões × 6.666 espíritos”
e produz um total exato, está acrescentando uma premissa que precisa ser demonstrada.
A informação textual segura é muito mais simples:
o grimório atribui determinado número de legiões ao espírito.
Mais legiões significa mais poder?
Também não podemos concluir isso automaticamente.
Alguns espíritos possuem títulos altos com determinado número de legiões.
Outros possuem números maiores ou menores.
Não existe uma fórmula explícita estabelecendo:
número de legiões = nível absoluto de poder.
O número ajuda a caracterizar séquito e autoridade dentro da narrativa hierárquica.
Não é uma unidade científica de potência espiritual.
O que são os selos da Ars Goetia?
Um dos elementos visualmente mais reconhecidos da tradição são os selos ou caracteres associados aos espíritos.
Hoje eles aparecem em joias, tatuagens, livros, altares, roupas, arte digital e inúmeras outras formas.
A história desses símbolos, porém, também exige nuance.
Peterson observa que os selos encontrados no Lemegeton não aparecem nos manuscritos anteriores dos Offices of Spirits que ele conhece.
Isso significa que o nome e a descrição de um espírito podem possuir uma história textual anterior ao selo atualmente ligado a ele.
Esse ponto muda significativamente a maneira como devemos falar de “sigilo original”.
O selo de um espírito não é necessariamente antigo quanto o nome
Focalor é um bom exemplo.
O personagem está claramente documentado em Weyer.
O selo atualmente conhecido pertence à tradição posterior da Goetia.
Não devemos dizer automaticamente que o símbolo gráfico existia desde a primeira aparição textual do nome.
Amdusias oferece a mesma situação.
Essa distinção será examinada em cada artigo individual.
Um selo é uma assinatura objetiva da entidade?
O método histórico não consegue estabelecer isso.
Pode demonstrar que determinado manuscrito associa certo caráter a um espírito.
Uma tradição religiosa pode interpretar o selo como representação espiritual real.
São categorias diferentes.
Portanto, quando escrevemos:
“este é o selo de Amdusias”,
a formulação completa seria:
“este é o selo associado a Amdusias na tradição goética.”
A segunda versão é historicamente mais precisa.
Podemos explicar cada linha de um selo?
Na maioria dos casos, não com segurança.
Existem muitas interpretações modernas para os traços dos sigilos.
Curvas são relacionadas a planetas.
Linhas a elementos.
Círculos a esferas.
Cruzamentos a portais.
Algumas dessas leituras pertencem a sistemas específicos.
Mas sem uma fonte histórica que explique intencionalmente cada traço, não devemos apresentar essas interpretações como decodificação comprovada do desenho original.
Às vezes simplesmente não sabemos por que o caráter foi desenhado daquela maneira.
As aparências são descrições históricas, não fotografias
Bael pode aparecer sob formas humanas e animais.
Agares aparece associado a um velho montado num crocodilo.
Amon combina características animalescas.
Paimon aparece coroado e montado num dromedário.
Amdusias surge como unicórnio.
Essas descrições pertencem à linguagem visual da tradição.
Podem ser interpretadas simbolicamente.
Podem gerar iconografia.
Uma pessoa religiosa pode acreditar que representem manifestações espirituais reais.
Mas o método histórico só consegue afirmar:
o texto descreve a figura dessa maneira.
Isso será um princípio permanente da nossa biblioteca.
Nem toda aparência moderna está no grimório
A arte contemporânea frequentemente produz imagens extremamente detalhadas dos 72.
Cores específicas.
Tipos de chifres.
Roupas.
Asas.
Armaduras.
Olhos.
Paisagens.
Isso não significa que todos esses detalhes estejam documentados nas fontes.
Ao utilizar uma ilustração moderna, é importante tratá-la como interpretação artística, não como reprodução arqueológica da entidade.
Correspondências planetárias são todas antigas?
Não.
Essa é uma das principais fontes de confusão no ocultismo online.
Atualmente encontramos para cada espírito tabelas contendo:
planeta;
signo;
grau zodiacal;
metal;
cor;
incenso;
planta;
pedra;
carta do Tarô;
anjo correspondente;
dia;
hora;
elemento.
Algumas correspondências possuem raízes em sistemas históricos.
Outras foram construídas muito depois.
Algumas listas misturam vários autores sem informar sua origem.
Colocadas numa única tabela, todas parecem igualmente antigas.
Não são.
A regra do Templo para correspondências
Daqui em diante, não apresentaremos uma correspondência apenas porque ela é repetida em muitos sites.
Perguntaremos:
quem atribuiu essa correspondência?
Em qual obra?
Em qual século?
Ela pertence ao grimório ou a um sistema posterior?
Se não conseguirmos responder, a associação será apresentada como incerta ou omitida.
Isso é particularmente importante para astrologia, Tarô e Cabala.
Netuno, Urano e Plutão revelam anacronismos facilmente
Há um método simples para identificar determinadas correspondências modernas.
Urano foi descoberto em 1781.
Netuno, em 1846.
Plutão, em 1930.
Portanto, qualquer tabela que atribua diretamente um espírito de Weyer do século XVI a Netuno ou Plutão está necessariamente utilizando uma correspondência posterior.
Isso não torna o sistema inválido para seus praticantes.
Apenas define sua cronologia.
Uma associação moderna deve ser chamada de moderna.
E as correspondências com o Tarô?
Situação semelhante.
Sistemas ocultistas modernos, especialmente a partir do século XIX, desenvolveram complexas relações entre astrologia, Cabala, Tarô e hierarquias espirituais.
Esses sistemas tiveram grande influência.
Mas não devemos retroprojetá-los integralmente sobre Weyer ou sobre todos os manuscritos do Lemegeton.
Quando um artigo disser que determinado Daemon corresponde ao “7 de Espadas”, por exemplo, precisamos identificar de qual sistema essa associação veio.
Psicologia também é interpretação posterior
Outro problema frequente é apresentar cada espírito como se Carl Gustav Jung tivesse escrito sobre ele.
Jung não produziu um manual psicológico dos 72 espíritos da Goetia.
Podemos fazer uma interpretação inspirada na psicologia analítica.
Mas precisamos escrever exatamente isso.
Por exemplo:
“Em uma leitura contemporânea inspirada no conceito de sombra, poderíamos interpretar…”
Não:
“Jung ensina que este Daemon representa…”
A autoria intelectual precisa permanecer clara.
Deuses antigos e Daemons goéticos
Alguns nomes possuem relações históricas reais com tradições religiosas anteriores.
Astaroth é um caso importante porque seu nome e sua história precisam ser estudados em relação a desenvolvimentos anteriores associados a Astarte e outras tradições.
Belial possui uma história textual anterior aos grimórios.
Outros casos são muito menos claros.
Portanto, não utilizaremos a regra:
“todo Daemon da Goetia era originalmente um deus pagão.”
Essa generalização não possui base suficiente.
Cada nome precisa ser investigado separadamente.
Etimologias precisam de evidência
Encontrar uma palavra semelhante em hebraico, latim, grego ou árabe não basta.
Nomes sofrem transformações durante transmissão manuscrita.
Copistas erram.
Tradutores adaptam.
Impressões alteram grafia.
Alguns nomes podem estar tão deformados que uma etimologia segura não seja mais possível.
Quando não soubermos, escreveremos:
“a origem do nome permanece incerta.”
Isso é mais profissional que inventar uma tradução convincente.
Cultura popular também faz parte da história — mas de outra camada
Paimon hoje possui uma vida cultural que ultrapassa em muito os grimórios.
Stolas aparece em produções de entretenimento.
Asmodeus possui inúmeras releituras.
Belial surge em jogos, literatura, cinema e música.
Essas representações fazem parte da recepção moderna.
Elas podem ser estudadas.
Mas não devem ser utilizadas como fonte para reconstruir aquilo que Weyer ou o Lemegeton originalmente dizem.
Nossa biblioteca separará essas camadas.
Os 72 Daemons: lista completa
A seguir está a sequência tradicional da Ars Goetia, com títulos e ofícios resumidos. Trata-se de um índice de estudo, não de 72 artigos condensados. Cada espírito receberá uma página própria com fontes, variantes, contexto histórico e interpretação contemporânea.
- Bael — Rei. Primeiro espírito da sequência. A principal atribuição textual é tornar pessoas invisíveis; sua aparência combina diferentes formas humanas e animais.
- Agares — Duque. Associado a línguas, fugitivos, movimento, destruição de dignidades e terremotos. A tradição também lhe atribui uma condição anterior ligada à ordem das Virtudes.
- Vassago — Príncipe. Relacionado à revelação de coisas passadas e futuras e à descoberta do que está escondido ou perdido. Não aparece no catálogo de Weyer como os demais espíritos herdados diretamente daquela lista.
- Gamigin ou Samigina — Marquês. Ensina ciências liberais e possui atribuições relacionadas às almas dos mortos.
- Marbas — Presidente. Responde sobre coisas secretas, associa-se a doença e cura, conhecimento de artes mecânicas e transformação.
- Valefor — Duque. Aparece como familiar, mas a própria tradição contém uma advertência sobre sua associação com o roubo.
- Amon ou Aamon — Marquês. Relacionado ao conhecimento de passado e futuro e à reconciliação de conflitos.
- Barbatos — Duque. Ligado à compreensão de sons de animais, descoberta de tesouros, conhecimento do passado e futuro e reconciliação.
- Paimon — Rei. Um dos espíritos mais conhecidos da lista. Ensina artes, ciências e conhecimentos secretos, concede dignidades e familiares e possui uma descrição ritual particularmente elaborada.
- Buer — Presidente. Associado a filosofia moral e natural, lógica, propriedades de plantas e cura.
- Gusion — Duque. Responde sobre passado, presente e futuro, reconcilia relações e concede honra ou dignidade.
- Sitri — Príncipe. Relacionado a desejo, atração e relações amorosas.
- Beleth — Rei. Sua atribuição principal está ligada ao amor e à atração.
- Leraje — Marquês. Associado a batalhas, conflitos e ferimentos ligados simbolicamente a flechas.
- Eligos — Duque. Relacionado ao conhecimento de assuntos ocultos, guerras, acontecimentos futuros e favor de pessoas influentes.
- Zepar — Duque. Ligado a relações amorosas e, no texto tradicional, também à esterilidade.
- Botis — Presidente e Conde. Revela passado e futuro e é associado à reconciliação entre amigos e inimigos.
- Bathin — Duque. Conhece propriedades de plantas e pedras e possui atribuições relacionadas a deslocamento entre lugares.
- Sallos ou Saleos — Duque. Associado principalmente ao amor e à atração.
- Purson — Rei. Relacionado a coisas escondidas, tesouros e conhecimento do passado, presente e futuro.
- Marax ou Morax — Conde e Presidente. Ensina astronomia e ciências liberais e conhece propriedades de plantas e pedras.
- Ipos — Conde e Príncipe. Relacionado ao conhecimento de passado e futuro e a qualidades como inteligência e coragem.
- Aim ou Aym — Duque. Associado a assuntos privados ou ocultos e a imagens tradicionais de fogo e destruição.
- Naberius — Marquês. Relacionado a artes, ciências, retórica e restauração de honra ou dignidades.
- Glasya-Labolas — Presidente e Conde. Possui atribuições relacionadas a artes, ciências, passado e futuro, relações e invisibilidade; a descrição tradicional inclui também elementos explicitamente violentos.
- Bune ou Bime — Duque. Ligado a eloquência, sabedoria, riqueza e temas relacionados aos mortos.
- Ronove — Marquês e Conde. Relacionado a retórica, línguas, familiares e favor ou amizade.
- Berith — Duque. Associado a respostas sobre passado, presente e futuro, dignidades e transformação de metais na linguagem tradicional.
- Astaroth — Duque. Uma das figuras historicamente mais complexas do catálogo. Relacionado a conhecimento, respostas sobre passado, presente e futuro e ciências liberais; seu nome exige análise histórica independente.
- Forneus — Marquês. Relacionado a retórica, línguas, reputação e relações favoráveis.
- Foras — Presidente. Ensina lógica e ética, conhece propriedades de ervas e pedras e possui atribuições ligadas a longevidade, invisibilidade, eloquência e tesouros.
- Asmoday — Rei. Associado a aritmética, astronomia, geometria, artes manuais, respostas e tesouros. Sua história também ultrapassa significativamente a Goetia.
- Gaap — Presidente e Príncipe. Relacionado a filosofia, ciências, relações, respostas e deslocamento.
- Furfur — Conde. Associado a relações amorosas, tempestades, trovões e respostas sobre assuntos secretos ou divinos.
- Marchosias — Marquês. Figura guerreira associada a combate e respostas; a tradição preserva ainda elementos sobre sua expectativa de retornar a uma condição celestial.
- Stolas — Príncipe. Ensina astronomia e propriedades de plantas e pedras preciosas.
- Phenex ou Phoenix — Marquês. Associado a poesia e ciências e descrito por meio de forte simbolismo ligado ao pássaro fênix.
- Halphas — Conde. Relacionado a construções militares, armas e guerra.
- Malphas — Presidente. Associado à construção de estruturas, descoberta de planos adversários e obtenção de auxiliares.
- Raum — Conde. Relacionado a tesouros, destruição de dignidades, passado, presente e futuro e reconciliação.
- Focalor — Duque. Associado a ventos, mares, naufrágios e afogamentos, mas também à particular possibilidade textual de ser restringido para não causar dano.
- Vepar — Duque. Ligado ao mar, navios, águas e, na descrição tradicional, a ferimentos graves.
- Sabnock — Marquês. Associado a fortificações, armas e ferimentos descritos de maneira violenta na tradição.
- Shax — Marquês. Relacionado à retirada de sentidos ou capacidades, obtenção de objetos e descoberta de coisas escondidas, com advertências específicas na própria tradição sobre sua confiabilidade.
- Vine — Rei e Conde. Associado à descoberta de coisas escondidas, bruxas ou magos, passado, presente e futuro, construção de estruturas e elementos relacionados a águas tempestuosas.
- Bifrons — Conde. Ensina astrologia, geometria e outras artes e possui atribuições ligadas a pedras, madeiras e assuntos funerários.
- Vual ou Uvall — Duque. Relacionado ao amor, amizade e conhecimento de passado, presente e futuro.
- Haagenti — Presidente. Associado a sabedoria e transformação de substâncias dentro da linguagem alquímica da tradição.
- Crocell — Duque. Ligado a geometria e outras ciências, sons misteriosos de águas e aquecimento de águas.
- Furcas — Cavaleiro. Único espírito da lista com esse título. Ensina filosofia, astrologia, retórica, lógica, quiromancia e outras artes.
- Balam — Rei. Relacionado a respostas sobre passado, presente e futuro, invisibilidade e inteligência.
- Alloces ou Allocer — Duque. Ensina astronomia e ciências liberais e concede familiares.
- Caim ou Camio — Presidente. Associado à compreensão de diferentes vozes ou sons, respostas e argumentação.
- Murmur — Duque e Conde. Ensina filosofia e possui atribuições relacionadas às almas dos mortos.
- Orobas — Príncipe. Relacionado a passado, presente e futuro, dignidades, favor, divindade e criação; a tradição também lhe atribui fidelidade particular ao operador.
- Gremory ou Gomory — Duque. Associado a passado, presente e futuro, tesouros e relações amorosas.
- Ose ou Oso — Presidente. Ensina ciências liberais, responde sobre coisas divinas e secretas e possui atribuições ligadas à transformação da percepção ou identidade.
- Amy ou Avnas — Presidente. Relacionado a astrologia, ciências liberais, familiares e tesouros.
- Orias — Marquês. Associado a estrelas e mansões planetárias, dignidades, transformação e favor.
- Vapula ou Naphula — Duque. Ensina filosofia, artes mecânicas e ciências.
- Zagan — Rei e Presidente. Relacionado a transformação, sabedoria e alterações simbólicas de substâncias.
- Valac ou Volac — Presidente. Associado a tesouros e serpentes.
- Andras — Marquês. Associado à discórdia e a imagens de violência. Sua entrada é uma das advertências mais explícitas do catálogo.
- Haures ou Flauros — Duque. Relacionado a passado, presente e futuro, assuntos divinos e enfrentamento de adversários.
- Andrealphus — Marquês. Ensina geometria, mensuração e astronomia e possui atribuições tradicionais ligadas à transformação.
- Cimejes ou Kimaris — Marquês. Associado a gramática, lógica, retórica, coisas ocultas ou perdidas e qualidades militares.
- Amdusias ou Amduscias — Duque. Relacionado a música ou instrumentos invisíveis, forma de unicórnio, árvores que se inclinam e concessão de familiares.
- Belial — Rei. Associado a cargos, dignidades, favor e auxiliares. Seu nome possui uma história religiosa muito anterior à Goetia e exige estudo independente.
- Decarabia — Marquês. Relacionado a propriedades de aves, plantas e pedras e a manifestações em formas de aves.
- Seere ou Sear — Príncipe. Associado a movimento extremamente rápido, transporte, abundância e recuperação de coisas escondidas ou roubadas. Não aparece em Weyer como os espíritos herdados diretamente daquele catálogo.
- Dantalion — Duque. Relacionado a artes e ciências, pensamentos, conhecimento mental, mudança de disposições, relações e visões.
- Andromalius — Conde. Último espírito da lista. Associado a ladrões, objetos roubados, revelação de ações ocultas, punição e descoberta de tesouros.
A lista não deve substituir os artigos individuais
O objetivo dessa sequência é permitir identificação rápida.
Não transformar esta página em 72 miniartigos.
Cada nome possui uma história própria.
Quando o artigo individual estiver disponível, ele deverá aprofundar:
variantes de nome;
fontes anteriores;
posição em Weyer;
descrição na Goetia;
divergências manuscritas;
selo;
aparência;
atribuições;
etimologia, quando documentável;
recepção ocultista posterior;
Demonolatria;
Luciferianismo;
cultura popular;
e interpretação contemporânea do Templo.
Dessa forma, esta página permanece navegável enquanto a biblioteca individual pode crescer sem limite.
Quais espíritos não aparecem em Weyer?
Quatro nomes da lista goética posterior merecem atenção particular:
Vassago;
Seere;
Dantalion;
Andromalius.
Eles não aparecem na lista preservada de Weyer da mesma maneira que os demais.
Em sentido inverso, Weyer possui Pruflas ou Bufas, que não ocupa posição entre os 72 da Ars Goetia.
Esse conjunto de diferenças demonstra claramente que o catálogo foi reorganizado.
A ordem também mudou
Mesmo entre espíritos compartilhados por Weyer e pela Goetia, a posição pode mudar drasticamente.
Amdusias oferece um exemplo claro.
Em Weyer, Amduscias ocupa a posição 53.
Na Goetia, torna-se nº 67.
Focalor aparece como nº 44 em Weyer e nº 41 na Goetia.
Paimon também ocupa posições diferentes.
Portanto, o número goético não deve ser confundido com uma identidade metafísica eterna.
É a posição daquele espírito na organização específica da Ars Goetia.
Os números dos espíritos possuem significado próprio?
Talvez dentro de determinados sistemas posteriores.
Mas não devemos assumir automaticamente que ser nº 41 ou nº 67 representa uma numerologia original consciente.
Em muitos casos, a sequência foi reorganizada durante a transmissão.
Isso torna extremamente arriscado construir uma interpretação esotérica sobre o número de ordem sem primeiro investigar sua história textual.
Focalor não foi sempre nº 41.
Amdusias não foi sempre nº 67.
Esse fato sozinho já exige cautela.
O que o catálogo realmente faz?
A lista organiza diferentes espíritos segundo uma estrutura relativamente padronizada.
Normalmente recebemos:
nome;
posição;
aparência;
ofício;
quantidade de legiões;
e selo.
Isso cria uniformidade editorial.
Mas não significa que todos os 72 tenham a mesma origem.
A lista funciona como uma biblioteca que reúne personagens provenientes de histórias diferentes.
É exatamente por isso que um estudo individual é necessário.
Alguns nomes possuem histórias muito anteriores
Belial é um exemplo evidente.
Seu nome aparece em tradições religiosas muito anteriores ao Lemegeton.
Astaroth também exige reconstrução que ultrapassa a demonologia moderna.
Asmodeus possui uma genealogia extensa.
Esses casos não devem ser estudados exatamente da mesma maneira que nomes cuja documentação anterior permanece muito mais limitada.
Portanto, não existe uma única teoria de origem capaz de explicar os 72.
Os 72 são uma “família espiritual”?
Essa é uma interpretação religiosa possível em determinados sistemas modernos.
Historicamente, o que podemos demonstrar é que foram reunidos num mesmo catálogo.
Isso não demonstra automaticamente que sempre tenham sido compreendidos como grupo ontológico inseparável.
Ser colocado numa lista produz uma relação textual.
Uma comunidade moderna pode transformar essa relação textual numa cosmologia religiosa.
Mas precisa reconhecer o passo interpretativo.
As legiões também variam entre fontes
Como vimos no caso de Focalor, tradução pode modificar até mesmo um número.
Outras entradas também possuem variantes.
Isso significa que uma lista moderna que apresente números sem indicar a versão utilizada transmite uma certeza maior que a documentação permite.
Nos artigos individuais, registraremos divergências relevantes.
Os selos são todos iguais nos manuscritos?
Também existem variações gráficas.
Copiar um selo manualmente pode alterar proporções, curvas e detalhes.
Edições impressas posteriores podem redesenhá-los.
Portanto, quando duas imagens diferem ligeiramente, isso não significa automaticamente que uma seja “falsa”.
Primeiro precisamos identificar:
manuscrito;
edição;
data;
e cadeia de transmissão.
A pergunta “qual é o sigilo verdadeiro?” pode ser historicamente mais complexa do que parece.
Mathers e Crowley
Grande parte da popularidade moderna da Goetia está ligada à edição preparada por S. L. MacGregor Mathers e publicada por Aleister Crowley em 1904.
Essa edição tornou o texto muito mais acessível ao público ocultista moderno.
Entretanto, não constitui a origem da tradição.
É uma etapa de recepção.
Por isso, quando determinado site diz:
“Segundo a Goetia…”
precisamos verificar se está realmente consultando manuscritos ou reproduzindo Mathers/Crowley.
Ambas podem ser fontes úteis.
Não são a mesma coisa.
Collin de Plancy
O Dictionnaire Infernal, especialmente sua célebre edição de 1863 ilustrada por Louis Le Breton, também teve enorme influência sobre a maneira como diversos espíritos são imaginados visualmente.
Muitas imagens hoje tratadas popularmente como “aparência tradicional” surgem dessa iconografia do século XIX.
Essas ilustrações são historicamente importantes.
Mas não são retratos provenientes da Antiguidade nem necessariamente desenhos presentes no Lemegeton.
São parte da recepção artística da demonologia.
Cultura visual e autoridade
Esse detalhe merece atenção porque imagens possuem enorme poder.
Quando vemos durante anos uma representação específica de Buer, Stolas ou Amdusias, ela começa a parecer inevitável.
Depois imaginamos que a entidade “sempre foi representada assim”.
Frequentemente não foi.
A história visual precisa ser estudada separadamente da história textual.
A Goetia ensina adoração aos 72?
Não em sua estrutura histórica principal.
Ela pertence a uma tradição de conjuração e constrangimento, não a um manual moderno de Demonolatria devocional.
Isso não significa que uma pessoa contemporânea não possa venerar ou desenvolver relação religiosa com essas figuras.
Significa apenas que essa prática pertence a outra abordagem.
Uma corrente demonolátrica pode dizer:
“Não seguimos a teologia do grimório.”
Essa é uma posição coerente.
O que seria historicamente problemático seria dizer:
“O grimório original já era um manual demonolátrico e ensinava devoção respeitosa aos 72.”
Essa afirmação não corresponde ao caráter textual da obra.
O Luciferianismo precisa utilizar a Goetia?
Não.
O Luciferianismo contemporâneo é plural.
Uma pessoa pode identificar-se com uma filosofia luciferiana sem jamais praticar ou estudar profundamente a Goetia.
Outra pode incorporá-la intensamente.
Uma tradição pode trabalhar com alguns espíritos.
Outra pode rejeitar completamente o sistema salomônico.
Nenhuma dessas possibilidades transforma a Goetia em requisito universal.
Como o Templo de Lúcifer aborda os 72
Nossa abordagem possui três objetivos simultâneos.
O primeiro é histórico.
Queremos saber o que realmente está documentado.
O segundo é religioso.
Reconhecemos que leitores e praticantes podem compreender essas figuras como entidades espirituais reais.
O terceiro é filosófico e simbólico.
O Templo pode desenvolver interpretações contemporâneas inspiradas pelos atributos das fontes.
Esses três níveis podem coexistir.
Mas precisam permanecer identificados.
O método das seis camadas
Para manter consistência nos 72 artigos individuais, utilizaremos um método editorial de seis camadas.
Esse método é uma ferramenta contemporânea criada para organizar a pesquisa deste projeto.
Não é uma doutrina antiga da Ars Goetia.
Camada 1 — Texto. O que a fonte realmente diz sobre o espírito.
Camada 2 — Transmissão. Como nome, número, selo, título ou descrição mudaram entre manuscritos e edições.
Camada 3 — História. Quais antecedentes podem ser documentados e até onde conseguimos recuar.
Camada 4 — Correspondências. Quais sistemas posteriores acrescentaram astrologia, Tarô, planetas, elementos, anjos ou outras associações.
Camada 5 — Recepção. Como ocultistas, demonólatras, luciferianos e cultura popular reinterpretaram a figura.
Camada 6 — Templo de Lúcifer. Nossa própria interpretação contemporânea, explicitamente identificada como tal.
Esse método resolve um dos maiores problemas dos conteúdos esotéricos encontrados online: informações produzidas em épocas completamente diferentes deixam de ser colocadas numa mesma tabela como se tivessem surgido juntas.
O que não faremos nos artigos individuais
Não inventaremos etimologias apenas porque parecem convincentes.
Não apresentaremos toda entidade como antigo deus pagão sem documentação.
Não atribuíremos a Jung interpretações que ele nunca escreveu.
Não trataremos correspondência moderna como tradição renascentista.
Não transformaremos gnose pessoal em história.
Não utilizaremos linguagem científica para “provar” entidades espirituais sem evidência.
Não apresentaremos arte moderna como iconografia antiga.
Não diremos que um selo é milenar quando sua documentação é muito posterior.
E não preencheremos toda lacuna.
Quando não soubermos, diremos:
não sabemos.
O que significa gnose pessoal?
Em comunidades esotéricas contemporâneas, praticantes frequentemente relatam experiências pessoais com determinada entidade.
Podem descrever aparência.
Personalidade.
Preferências.
Formas de comunicação.
Esses relatos podem possuir grande importância religiosa para quem os vive.
Mas precisam ser identificados como experiência ou gnose pessoal.
Uma experiência contemporânea não modifica automaticamente aquilo que Weyer escreveu no século XVI.
Também não obriga outro praticante a vivenciar a entidade da mesma forma.
Relato religioso e documentação podem coexistir
Não precisamos escolher entre respeitar experiência e manter rigor histórico.
Podemos publicar:
“Na Goetia, a figura é descrita desta forma.”
Depois:
“Praticantes modernos relatam experiências diferentes.”
E finalmente:
“Dentro do Templo, interpretamos simbolicamente este atributo desta maneira.”
O leitor sabe exatamente quem está falando em cada momento.
Essa transparência produz muito mais autoridade que misturar todas as vozes.
Como estudar um Daemon da lista
Quando chegar a uma página individual, comece pelo núcleo histórico.
Qual é o número?
Qual o título?
Qual a grafia na Goetia?
Existe em Weyer?
Com qual número?
Há fonte anterior?
A descrição mudou?
Quantas legiões são atribuídas?
O selo aparece em qual tradição?
Depois avance para correspondências posteriores.
Somente então chegue às interpretações modernas.
Essa ordem impede que uma imagem contemporânea determine retrospectivamente aquilo que esperamos encontrar na história.
Não comece pela tabela do Pinterest
Esse conselho parece simples, mas elimina enorme quantidade de desinformação.
Tabelas compartilhadas nas redes podem ser úteis como material de consulta preliminar.
Mas muitas não informam fonte.
Misturam astrologia, Tarô, Cabala, grimórios, gnose pessoal e autores modernos.
Copiam umas às outras.
Um erro repetido cem vezes continua sendo um erro.
Para pesquisa, procure chegar à fonte mais antiga disponível e depois acompanhar o desenvolvimento.
“Todo mundo diz” não é referência
A internet produz consenso aparente com muita facilidade.
Uma página publica.
Dez copiam.
Vídeos repetem.
Uma inteligência artificial resume.
Depois a afirmação parece estabelecida.
A pergunta continua sendo:
qual é a fonte?
Essa pergunta será central em todo o projeto dos 72.
Perguntas frequentes sobre os 72 Daemons
Quantos espíritos existem na Ars Goetia?
A lista tradicional da primeira parte do Lemegeton contém 72 espíritos.
Johann Weyer também apresenta 72?
O catálogo preservado da Pseudomonarchia Daemonum possui 69 entradas, embora o próprio texto mencione 72 em determinado ponto.
Quais espíritos da Goetia não aparecem em Weyer?
Vassago, Seere, Dantalion e Andromalius não aparecem em Weyer da mesma maneira. Weyer, por sua vez, possui Pruflas, que não integra a lista goética final.
Quando a Pseudomonarchia Daemonum foi publicada?
A obra principal de Weyer, De praestigiis daemonum, apareceu inicialmente em 1563. O catálogo Pseudomonarchia Daemonum relevante para essa tradição aparece na edição de 1577.
Quem escreveu a Ars Goetia?
Não possuímos um único autor historicamente identificado para a compilação. O texto faz parte da tradição manuscrita anônima do Lemegeton e incorpora materiais anteriores.
Salomão escreveu a Goetia?
Não existe evidência histórica de autoria salomônica do manuscrito conhecido. A associação com Salomão pertence à tradição pseudepigráfica de magia salomônica.
O Lemegeton possui cinco livros?
Alguns manuscritos e edições apresentam cinco partes, incluindo a Ars Notoria. Outros apresentam apenas quatro. A quinta parte possui ainda uma história textual particular ligada à versão impressa de Robert Turner.
Todos os 72 possuem selo?
Na tradição goética, os 72 são associados a selos ou caracteres. Entretanto, esses sigilos não aparecem da mesma maneira nos catálogos anteriores conhecidos.
Todos os selos são antigos?
Não no sentido de Antiguidade. Eles pertencem à tradição manuscrita e editorial da magia salomônica moderna e precisam ser datados individualmente quando possível.
Os 72 correspondem aos 72 anjos do Shem HaMephorash?
Sistemas ocultistas posteriores desenvolveram correspondências detalhadas. A própria expansão da lista para 72 pode estar relacionada à importância numerológica desse número, mas isso não significa que todas as correspondências modernas estejam documentadas no estágio original do catálogo.
Daemon e demônio são a mesma palavra?
Possuem histórias semânticas relacionadas, mas não idênticas. Neste site, Daemon também é uma escolha editorial contemporânea. Quando analisamos fontes históricas, preservamos o contexto terminológico delas.
Todos os Daemons eram deuses pagãos?
Não. Alguns possuem antecedentes religiosos que podem ser investigados; para outros não existe evidência suficiente. Cada caso precisa de análise própria.
Todos eram anjos caídos?
A demonologia cristã frequentemente os interpreta dentro da narrativa dos espíritos caídos, e algumas entradas mencionam explicitamente antigas ordens angelicais. Isso não significa que possuímos uma biografia angelical histórica completa para cada um dos 72.
Existe uma hierarquia objetiva do Inferno?
O método histórico consegue demonstrar que determinados textos apresentam hierarquias. Não consegue comprovar metafisicamente que o mundo espiritual possua exatamente essa organização.
Qual é o Daemon mais poderoso?
A Goetia não fornece uma classificação matemática universal que permita declarar um “mais poderoso”. Títulos, legiões e ofícios não formam uma pontuação objetiva.
Qual é o mais perigoso?
Também não existe uma escala histórica universal de perigo. Algumas entradas são mais explicitamente violentas que outras, mas transformar isso num ranking contemporâneo exigiria critérios adicionais.
Preciso trabalhar com os 72?
Não. Estudar a Goetia não exige praticar com todos os espíritos, e o Luciferianismo não exige trabalho goético.
Preciso fazer pacto?
Não existe pacto universal com os 72 exigido pelo Luciferianismo. Pactos pertencem a tradições e sistemas específicos.
O Templo considera os 72 entidades reais?
O Templo reconhece que praticantes podem compreendê-los literalmente como entidades espirituais, enquanto outros leitores podem estudá-los histórica ou simbolicamente. Nossos artigos diferenciam documentação, crença e interpretação.
Um cuidado com a palavra “verdade”
Quando dizemos:
“Focalor é o 41º espírito da Ars Goetia”,
temos uma afirmação textual verificável.
Quando alguém diz:
“Focalor existe como entidade espiritual independente”,
temos uma afirmação metafísica ou religiosa.
Quando o Templo diz:
“Focalor pode simbolizar adaptação diante de forças externas”,
temos uma interpretação contemporânea.
Todas essas frases podem aparecer no mesmo projeto.
Não possuem o mesmo tipo de evidência.
Uma das metas desta biblioteca é tornar essa diferença visível.
Por que isso importa para o Luciferianismo?
Porque um caminho que coloca conhecimento entre seus valores precisa ser capaz de examinar também as histórias que deseja acreditar.
É relativamente fácil questionar a religião dos outros.
Mais difícil é verificar aquilo que circula dentro do próprio ambiente esotérico.
Uma tradição baseada em investigação não deveria precisar de falsas antiguidades, etimologias inventadas ou ciência decorativa.
Podemos possuir espiritualidade sem abandonar método.
Podemos produzir teologia sem falsificar história.
Podemos interpretar sem fingir que nossa interpretação foi escrita há quinhentos anos.
A perspectiva contemporânea do Templo
Dentro do Templo de Lúcifer, os 72 podem ser estudados como um vasto repertório simbólico, histórico e religioso.
Cada figura oferece questões diferentes.
Paimon nos conduz a debates sobre conhecimento e autoridade.
Focalor permite refletir sobre força, risco e limite.
Amdusias abre questões sobre música, escuta e criação.
Orobas permite discutir verdade e confiabilidade.
Astaroth exige reconstrução histórica de tradições anteriores.
Belial coloca o leitor diante de uma história textual muito mais antiga que a Goetia.
Essas interpretações não precisam ser uniformes.
O objetivo não é forçar 72 entidades diferentes a caber numa única fórmula.
É compreender cada uma antes de interpretá-la.
Uma biblioteca, não uma tabela de poderes
Essa mudança editorial é fundamental.
Durante muito tempo, conteúdos sobre Goétia na internet foram organizados como fichas:
nome;
planeta;
cor;
incenso;
poder;
selo.
Esse formato é rápido.
Também pode esconder quase toda a história.
O projeto do Templo seguirá outro caminho.
Cada página será uma investigação.
Perguntaremos:
de onde vem o nome?
Qual é sua primeira documentação conhecida?
O que Weyer diz?
O que muda na Goetia?
Onde surge o selo?
Que autores posteriores acrescentaram correspondências?
Como a figura é reinterpretada hoje?
E somente depois:
o que ela pode significar dentro de uma perspectiva luciferiana contemporânea?
Arquitetura da biblioteca dos 72
Esta página funciona como hub central.
Cada artigo individual deve apontar de volta para este guia.
Ao mesmo tempo, cada nome nesta lista deve, progressivamente, tornar-se um link para sua página própria.
A estrutura ideal é:
Os 72 Daemons → artigo individual → Os 72 Daemons.
Isso facilita a navegação do leitor e também mantém o site semanticamente organizado.
Focalor e Amdusias já seguem o novo padrão editorial.
Os demais serão progressivamente revisados.
Ordem recomendada dos estudos
Não é necessário estudar os 72 em sequência.
Mas para a reconstrução editorial do site faz sentido utilizar a ordem tradicional.
Começaremos por Bael, nº 1.
Depois:
Agares;
Vassago;
Gamigin;
Marbas;
e assim sucessivamente.
Artigos que já possuem conteúdo forte poderão ser apenas revisados.
Artigos com pseudohistória, correspondências sem fonte ou linguagem excessivamente fragmentada serão reconstruídos.
O objetivo final é que todos obedeçam ao mesmo padrão de qualidade.
O que torna esta biblioteca diferente
Não pretendemos competir pela quantidade de poderes atribuídos a cada espírito.
O objetivo é tornar o Templo de Lúcifer uma fonte de consulta reconhecível pela metodologia.
Se uma etimologia é conhecida, apresentamos.
Se é debatida, mostramos o debate.
Se é desconhecida, reconhecemos.
Se uma correspondência vem do século XIX, informamos.
Se é uma criação contemporânea, assumimos.
Se uma experiência é religiosa, identificamos como experiência.
Se um fato é histórico, oferecemos fonte.
Essa consistência é mais importante que qualquer linguagem de autoridade.
O princípio fundamental
Para cada Daemon, a primeira pergunta será:
O que realmente sabemos?
A segunda:
De onde sabemos?
A terceira:
O que foi acrescentado depois?
Somente então perguntaremos:
O que isso pode significar para uma prática ou filosofia contemporânea?
Essa ordem protege tanto a pesquisa quanto a religião.
Conclusão: os 72 são uma história de transmissão
Os 72 espíritos da Ars Goetia não apareceram de uma única vez, perfeitamente formados e acompanhados por todas as correspondências que atualmente encontramos na internet.
Eles são resultado de uma longa história.
Catálogos anteriores.
Manuscritos.
Copistas.
Johann Weyer.
Tradução inglesa.
Reginald Scot.
Compiladores anônimos.
Literatura salomônica.
Selos.
Edições.
Ocultistas.
Ilustradores.
Demonólogos.
Demonólatras.
Luciferianos.
Cultura popular.
Cada época acrescentou alguma coisa.
E é exatamente por isso que estudá-los exige desmontar cuidadosamente essas camadas.
A Ars Goetia reuniu 72 nomes num sistema.
Mas isso não significa que os 72 possuam uma única origem.
Bael não possui necessariamente a mesma história de Belial.
Astaroth não possui a mesma genealogia de Amdusias.
Focalor não deve ser confundido com Lucifuge apenas porque uma aproximação nominal parece atraente.
Vassago não ocupa a mesma posição na história textual que Paimon.
Cada espírito precisa ser estudado individualmente.
Ao mesmo tempo, compreender o conjunto continua sendo essencial.
É essa dupla perspectiva que orientará nossa biblioteca:
o catálogo e o indivíduo;
o manuscrito e sua transmissão;
a história e a interpretação;
a fonte e a fé.
No Templo de Lúcifer, não queremos transformar os 72 apenas numa tabela dizendo o que cada entidade supostamente “pode dar” ao praticante.
Queremos construir uma biblioteca em que o leitor consiga descobrir:
o que os textos afirmam;
quais fontes os antecedem;
onde existem variantes;
quando determinado atributo apareceu;
qual parte continua incerta;
como ocultistas posteriores reinterpretaram o material;
e qual é a leitura contemporânea desenvolvida pelo próprio Templo.
Uma tradição que utiliza a luz como símbolo de conhecimento não deveria ter medo de iluminar suas próprias fontes.
Por isso, a pergunta que abre esta biblioteca não é:
“Qual Daemon devo invocar?”
É uma pergunta anterior e mais fundamental:
“O que realmente sabemos sobre eles?”
A partir dessa pergunta, começam as 72 investigações.
Continue seus estudos
Comece por Bael — história e tradição do 1º espírito da Ars Goetia.
Consulte também Focalor: história, simbolismo e tradição do 41º espírito da Ars Goetia e Amdusias: história, música e simbolismo do 67º espírito da Ars Goetia, já reconstruídos segundo o método editorial utilizado nesta página.
Para compreender como diferenciamos documentação e interpretação, leia Como diferenciar espiritualidade séria de fantasia esotérica.
Referências e leituras para aprofundamento
PETERSON, Joseph H. (ed.). The Lesser Key of Solomon — Lemegeton Clavicula Salomonis. Edição crítica baseada principalmente no manuscrito Sloane 3825 e comparada a outros testemunhos. Fundamental para a história textual da Ars Goetia, suas variantes, fontes anteriores e selos.
WEYER, Johann. Pseudomonarchia Daemonum. Catálogo demonológico incorporado a edições do De praestigiis daemonum no século XVI. Fonte central para comparar a tradição anterior com a lista posteriormente reorganizada na Ars Goetia.
SCOT, Reginald. The Discoverie of Witchcraft. 1584. Sua transmissão inglesa do catálogo de Weyer constitui uma etapa decisiva para compreender a formação textual posterior da Goetia.
BOUDET, Jean-Patrice. “Les who’s who démonologiques de la Renaissance et leurs ancêtres médiévaux”. Médiévales, nº 44, 2003. Estudo acadêmico sobre catálogos demonológicos renascentistas e seus antecedentes medievais, incluindo comparações com Weyer e o Livre des esperitz.
MATHERS, S. L. MacGregor; CROWLEY, Aleister. The Book of the Goetia of Solomon the King. 1904. Edição extremamente influente na recepção ocultista moderna, mas posterior à tradição manuscrita que preserva a obra.
COLLIN DE PLANCY, Jacques. Dictionnaire Infernal. 6ª ed. Paris, 1863. Importante para compreender a recepção demonológica e especialmente a iconografia moderna de diversos espíritos.
DAVIES, Owen. Grimoires: A History of Magic Books. Oxford University Press, 2009. Estudo histórico amplo sobre a circulação, produção e transformação dos grimórios europeus.
FANGER, Claire (org.). Conjuring Spirits: Texts and Traditions of Medieval Ritual Magic. Pennsylvania State University Press, 1998. Referência para o contexto mais amplo da magia ritual medieval e das tradições que antecedem compilações modernas.
TEMPLO DE LÚCIFER. Focalor: história, simbolismo e tradição do 41º espírito da Ars Goetia.
TEMPLO DE LÚCIFER. Amdusias: história, música e simbolismo do 67º espírito da Ars Goetia.
TEMPLO DE LÚCIFER. Como diferenciar espiritualidade séria de fantasia esotérica.