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Home/Biblioteca/Demonologia/72 Daemons da Ars Goetia/Agares: história, origem e tradição do 2º espírito da Ars Goetia
Templo de Lúcifer Agares
72 Daemons da Ars Goetia

Agares: história, origem e tradição do 2º espírito da Ars Goetia

By Emrys
abril 5, 2026
0

Agares ocupa a segunda posição na Ars Goetia e possui uma das descrições mais reconhecíveis do catálogo: um homem idoso de aparência serena montado sobre um crocodilo, carregando uma ave de rapina na mão.

Por trás dessa imagem existe, porém, uma história textual mais interessante do que uma simples ficha de “poderes demoníacos”.

Agares já ocupa a segunda posição na Pseudomonarchia Daemonum de Johann Weyer, anterior à forma conhecida da Ars Goetia. Posteriormente, sua descrição passa pela tradução inglesa de Reginald Scot e chega ao Lemegeton preservando grande parte de sua estrutura.

Ao longo dessa transmissão, encontramos continuidade, pequenas alterações de linguagem e até uma questão de tradução que ajuda a compreender como características atribuídas a um espírito podem mudar durante séculos de cópia e adaptação.

Nas fontes principais, Agares é apresentado como Duque, relacionado ao Leste, governante de 31 legiões, capaz de ensinar línguas, fazer fugitivos retornarem, colocar em movimento aqueles que permanecem parados, derrubar dignidades e produzir aquilo que a tradição inglesa posterior descreve como terremotos. Também é associado à antiga ordem angelical das Virtudes dentro da própria cosmologia do texto.

Esses atributos forneceram matéria para numerosas interpretações modernas relacionadas a movimento, comunicação, queda de posições sociais, conhecimento, transformação e poder.

Mas, como em todos os estudos desta biblioteca, começaremos pelas fontes.

Agares antes da Ars Goetia

Agares não surge originalmente como uma criação da lista dos 72 espíritos.

Ele já aparece em Johann Weyer.

Na Pseudomonarchia Daemonum, Agares ocupa exatamente a posição nº 2, imediatamente depois de Bael.

Essa continuidade é particularmente importante porque nem todos os espíritos mantiveram posição semelhante durante a transmissão. Amdusias, por exemplo, muda bastante de posição entre Weyer e a Goetia.

Agares não.

Ele permanece no início do catálogo.

Bael continua nº 1.

Agares continua nº 2.

Isso fornece um exemplo bastante claro da dependência textual entre a tradição de Weyer e o catálogo posteriormente preservado no Lemegeton.

O que Johann Weyer diz sobre Agares

No texto latino de Weyer, Agares é apresentado como o primeiro Duque sob o poder do Oriente.

A palavra “primeiro” aqui precisa ser compreendida no contexto hierárquico.

Bael abre a lista como Rei.

Agares é o primeiro espírito da categoria ducal apresentado naquele catálogo.

Sua manifestação é descrita de maneira relativamente favorável.

Ele aparece como um homem idoso e possui uma atitude apresentada como benevolente ou voluntariamente acessível.

Está montado sobre um crocodilo.

Na mão carrega um açor ou ave de rapina.

Essa combinação visual tornou-se praticamente inseparável de Agares na iconografia posterior.

Mas sua aparência é apenas uma parte da entrada.

Weyer também lhe atribui funções relacionadas a línguas, movimento, autoridade e terra.

O homem idoso

A fonte descreve Agares como um homem velho ou idoso de boa aparência.

Não fornece uma explicação dizendo por que essa forma foi escolhida.

Portanto, não devemos afirmar historicamente que a velhice representa sabedoria, ancestralidade, tempo ou experiência.

Essas são interpretações possíveis.

Mas são interpretações.

A distinção é importante porque conteúdos esotéricos modernos frequentemente transformam qualquer detalhe iconográfico numa espécie de código secreto.

O texto diz que Agares aparece como homem idoso.

Aquilo que essa idade pode simbolizar pertence a uma análise posterior.

O crocodilo

Agares é apresentado montado sobre um crocodilo.

Novamente, a fonte não explica o significado do animal.

Podemos encontrar inúmeras associações culturais possíveis para crocodilos: perigo, paciência, força, água, sobrevivência, antiguidade e diferentes simbolismos religiosos.

Isso não demonstra que Weyer pretendesse qualquer uma dessas interpretações específicas.

O fato historicamente seguro é muito mais simples:

Agares aparece montado sobre um crocodilo.

A interpretação precisa vir depois.

A ave de rapina

Na versão de Weyer e na tradição inglesa aparece uma ave de rapina carregada na mão.

O inglês de Scot utiliza hawk e a Goetia conhecida utiliza goshawk, normalmente traduzido como açor.

A imagem lembra práticas aristocráticas e de falcoaria europeias, em que aves treinadas eram utilizadas na caça.

Mas não precisamos concluir automaticamente que a ave represente “visão espiritual”, “clarividência” ou qualquer outra faculdade não mencionada na fonte.

Essas associações podem ser desenvolvidas simbolicamente.

Não são descrições históricas do ofício do espírito.

A aparência permaneceu extremamente estável

Quando comparamos Weyer, Scot e a Ars Goetia, a imagem muda muito pouco.

Homem idoso.

Crocodilo.

Ave de rapina.

A continuidade é suficientemente forte para mostrar que não estamos diante de um elemento criado apenas por uma edição moderna.

A descrição pertence ao núcleo antigo da transmissão conhecida de Agares.

Agares na Ars Goetia

Na Ars Goetia, Agares continua sendo o segundo espírito.

Recebe novamente o título de Duque e continua relacionado ao poder do Leste.

A descrição preservada no Sloane 3825 informa que ele surge como um velho de boa aparência montado num crocodilo, portando um açor na mão e manifestando-se de maneira relativamente branda.

Seus ofícios permanecem próximos aos encontrados em Weyer.

Ele faz mover aqueles que estão parados.

Traz de volta fugitivos.

Ensina rapidamente todas as línguas.

Pode derrubar dignidades espirituais e temporais.

Está associado à produção de terremotos.

É descrito como tendo pertencido à ordem das Virtudes.

E governa 31 legiões.

Essa estabilidade torna Agares um excelente caso para estudar como uma entrada demonológica atravessa diferentes testemunhos sem sofrer transformação completa.

Ensinar todas as línguas

Uma das atribuições mais interessantes de Agares é o ensino de línguas.

Weyer afirma que ele ensina de maneira excelente todos os gêneros de línguas.

Scot transmite o atributo em inglês.

A Goetia continua afirmando que Agares ensina todas as línguas ou idiomas.

Portanto, essa não é uma associação moderna baseada em criatividade contemporânea.

Ela pertence ao núcleo textual da figura.

Isso também diferencia Agares de espíritos cuja associação moderna com comunicação foi construída apenas posteriormente.

No caso dele, linguagem realmente faz parte da descrição histórica.

O que significa “ensinar línguas” na fonte?

O texto não oferece um método pedagógico.

Não explica se o conhecimento seria adquirido instantaneamente, transmitido sobrenaturalmente ou produzido por algum outro processo.

Dentro da cosmologia mágica da obra, trata-se de uma capacidade atribuída ao espírito.

Historicamente, conseguimos demonstrar que o texto faz a afirmação.

Não conseguimos, através do método histórico, demonstrar que um ritual permita alguém adquirir instantaneamente um idioma.

Essa distinção precisa permanecer clara.

Linguagem como interpretação contemporânea

Dentro da perspectiva do Templo de Lúcifer, o atributo linguístico de Agares oferece uma possibilidade simbólica muito rica.

Aprender outra língua não significa apenas substituir palavras.

Significa entrar em contato com outra estrutura de pensamento.

Expressões mudam.

Conceitos nem sempre possuem equivalentes exatos.

Uma língua carrega história, hábitos e maneiras próprias de organizar significado.

Nesse sentido, Agares pode ser reinterpretado contemporaneamente como figura relacionada à capacidade de atravessar fronteiras de compreensão.

Isso não significa que Weyer tenha formulado essa filosofia.

É nossa leitura construída sobre um atributo realmente presente na fonte.

Comunicação não é apenas falar

Uma pessoa pode dominar inúmeras palavras e ainda assim comunicar-se mal.

Conhecimento linguístico não garante escuta.

Não garante clareza.

Não garante capacidade de compreender contexto.

Por isso, uma interpretação contemporânea de Agares pode ampliar o tema das línguas para uma questão mais exigente:

conseguimos realmente compreender aquilo que o outro está tentando dizer?

Essa pergunta torna a linguagem uma disciplina de conhecimento, não apenas um instrumento de expressão.

Fazer os parados correrem

Outro atributo preservado nas fontes é peculiar.

Agares pode fazer fugir, correr ou mover aqueles que permanecem.

A formulação muda ligeiramente conforme a transmissão, mas o contraste entre permanência e movimento é claro.

Ao lado disso aparece a capacidade aparentemente oposta:

trazer fugitivos de volta.

Temos, portanto, duas direções de movimento.

Aquele que permanece pode ser levado a mover-se.

Aquele que fugiu pode ser trazido de volta.

Esse par é mais interessante do que reduzir Agares simplesmente a “Daemon do movimento”.

Movimento e retorno

Os dois atributos permitem uma leitura contemporânea particularmente forte.

Há momentos em que o problema é imobilidade.

A pessoa sabe que precisa agir, mas permanece parada.

Posterga.

Evita.

Espera condições perfeitas.

Em outros momentos, o problema é o contrário.

Ela abandonou alguma coisa que precisava enfrentar.

Fugiu de responsabilidade.

Desistiu impulsivamente.

Rompeu um processo que precisava ser concluído.

A tradição textual de Agares reúne justamente movimento e retorno.

Isso permite uma interpretação moderna em torno de discernir quando avançar e quando regressar para resolver aquilo que ficou incompleto.

Novamente, essa é uma formulação filosófica contemporânea.

Não uma explicação presente no grimório.

Movimento não significa agir impulsivamente

Uma filosofia orientada pela vontade pode cair facilmente no erro de glorificar toda ação.

“Faça alguma coisa.”

“Não fique parado.”

“Movimento é sempre melhor que espera.”

Não necessariamente.

Existem momentos em que esperar é estratégia.

Analisar é ação.

Preparar-se é ação.

Recusar movimento precipitado pode ser uma forma de disciplina.

Portanto, a imagem de Agares não precisa ser transformada em culto à pressa.

O ponto mais interessante é outro:

o movimento precisa possuir direção.

Trazer fugitivos de volta

Historicamente, a expressão possui uma dimensão bastante literal dentro da cultura em que foi escrita.

Fugitivos podiam significar pessoas que haviam deixado determinado lugar, obrigação ou autoridade.

Não devemos transformar automaticamente essa função em psicologia moderna.

Contudo, como símbolo contemporâneo, podemos reinterpretá-la.

Aquilo que “fugiu” também pode representar um compromisso abandonado, uma questão não resolvida ou uma responsabilidade que continua retornando.

O simbolismo torna-se útil quando é apresentado como simbolismo, não como tradução histórica.

Agares e a queda das dignidades

Agares também é associado à destruição ou queda de dignidades.

A Ars Goetia especifica dignidades espirituais e temporais.

Isso envolve posições de autoridade, títulos, status ou funções reconhecidas dentro das estruturas sociais e religiosas representadas pelo vocabulário da época.

A característica é importante porque conecta Agares não apenas a movimento físico, mas também a instabilidade de posição.

Alguém pode estar num cargo hoje e perdê-lo amanhã.

Uma instituição pode possuir autoridade e deixar de possuí-la.

Hierarquias mudam.

Status não é necessariamente permanente.

Autoridade pode ser removida

Essa característica permite uma interpretação contemporânea bastante adequada ao Templo.

Títulos não tornam alguém infalível.

Cargo não transforma opinião em verdade.

Prestígio não elimina responsabilidade.

Uma pessoa pode possuir grande autoridade dentro de determinada instituição e ainda assim estar equivocada.

A tradição de Agares oferece uma imagem interessante da fragilidade do status:

dignidades podem cair.

Isso não significa transformar Agares num símbolo moderno de revolução política ou social sem qualquer qualificação.

Significa utilizar um atributo textual específico para refletir sobre a diferença entre posição e valor.

Cargo não é conhecimento

Essa distinção merece atenção.

Professor não está correto simplesmente porque é professor.

Sacerdote não está correto apenas porque é sacerdote.

Líder não está correto apenas porque lidera.

Pesquisador não está correto apenas porque possui título.

Credenciais podem indicar experiência e formação.

Continuam não substituindo evidência.

Nesse sentido, a queda das dignidades pode simbolizar uma ideia profundamente luciferiana:

a autoridade precisa suportar investigação.

A questão dos terremotos

Talvez este seja o detalhe textual mais interessante da entrada de Agares.

A tradição inglesa de Scot afirma que Agares causa terremotos.

A Ars Goetia preserva praticamente a mesma atribuição.

Entretanto, o latim de Weyer utiliza outra formulação.

O texto contém a expressão:

tripudiare facit spiritus terræ.

Joseph H. Peterson observa que a ideia é literalmente mais próxima de “faz os espíritos da terra dançarem”.

A tradução inglesa transformou isso em “faz terremotos”.

A Goetia posteriormente herdou a formulação inglesa.

Esse pequeno detalhe é extremamente importante para compreender a história dos 72.

Um terremoto pode nascer de uma tradução

Não estamos dizendo que toda associação de Agares a terremotos seja “errada”.

Ela efetivamente aparece numa tradição textual histórica e depois integra a Goetia.

O ponto é outro.

A formulação não permaneceu idêntica.

Em Weyer, temos espíritos da terra dançando.

Em Scot, terremotos.

Na Goetia, terremotos novamente.

Isso oferece um caso concreto em que um atributo conhecido atualmente pode ter sido consolidado através de uma decisão de tradução.

É por isso que nossa biblioteca compara fontes.

Uma única palavra pode mudar séculos de interpretação.

Isso altera a interpretação de Agares?

Pode alterar.

Se começamos diretamente com “terremoto”, podemos construir uma figura da força sísmica, ruptura e destruição física.

Se retornamos à formulação de Weyer, encontramos uma imagem mais estranha e menos definida: espíritos da terra colocados em movimento ou dança.

As duas tradições estão relacionadas.

Mas não são semanticamente idênticas.

Por isso, a formulação mais precisa é:

a transmissão inglesa e a Ars Goetia associam Agares a terremotos, enquanto o latim de Weyer utiliza uma expressão literalmente relacionada a fazer os espíritos da terra dançarem.

Essa nuance diferencia pesquisa de repetição.

Agares é um espírito elemental da Terra?

A partir da associação com terremotos, diferentes sistemas modernos podem relacioná-lo ao elemento Terra.

Isso pode produzir uma correspondência coerente.

Mas a entrada histórica não diz simplesmente:

“Agares pertence ao elemento Terra.”

Existe referência a espíritos da terra ou a terremotos.

Uma correspondência elemental formal pertence a uma etapa adicional de sistematização.

Se utilizarmos Terra como correspondência, precisamos identificar o sistema posterior que estabelece essa associação.

Agares pertenceu à ordem das Virtudes

Tanto Weyer quanto a Ars Goetia registram que Agares pertence à ordem das Virtudes.

Nesse caso, a referência angelológica não é apenas uma dedução moderna.

Ela está explicitamente presente na fonte.

Entretanto, precisamos formular corretamente aquilo que isso significa.

Podemos afirmar:

a tradição demonológica de Weyer e da Goetia apresenta Agares como pertencente à ordem das Virtudes.

Não podemos transformar essa frase automaticamente numa biografia historicamente demonstrada de uma entidade sobrenatural.

O que são as Virtudes?

Na tradição cristã de hierarquias angélicas, as Virtudes integram uma das ordens angelicais desenvolvidas especialmente a partir da tradição atribuída a Pseudo-Dionísio.

Autores posteriores organizaram os nove coros angelicais em grupos ou tríades.

A demonologia frequentemente reutilizou essa estrutura ao descrever determinados espíritos como antigos membros de ordens celestiais.

No caso de Agares, o dado é explicitamente incorporado ao catálogo.

Mas a fonte não fornece uma narrativa detalhada de sua queda.

Por que Agares teria caído?

A entrada não explica.

Não apresenta uma história individual sobre rebelião.

Não descreve uma função anterior específica dentro das Virtudes.

Não informa um nome angelical anterior.

Portanto, qualquer biografia detalhada sobre “Agares antes da queda” precisa de uma fonte diferente.

Sem ela, estamos diante de elaboração moderna.

Não existe necessidade de preencher toda lacuna.

Agares possui 31 legiões

Weyer registra 31 legiões.

Scot mantém o número.

A Goetia também.

Isso representa outra continuidade particularmente forte do perfil.

Novamente, o número não funciona como unidade científica de poder.

A tradição apenas atribui a Agares autoridade sobre 31 legiões.

Não sabemos através da entrada quantos espíritos constituiriam exatamente cada legião.

Também não temos uma fórmula segura segundo a qual 31 legiões permitiriam calcular seu “nível” em comparação a outro Daemon.

Mais legiões não significa automaticamente mais poder

Essa observação já apareceu na página-pilar e precisa ser repetida apenas quando necessária.

Títulos e legiões ajudam a caracterizar a hierarquia textual.

Eles não criam uma escala matemática.

Portanto, não faz sentido concluir que determinado espírito com 40 legiões seja necessariamente superior a Agares em todas as funções.

O catálogo não funciona assim.

O nome Agares

Uma das áreas que mais exige cautela é a etimologia.

Hoje circulam várias tentativas de explicar “Agares”.

Algumas o relacionam a idiomas antigos.

Outras procuram decompor o nome em raízes aparentemente significativas.

Outras relacionam a palavras ligadas à terra, reunião, movimento ou nobreza.

O problema é que uma semelhança sonora não constitui etimologia.

As fontes preservam variantes como:

Agares;

Agaros;

e Agaret.

Peterson registra Agaros em diferentes testemunhos e Agaret em outro manuscrito relacionado.

Essa variação por si só recomenda cautela.

A etimologia permanece incerta

Não encontrei fundamento filológico suficientemente sólido para traduzir o nome Agares com segurança.

Portanto, o padrão editorial do Templo será simples:

a etimologia de Agares permanece incerta.

Essa frase é mais profissional que apresentar uma origem imaginativa sem cadeia documental.

No futuro, caso pesquisa filológica mais sólida permita avançar, o artigo pode ser atualizado.

Autoridade verdadeira inclui possibilidade de revisão.

Agaros e Agaret são entidades diferentes?

Não existe razão textual suficiente para começar tratando essas grafias como espíritos distintos.

Elas aparecem como variantes do mesmo lugar da tradição.

Agares é a forma que se tornou dominante na Pseudomonarchia e na Ars Goetia.

Agaros e Agaret ajudam a reconstruir a transmissão do nome.

Isso não significa automaticamente que representem manifestações espirituais diferentes.

Transformar toda variação ortográfica em nova entidade é um erro recorrente em estudos esotéricos sem crítica textual.

O selo de Agares

Na tradição do Lemegeton, Agares recebe um selo ou caráter próprio.

Assim como vimos com Bael, esse selo pertence a uma camada textual diferente da entrada de Weyer.

A Pseudomonarchia Daemonum não apresenta a série de selos goéticos atualmente conhecida.

Portanto, a descrição de Agares é documentalmente anterior ao sigilo popular associado a ele.

Essa distinção precisa ser mantida.

O nome possui uma história.

A descrição possui uma história.

O selo também possui uma história.

Elas não precisam começar no mesmo momento.

O selo não é comprovadamente antigo

Não temos base para dizer que o selo de Agares venha da Antiguidade, tenha sido utilizado por alguma civilização antiga ou remonte ao Salomão histórico.

O selo pertence à tradição manuscrita da magia salomônica moderna.

Isso não elimina seu valor religioso ou ritual para um praticante contemporâneo.

Apenas estabelece sua cronologia documental.

Cada linha do selo possui um significado?

Não conhecemos uma chave histórica segura que explique cada elemento do desenho.

Uma corrente contemporânea pode interpretar linhas, curvas e cruzamentos.

Pode produzir uma leitura simbólica.

Mas deve reconhecê-la como leitura.

Não como decodificação histórica comprovada.

Agares no Dictionnaire Infernal

No século XIX, Jacques Collin de Plancy continua a transmissão da figura.

No Dictionnaire Infernal de 1863, Aguarès aparece como grande duque da parte oriental do Inferno e mantém a imagem do senhor montado num crocodilo com uma ave de rapina na mão.

Essa descrição mostra novamente como a iconografia iniciada ou preservada em Weyer permaneceu reconhecível séculos depois.

A imagem de Louis Le Breton

A edição de 1863 do Dictionnaire Infernal tornou-se especialmente famosa pelas ilustrações de Louis Le Breton.

Essas imagens tiveram enorme influência sobre a cultura visual moderna da demonologia.

Quando vemos hoje determinadas representações de Agares, frequentemente estamos observando descendentes visuais dessa recepção do século XIX.

Isso não significa que a ilustração seja uma “imagem antiga” do espírito.

Muito menos uma representação produzida durante a suposta época de Salomão.

É uma etapa específica da história visual da figura.

Agares no Grand Grimoire

Agares também aparece na tradição do Grand Grimoire.

Nessa estrutura, ele é colocado entre dezoito espíritos subordinados e aparece ao lado de Bael e Marbas sob o comando de Lucifuge Rofocale.

Essa informação é especialmente importante porque demonstra novamente que não existe uma única hierarquia demonológica universal.

Na Ars Goetia, Agares é Duque e ocupa a posição nº 2.

No Grand Grimoire, é reorganizado dentro de outra estrutura sob Lucifuge.

Os textos podem utilizar o mesmo nome e atribuir-lhe posições diferentes.

Isso não é contradição que precisamos apagar.

É parte da história da demonologia.

Agares é subordinado a Lucifuge?

A resposta depende da fonte.

No sistema do Grand Grimoire, sim, essa relação aparece.

Na Ars Goetia, essa não é a estrutura hierárquica apresentada.

Portanto, não devemos transformar a relação com Lucifuge numa característica universal de Agares.

Sempre precisamos perguntar:

segundo qual grimório?

Essa pergunta evita misturar sistemas diferentes numa única tabela fictícia.

Agares é originalmente luciferiano?

Não no sentido moderno.

A Pseudomonarchia e a Ars Goetia não são textos de uma religião histórica denominada Luciferianismo contemporâneo.

Uma corrente luciferiana moderna pode estudar, reinterpretar ou desenvolver prática espiritual envolvendo Agares.

Isso é legítimo como desenvolvimento religioso moderno.

O erro seria retroprojetar essa identidade e afirmar que Agares já era originalmente um “Daemon luciferiano” exatamente na acepção atual.

Agares aparece na Bíblia?

Não como essa figura demonológica.

Não encontramos na Bíblia uma entidade chamada Agares com o perfil preservado por Weyer e pela Goetia.

A associação do catálogo a Salomão não demonstra que Agares seja personagem bíblico.

Trata-se de literatura pseudo-salomônica muito posterior.

Agares era uma divindade antiga?

Não existe evidência histórica suficiente para afirmar isso.

Ao contrário de nomes como Astaroth, cuja investigação exige necessariamente discutir tradições religiosas anteriores, Agares não possui atualmente uma identificação convincente e documentada com uma divindade antiga específica.

Isso não impede comparações modernas.

Mas comparações não são genealogias.

Uma semelhança de atributo não demonstra identidade.

Agares e o crocodilo egípcio

A presença do crocodilo levou alguns leitores a procurar relações com o Egito antigo e divindades crocodilianas, especialmente Sobek.

A comparação visual é compreensível.

Historicamente, porém, não basta.

Não há na entrada de Weyer uma declaração dizendo que Agares seja Sobek, derive de Sobek ou tenha sido um deus crocodilo egípcio.

O crocodilo faz parte de sua imagem.

A genealogia egípcia precisaria ser demonstrada separadamente.

Sem essa demonstração, permanece especulação.

Agares e a falcoaria

A ave carregada por Agares também pode incentivar associações com Hórus, deuses falconiformes ou simbolismos solares.

Novamente, aparência semelhante não prova origem histórica comum.

Além disso, a própria cultura europeia dos séculos medievais e modernos conhecia amplamente práticas de falcoaria.

Uma ave de rapina na mão de um senhor também podia evocar status, caça ou linguagem aristocrática sem exigir origem egípcia.

Quando várias explicações são possíveis, precisamos resistir à tentação de escolher a mais exótica simplesmente porque parece mais esotérica.

Correspondências planetárias

Atualmente Agares aparece associado em diferentes sistemas a planetas, signos, metais, cores, dias, ervas e cartas do Tarô.

Essas correspondências precisam ser tratadas de maneira separada da entrada histórica.

Weyer não fornece uma tabela planetária de Agares.

A descrição central da Goetia também não estabelece todas as correspondências modernas atualmente reproduzidas online.

Portanto, não apresentaremos uma lista única como se existisse um “planeta verdadeiro de Agares”.

Quando estudarmos correspondências específicas, identificaremos o sistema e o autor.

O problema das tabelas compostas

Uma página moderna pode dizer:

planeta X;

signo Y;

metal Z;

carta de Tarô W;

planta A;

cor B.

A impressão é que existe uma tradição única por trás da tabela.

Frequentemente não existe.

Uma associação pode vir da Golden Dawn.

Outra de um autor do século XX.

Outra de um sistema demonolátrico contemporâneo.

Outra pode ter sido copiada de um site sem indicação de fonte.

Misturar tudo cria uma tradição artificial.

Nossa metodologia seguirá a cronologia.

Agares e o Shem HaMephorash

Sistemas ocultistas posteriores estabeleceram correspondências entre espíritos da Goetia e os chamados 72 nomes ou anjos do Shem HaMephorash.

Essas relações pertencem à recepção esotérica posterior.

Não aparecem na entrada original de Weyer como parte do perfil de Agares.

Portanto, qualquer contraparte angélica atribuída a Agares deve ser apresentada com o autor ou escola responsável.

Isso evita transformar correspondência moderna em estrutura renascentista.

A leitura contemporânea do Templo de Lúcifer

Depois de reconstruir a documentação, podemos desenvolver nossa própria leitura.

Para Agares, considero quatro atributos históricos particularmente férteis:

línguas;

movimento;

retorno;

queda das dignidades.

A questão da terra ou terremotos acrescenta ainda uma quinta dimensão, mas precisa ser tratada lembrando a variante textual existente.

A partir desses elementos, Agares pode ser interpretado contemporaneamente como uma figura relacionada à mobilidade consciente diante de sistemas que parecem estáveis.

Essa é uma interpretação do Templo.

Não uma doutrina atribuída a Weyer.

Agares e a capacidade de mover-se

A primeira questão é a estagnação.

Quantas vezes uma pessoa permanece numa situação apenas porque se acostumou a ela?

Um emprego.

Uma relação.

Uma crença.

Uma prática.

Uma forma de pensar.

Permanecer pode ser decisão consciente.

Também pode ser medo disfarçado de estabilidade.

O atributo tradicional de fazer mover aqueles que estão parados permite uma reflexão sobre o momento em que estabilidade deixa de ser estrutura e se transforma em imobilidade.

Agares e a capacidade de retornar

O movimento contrário é igualmente importante.

Nem toda fuga é liberdade.

Às vezes deixamos algo porque realmente precisamos partir.

Outras vezes saímos apenas para evitar o desconforto necessário de enfrentar um problema.

Trazer o fugitivo de volta pode ser reinterpretado, simbolicamente, como a exigência de retornar àquilo que continua pendente.

Uma conversa não feita.

Uma responsabilidade ignorada.

Uma decisão adiada.

Um erro que precisa ser corrigido.

A autonomia não consiste apenas em saber partir.

Também exige saber quando voltar.

Línguas e mudança de perspectiva

A segunda dimensão é a linguagem.

Conhecer apenas uma linguagem — literal ou metaforicamente — pode limitar aquilo que conseguimos perceber.

Aprender outra língua nos obriga a compreender que uma mesma realidade pode ser organizada de maneira diferente.

Dentro da filosofia do Templo, Agares pode representar essa capacidade de tradução.

Não apenas entre português e inglês, latim ou qualquer outro idioma.

Também entre perspectivas.

História e religião.

Ciência e simbolismo.

Experiência e documentação.

Tradição e modernidade.

Traduzir não significa tornar tudo igual.

Significa criar uma ponte sem apagar diferenças.

A tradução também pode deformar

Curiosamente, a própria história textual de Agares oferece um exemplo dessa questão.

O latim de Weyer e o inglês de Scot não produzem exatamente a mesma imagem quando tratam dos “espíritos da terra” e dos “terremotos”.

Uma tradução ajudou a consolidar um atributo que posteriormente entrou na Goetia.

Isso torna Agares especialmente apropriado para pensar a responsabilidade da linguagem.

Traduzir é poder.

Uma escolha de palavra pode alterar a maneira como gerações inteiras compreendem um texto.

Dignidade e impermanência do status

A queda das dignidades introduz outra reflexão.

Status parece sólido enquanto existe.

Cargo.

Título.

Prestígio.

Número de seguidores.

Reputação.

Poder institucional.

Tudo isso pode desaparecer.

Se nossa identidade depende completamente da posição externa, a perda do título também ameaça aquilo que pensamos ser.

Nesse sentido, Agares pode simbolizar a diferença entre autoridade concedida externamente e competência construída internamente.

Uma pode ser retirada.

A outra exige trabalho.

Não confundir destruição de dignidades com ataque a pessoas

Uma leitura moderna responsável não deve transformar o atributo tradicional numa autorização para desejar prejuízo profissional, religioso ou social a terceiros.

A fonte descreve determinado ofício dentro de uma cosmologia mágica histórica.

Nossa leitura filosófica pode trabalhar o conceito de queda de status sem incentivar perseguição ou dano.

O ponto mais interessante não é:

“Como destruir a posição de alguém?”

É:

“Quanto da minha identidade depende de uma posição que pode desaparecer?”

O terremoto como imagem de instabilidade

Quando utilizamos a tradição inglesa de terremotos como material simbólico, surge outra metáfora poderosa.

Um terremoto não cria apenas movimento.

Ele revela fragilidades estruturais.

Uma construção preparada responde de uma maneira.

Uma estrutura deficiente responde de outra.

Podemos utilizar essa imagem para pensar crenças, instituições e projetos.

Algumas estruturas parecem sólidas apenas porque nunca foram testadas.

Uma crise revela aquilo que já estava frágil.

Essa interpretação pertence ao Templo.

Não ao texto de Weyer.

Estrutura e flexibilidade

Nesse sentido, Agares dialoga de maneira interessante com Focalor e Amdusias.

Focalor permite pensar forças externas e resiliência.

Amdusias permite pensar escuta, criação e flexibilidade.

Agares introduz movimento de posição.

O que fazemos quando a estrutura que parecia permanente começa a mover-se?

Tentamos fingir que nada está acontecendo?

Entramos em pânico?

Ou ajustamos nossa posição?

Essa é uma questão muito mais útil que transformar a ideia de terremoto numa promessa de poder sobrenatural.

O crocodilo numa interpretação contemporânea

Se quisermos desenvolver simbolismo para a aparência, podemos fazê-lo conscientemente.

O crocodilo pode representar, dentro de nossa leitura, capacidade de permanecer imóvel por longos períodos e agir no momento adequado.

Ele combina potência e economia de movimento.

Essa leitura conversa diretamente com o tema central de Agares.

Movimento consciente não significa movimento permanente.

Existe também o momento de esperar.

Essa interpretação é moderna.

A ave de rapina numa interpretação contemporânea

A ave na mão pode ser utilizada como símbolo de atenção direcionada.

Uma ave treinada não voa aleatoriamente.

Existe orientação.

Objetivo.

Retorno.

Novamente encontramos uma relação interessante com os atributos textuais de Agares:

partir;

buscar;

retornar.

Mas essa síntese pertence à nossa interpretação.

As fontes não oferecem essa explicação.

O homem idoso numa interpretação contemporânea

Da mesma maneira, a idade pode ser interpretada como experiência acumulada.

Não porque Weyer diga explicitamente isso, mas porque culturas frequentemente associam velhice e experiência.

Numa leitura luciferiana, isso permite equilibrar movimento e memória.

Mudar não significa esquecer tudo aquilo que aprendemos.

Um movimento inteligente utiliza experiência anterior.

Caso contrário, mudança torna-se apenas repetição de erros em outro lugar.

Agares como símbolo da transição consciente

Se precisássemos resumir nossa leitura contemporânea numa expressão, seria esta:

transição consciente.

Saber quando permanecer.

Quando mover-se.

Quando retornar.

Como comunicar-se durante a mudança.

Como lidar com perda de posição.

Como revisar estruturas quando elas tremem.

Isso cria um conjunto filosófico coerente construído sobre os atributos da fonte sem fingir que o autor do século XVI escreveu essa filosofia.

Agares não precisa “dar fluência”

Outro cuidado contemporâneo.

Uma tradição pode acreditar que Agares auxilie espiritualmente no aprendizado de idiomas.

Essa é uma crença religiosa legítima dentro da tradição que a adota.

Mas não devemos vender a ideia de que invocação substitua estudo.

Aprender uma língua continua envolvendo exposição, prática, vocabulário, compreensão, repetição e uso.

Uma prática espiritual pode acompanhar o processo.

Não precisa competir com aprendizagem real.

Poder mágico e responsabilidade intelectual

Essa regra pode ser aplicada a todos os atributos.

Se o texto associa Agares a línguas, estudamos línguas.

Se associa a movimento, refletimos sobre decisão e ação.

Se associa a dignidades, estudamos poder e instituições.

Se associa a terra, podemos pensar estabilidade e mudança.

A espiritualidade não precisa funcionar como desculpa para evitar aquilo que o próprio símbolo poderia nos incentivar a compreender concretamente.

O que sabemos com razoável segurança

Agares aparece como o segundo espírito na Pseudomonarchia Daemonum e permanece como nº 2 na Ars Goetia.

Recebe o título de Duque.

Está associado ao Leste.

Surge na forma de um homem idoso montado sobre um crocodilo e carregando uma ave de rapina.

Ensina línguas.

Faz mover aqueles que permanecem e traz fugitivos de volta.

Está relacionado à queda de dignidades.

A tradição inglesa associa-o a terremotos, enquanto o latim de Weyer apresenta uma formulação literalmente relacionada aos espíritos da terra dançando.

O texto afirma que pertenceu à ordem das Virtudes.

Governa 31 legiões.

E possui variantes nominais documentadas como Agaros e Agaret.

O que permanece incerto

Não conhecemos uma etimologia segura de Agares.

Não sabemos por que exatamente sua aparência combina homem idoso, crocodilo e ave.

Não possuímos documentação suficiente para identificá-lo como antiga divindade pagã específica.

Não podemos atribuir automaticamente cada correspondência astrológica, cabalística ou de Tarô ao núcleo histórico.

Não sabemos o significado original de cada traço de seu selo.

E o método histórico não determina se Agares existe objetivamente como entidade espiritual.

Essas questões pertencem a diferentes campos de investigação.

Perguntas frequentes sobre Agares

Quem é Agares?

Agares é o segundo espírito da Ars Goetia e já aparece como segundo espírito da Pseudomonarchia Daemonum de Johann Weyer.

Qual é a hierarquia de Agares?

Duque.

Agares está ligado ao Leste?

Sim. Weyer o apresenta como o primeiro Duque sob o poder do Oriente, e a Goetia mantém sua relação com o Leste.

Como Agares aparece?

Como um homem idoso de aparência favorável montado sobre um crocodilo e carregando uma ave de rapina na mão.

Quantas legiões ele governa?

Agares ensina línguas?

Essa é uma das atribuições mais consistentes entre Weyer, Scot e a Ars Goetia.

Agares pode trazer fugitivos de volta?

Essa capacidade também aparece de forma consistente na tradição textual.

O que significa fazer os parados correrem?

Historicamente, é uma faculdade atribuída ao espírito. Interpretações psicológicas sobre sair da estagnação são modernas.

Agares causa terremotos?

Scot e a Ars Goetia utilizam essa interpretação. O latim de Weyer é mais literalmente associado a “fazer os espíritos da terra dançarem”, mostrando uma interessante diferença de transmissão.

Agares destrói dignidades?

As fontes atribuem-lhe capacidade de derrubar ou remover posições e dignidades, apresentadas na Goetia como espirituais e temporais.

Agares foi um anjo?

A tradição afirma que ele pertenceu à ordem das Virtudes. Isso é uma afirmação da cosmologia demonológica da fonte, não uma biografia historicamente verificável de uma entidade sobrenatural.

Qual é a origem do nome Agares?

Permanece incerta.

Agaros é Agares?

Agaros aparece como variante textual do nome em testemunhos relacionados.

E Agaret?

Também aparece como variante manuscrita.

Agares era uma divindade antiga?

Não existe atualmente documentação suficiente para identificá-lo com segurança como divindade antiga específica.

Agares é Sobek?

Não há evidência histórica suficiente. A comparação surge principalmente por causa do crocodilo.

Agares possui relação com o Egito antigo?

Não existe genealogia egípcia demonstrada pelas fontes centrais.

Agares está na Bíblia?

Não como o espírito demonológico descrito por Weyer e pela Goetia.

Agares aparece no Grand Grimoire?

Sim. Na tradição do Grand Grimoire, ele aparece entre os espíritos inferiores e é colocado, juntamente com Bael e Marbas, sob autoridade de Lucifuge Rofocale.

Agares é subordinado a Lucifuge?

Nesse sistema específico, sim. A Ars Goetia utiliza outra organização.

Qual é o planeta de Agares?

A entrada histórica central não fornece uma correspondência planetária única. Tabelas modernas precisam ser atribuídas aos sistemas que as produziram.

Qual é o signo de Agares?

O signo não pertence à descrição básica de Weyer ou da Goetia. Correspondências zodiacais são posteriores.

Qual é a carta de Tarô de Agares?

As fontes centrais não fornecem carta de Tarô. Essa associação pertence a sistemas ocultistas posteriores.

Agares é originalmente luciferiano?

Não no sentido contemporâneo. Correntes luciferianas modernas podem reinterpretá-lo dentro de seus sistemas.

A perspectiva do Templo de Lúcifer

Dentro do Templo, Agares pode ser interpretado como uma figura ligada à linguagem, movimento, retorno e impermanência das posições de poder.

Essa leitura não substitui a documentação histórica.

Nasce dela.

Seu domínio das línguas nos permite pensar comunicação e tradução.

Seu poder sobre aqueles que permanecem ou fogem introduz a questão do movimento consciente.

A queda das dignidades lembra que autoridade externa pode desaparecer.

E a própria transformação textual de “espíritos da terra dançando” em “terremotos” demonstra como linguagem altera conhecimento.

Há algo particularmente apropriado nisso.

Um Daemon associado a línguas possui uma história cuja própria identidade foi moldada pela tradução.

Esse fato talvez seja mais interessante que qualquer correspondência inventada.

Conclusão

Agares é uma das figuras mais estáveis da transmissão que liga Johann Weyer à Ars Goetia.

Ele ocupa a segunda posição em ambos os catálogos.

Permanece Duque.

Continua relacionado ao Oriente.

Mantém a aparência do velho montado no crocodilo com uma ave de rapina.

Continua ensinando línguas.

Continua ligado ao movimento de pessoas, retorno de fugitivos, queda de dignidades e 31 legiões.

A própria estabilidade torna as diferenças ainda mais instrutivas.

O famoso terremoto da Goetia nos mostra que um detalhe pode mudar durante a tradução.

As variantes Agares, Agaros e Agaret mostram que até nomes aparentemente fixos possuem história manuscrita.

Sua presença posterior no Grand Grimoire, agora inserido sob Lucifuge Rofocale, demonstra que hierarquias demonológicas também podem ser reorganizadas.

E suas correspondências modernas mostram como séculos posteriores continuaram acrescentando novas camadas.

Dentro da interpretação contemporânea do Templo de Lúcifer, Agares pode ser lido como uma figura da transição consciente.

Não basta mover-se.

É preciso saber por quê.

Não basta fugir.

É preciso saber se algo precisa ser retomado.

Não basta possuir um título.

É preciso reconhecer que títulos podem desaparecer.

Não basta falar.

É preciso aprender a compreender outras linguagens.

E talvez exista uma lição particularmente adequada na própria história documental de Agares:

uma palavra traduzida de outra maneira pode modificar séculos de tradição.

Conhecimento exige, portanto, mais do que repetir aquilo que recebemos.

Exige retornar à fonte.

Comparar.

Traduzir cuidadosamente.

Identificar diferenças.

E mudar de posição quando a evidência mostra que aquilo que parecia estável precisava ser revisto.

Leituras relacionadas

Para compreender o conjunto em que Agares está inserido, consulte Os 72 Daemons da Ars Goetia: lista completa, história, hierarquia e guia.

Leia também Bael: história, origem e tradição do 1º espírito da Ars Goetia, que ocupa a posição imediatamente anterior e compartilha com Agares a relação textual com o Leste.

Para entender a hierarquia alternativa em que Agares aparece subordinado a Lucifuge, consulte Lucifuge Rofocale: origem, Grand Grimoire, história e significado.

Também recomendamos Como diferenciar espiritualidade séria de fantasia esotérica, especialmente para compreender por que distinguimos documentação histórica, tradição religiosa e interpretação contemporânea.

Referências e leituras para aprofundamento

WEYER, Johann. Pseudomonarchia Daemonum. A entrada de Agares apresenta-o como primeiro Duque sob o poder do Oriente, na forma de um homem idoso montado num crocodilo com uma ave na mão; atribui-lhe línguas, movimento de fugitivos, queda de dignidades, relação com os espíritos da terra, ordem das Virtudes e 31 legiões.

SCOT, Reginald. The Discoverie of Witchcraft. 1584. Importante transmissão inglesa do catálogo de Weyer. A tradução ajuda a explicar a consolidação da associação de Agares com terremotos.

PETERSON, Joseph H. Edição comparativa da Pseudomonarchia Daemonum e do Lemegeton. Fundamental para variantes como Agaros e Agaret, comparação de manuscritos e análise da transformação textual entre Weyer, Scot e a Ars Goetia.

MATHERS, S. L. MacGregor; CROWLEY, Aleister. The Book of the Goetia of Solomon the King. 1904. Edição extremamente influente na recepção moderna, apresentando Agares como o segundo espírito da sequência goética.

COLLIN DE PLANCY, Jacques. Dictionnaire Infernal. 6ª ed. Paris, 1863. Preserva Agares — Aguarès — como grande duque oriental e mantém sua reconhecível representação montada num crocodilo com ave de rapina.

DAVIES, Owen. Grimoires: A History of Magic Books. Oxford University Press, 2009. Referência para compreender o contexto mais amplo de circulação, transmissão e transformação dos grimórios europeus.

TEMPLO DE LÚCIFER. Os 72 Daemons da Ars Goetia: lista completa, história, hierarquia e guia.

TEMPLO DE LÚCIFER. Bael: história, origem e tradição do 1º espírito da Ars Goetia.

TEMPLO DE LÚCIFER. Lucifuge Rofocale: origem, Grand Grimoire, história e significado.

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72 DaemonsAgaresDaemonLuciferLuciferianismo
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Emrys

Emrys é autor, editor e pesquisador responsável pelo Templo de Lúcifer. Seu trabalho concentra-se em Luciferianismo, história das religiões, demonologia, simbolismo, ocultismo e esoterismo, com ênfase na análise e contextualização de fontes. Conheça o autor e a metodologia editorial →

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