Skip to content
-
Faça Parte
Templo de Lúcifer Cropped Logoblucifer Templo de Lúcifer Cropped Logoblucifer Templo de Lúcifer

Luciferianismo, História e Filosofia

Templo de Lúcifer Cropped Logoblucifer Templo de Lúcifer Cropped Logoblucifer Templo de Lúcifer

Luciferianismo, História e Filosofia

  • Início
  • Comece Aqui
    • O que é Luciferianismo?
    • Como começar no Luciferianismo
    • Diferença entre Luciferianismo, Satanismo e Demonolatria
  • Biblioteca
    • Luciferianismo
    • Demonologia e Goetia
    • Práticas Luciferianas
    • Esoterismo e Ocultismo
    • História das Religiões
  • Livros
    • Baphomet: História, Iconografia, Divindade e Iniciação na Perspectiva Luciferiana
    • Luciferianismo: O Caminho do Portador da Luz
  • Autor
    • Sobre Emrys
    • Política Editorial e Metodologia de Pesquisa
  • Serviços
    • Missa Luciferiana
    • Consulta com o Tarot oracular de Lúcifer
  • Faça Parte
  • Contato
  • Início
  • Comece Aqui
    • O que é Luciferianismo?
    • Como começar no Luciferianismo
    • Diferença entre Luciferianismo, Satanismo e Demonolatria
  • Biblioteca
    • Luciferianismo
    • Demonologia e Goetia
    • Práticas Luciferianas
    • Esoterismo e Ocultismo
    • História das Religiões
  • Livros
    • Baphomet: História, Iconografia, Divindade e Iniciação na Perspectiva Luciferiana
    • Luciferianismo: O Caminho do Portador da Luz
  • Autor
    • Sobre Emrys
    • Política Editorial e Metodologia de Pesquisa
  • Serviços
    • Missa Luciferiana
    • Consulta com o Tarot oracular de Lúcifer
  • Faça Parte
  • Contato
Close

Search

Home/Biblioteca/Demonologia/72 Daemons da Ars Goetia/Cimejes — História, Simbolismo E Tradição Do 66º Espírito Da Ars Goetia
Templo de Lúcifer Cimejes
72 Daemons da Ars Goetia

Cimejes — História, Simbolismo E Tradição Do 66º Espírito Da Ars Goetia

By Emrys
abril 20, 2026
0

Cimejes ocupa a posição de 66º espírito da Ars Goetia e recebe o título de Grande e Poderoso Marquês. Também aparece nas fontes e na literatura posterior sob formas como Cimeies, Cimeries e Kimaris. Sua imagem goética é a de um guerreiro valente montado sobre um belo cavalo negro. Suas atribuições combinam formação intelectual, descoberta de coisas ocultas e transformação marcial: ensina perfeitamente gramática, lógica e retórica, revela tesouros e objetos perdidos ou escondidos e pode fazer uma pessoa assumir a aparência de um guerreiro semelhante a ele.

Outra característica chama imediatamente a atenção. Tanto Johann Weyer quanto a tradição goética relacionam Cimeries a determinadas partes da África, atribuindo-lhe autoridade sobre espíritos dessa região. A frase tornou-se uma das características mais repetidas da entidade, mas precisa ser apresentada com precisão. Weyer escreve que Cimeries governa “nas partes africanas”. O manuscrito Sloane 3825 também possui uma passagem sobre os espíritos existentes nas partes da África. As fontes não identificam países, populações, religiões ou culturas africanas específicas, nem explicam por que essa geografia foi associada à personagem. Qualquer teoria moderna que transforme essa breve referência numa origem africana concreta precisa, portanto, apresentar evidências adicionais.

A história de Cimejes também começa consideravelmente antes da Ars Goetia. No manuscrito latino Clm 849, produzido no século XV e atualmente preservado na Bayerische Staatsbibliothek, encontramos uma figura chamada Tvueries. Joseph H. Peterson identifica explicitamente Tvueries como correspondente medieval de Cimeries, enquanto a edição de Richard Kieckhefer revela uma descrição extraordinariamente próxima: é um Marquês que aparece como cavaleiro sobre cavalo negro, ensina o trivium, revela tesouros e outras coisas ocultas e governa trinta legiões. Tvueries possui ainda uma capacidade que desaparecerá depois, a de fazer uma pessoa atravessar mares e rios rapidamente.

Essa comparação torna Cimejes particularmente importante para a história da Goetia. Sua figura não surgiu repentinamente no século XVII. O cavaleiro negro, o ensino de gramática, lógica e retórica, a descoberta do oculto e a ligação geográfica com a África já possuem antecedentes no século XV. Ao mesmo tempo, a transmissão modifica alguns elementos de maneira significativa. As trinta legiões de Tvueries tornam-se vinte em Weyer. A capacidade de atravessar mares e rios desaparece. Em seu lugar surge uma curiosa transformação na aparência de soldado. Mais tarde, a Ars Goetia volta a apresentar o próprio espírito explicitamente como um guerreiro valente.

TVUERIES NO MANUAL DE MUNIQUE

O chamado Manual de Munique de Magia Demoníaca, conhecido pela identificação catalográfica Clm 849, contém uma pequena série de espíritos cujos nomes e funções correspondem de maneira impressionante a personagens posteriormente encontrados em Johann Weyer.

Entre essas correspondências estão Volach e Valac, Gaeneron e Gremory, Hanni e Amy e, no caso atual:

Tvueries e Cimeries.

A correspondência é explicitamente indicada na comparação publicada por Joseph H. Peterson.

Tvueries já recebe categoria de Marquês. Sua aparência é militar. Surge como cavaleiro e monta um cavalo extremamente negro. A descrição medieval também lhe atribui domínio sobre gramática, lógica e retórica, exatamente as três disciplinas que mais tarde constituirão o núcleo intelectual de Cimeries.

Além disso, revela tesouros escondidos e outras coisas ocultas.

A continuidade funcional é extraordinária.

O TRIVIUM JÁ ESTÁ PRESENTE NO SÉCULO XV

Gramática, lógica e retórica não constituem uma combinação aleatória.

Essas três disciplinas formavam tradicionalmente o trivium, uma das estruturas fundamentais da educação medieval.

A gramática ensinava o domínio estruturado da linguagem. A lógica, frequentemente relacionada à dialética, organizava o raciocínio e a argumentação. A retórica tratava da capacidade de construir e comunicar discursos de maneira eficaz.

Depois do trivium vinha o quadrivium, composto por aritmética, geometria, música e astronomia.

Assim, Tvueries e posteriormente Cimeries não são simplesmente descritos como espíritos que “ensinam algumas matérias”. Sua esfera intelectual corresponde a uma estrutura educacional clássica extremamente reconhecível.

TVUERIES NÃO POSSUI EXATAMENTE A MESMA FUNÇÃO MARCIAL DE CIMERIES

Aqui ocorre uma das diferenças mais interessantes da transmissão.

Tvueries já aparece como:

cavaleiro.

Entretanto, sua capacidade especial não consiste em transformar outra pessoa em soldado.

Ele consegue fazer alguém atravessar:

mares e rios rapidamente.

Essa função desaparece em Weyer.

Em seu lugar, a Pseudomonarchia Daemonum afirma que Cimeries pode fazer uma pessoa parecer transformada rapidamente:

em soldado.

A linguagem relacionada à velocidade permanece.

A função, porém, muda.

Esse detalhe sugere que alguma transformação textual ocorreu entre as tradições, embora as fontes atualmente disponíveis não permitam determinar exatamente como ou por quê.

30 LEGIÕES TORNAM-SE 20

Tvueries governa:

30 legiões.

Cimeries em Weyer governa:

20.

A Ars Goetia mantém:

20.

Collin de Plancy também:

20.

Portanto, a grande alteração numérica acontece entre o antecedente medieval e Weyer. Depois disso, vinte torna-se extremamente estável.

Esse padrão novamente demonstra por que os números de legiões precisam ser tratados como elementos textuais de cada testemunha e não como quantidades imutáveis desde a origem da personagem.

CIMERIES Nº 60 EM JOHANN WEYER

Na sequência normalizada da Pseudomonarchia Daemonum, Cimeries ocupa a posição:

nº 60.

Seu título é:

Grande e Forte Marquês.

Weyer afirma que governa em determinadas regiões ou partes africanas. Em seguida apresenta suas três disciplinas centrais:

gramática,

lógica,

retórica.

Cimeries ensina as três:

perfeitamente.

Também descobre tesouros e revela coisas ocultas. Pode fazer uma pessoa parecer rapidamente transformada em soldado, cavalga um grande cavalo negro e governa vinte legiões.

WEYER NÃO DIZ EXPLICITAMENTE QUE CIMERIES APARECE COMO GUERREIRO

Esse é um detalhe importante.

Grande parte dos resumos modernos afirma que Weyer descreve Cimeries como um guerreiro montado em cavalo negro.

A descrição latina de Weyer não formula exatamente dessa maneira.

Ele diz que Cimeries:

cavalga um grande cavalo negro.

Depois afirma que pode fazer uma pessoa parecer transformada em soldado.

Não há, na breve entrada, uma frase independente declarando que a própria aparência de Cimeries seja necessariamente a de um guerreiro.

Isso produz uma trajetória iconográfica curiosa.

Tvueries medieval aparece como cavaleiro.

Weyer conserva o cavalo, mas não explicita da mesma maneira a aparência militar do espírito.

A Goetia volta a apresentá-lo claramente como:

valente soldado.

O GRANDE CAVALO NEGRO

A montaria constitui uma das características mais estáveis da tradição.

Tvueries já possui cavalo negro.

Weyer descreve um:

grande cavalo negro.

A Ars Goetia utiliza uma formulação elogiosa equivalente a:

belo ou magnífico cavalo negro.

Collin de Plancy posteriormente fala em:

grande palafrém negro.

UM PALAFRÉM NÃO É NECESSARIAMENTE UM CAVALO DE GUERRA

A formulação de Collin de Plancy merece atenção.

Historicamente, um palafrém era uma montaria valorizada para deslocamento e cerimônia e não necessariamente o cavalo pesado utilizado diretamente em batalha.

Assim, quando Collin chama a montaria de Cimeries de palefroi noir, cria uma nuance diferente da imagem moderna de um enorme cavalo infernal de guerra.

Essa diferença é pequena, mas demonstra novamente como escolhas de vocabulário alteram a iconografia.

A COR NEGRA É ANTIGA

Ao contrário de muitos espíritos cuja cor da montaria foi acrescentada posteriormente, o cavalo negro de Cimeries possui tradição antiga.

Tvueries já é relacionado a uma montaria extremamente negra.

Weyer preserva.

Goetia preserva.

Collin de Plancy preserva.

Essa consistência transforma a cor negra numa das características iconográficas mais sólidas de Cimejes.

O CAVALO NÃO POSSUI NOME

Nenhuma das principais fontes fornece nome próprio para a montaria.

Nomes utilizados por sistemas modernos devem ser tratados como acréscimos posteriores.

CIMERIES NÃO É UM CENTAURO

Outra reconstrução artística ocasional funde cavaleiro e cavalo numa única criatura.

As fontes não fazem isso.

A estrutura é clara:

Cimeries é o cavaleiro ou personagem associado à montaria.

O cavalo é uma entidade corporal separada.

DE Nº 60 PARA Nº 66

A Ars Goetia reorganiza Cimeries como:

nº 66.

O deslocamento é de seis posições.

A identidade funcional, entretanto, permanece extraordinariamente próxima de Weyer.

Título de Marquês.

Cavalo negro.

África.

Gramática.

Lógica.

Retórica.

Tesouros.

Coisas ocultas.

Transformação militar.

Vinte legiões.

Poucos elementos fundamentais se perdem.

CIMEIES NO SLOANE 3825

O manuscrito Sloane 3825 utiliza uma forma próxima de:

Cimeies.

Essa grafia tornou-se uma das variantes goéticas importantes.

Outras transmissões e edições produzem:

Cimejes,

Cimeries,

Kimaris.

A multiplicidade não implica quatro entidades independentes.

O conjunto das descrições demonstra uma única tradição textual.

A FORMA CIMEJES

Cimejes é uma das grafias atualmente mais difundidas, especialmente em listas modernas derivadas da Goetia.

Entretanto, o nome de Weyer é:

Cimeries.

Para um artigo historicamente rigoroso, vale apresentar ambos.

Cimejes é a forma usada no título da sequência goética moderna.

Cimeries é fundamental para reconstruir a tradição renascentista.

KIMARIS

Kimaris tornou-se particularmente popular em sistemas ocultistas mais recentes e em diversas obras de cultura popular.

É uma variante legítima da tradição moderna do nome.

Não deve, entretanto, ser projetada sobre o manuscrito medieval como se Tvueries já fosse escrito dessa maneira.

A ETIMOLOGIA CONTINUA INCERTA

Diversas tentativas modernas procuram interpretar Kimaris ou Cimeries através de:

hebraico,

egípcio,

grego,

latim

ou outros sistemas linguísticos.

Nenhuma dessas hipóteses possui cadeia documental suficientemente segura para funcionar como etimologia histórica definitiva.

A presença de Tvueries no século XV torna a situação ainda mais complexa.

Se a forma ancestral conhecida é significativamente diferente, qualquer etimologia construída exclusivamente sobre “Kimaris” precisa ser tratada com cautela.

CIMEJES NA ARS GOETIA

Na Ars Goetia, a personagem passa a ser descrita explicitamente como:

um guerreiro valente.

Esse guerreiro monta:

um belo cavalo negro.

Seu título é apresentado como um Marquês grande, poderoso e forte.

Ele governa espíritos localizados nas partes da África, ensina perfeitamente gramática, retórica e lógica, descobre tesouros e coisas perdidas ou escondidas, consegue fazer uma pessoa parecer um soldado semelhante a ele e governa vinte legiões.

A GOETIA REINTRODUZ A APARÊNCIA MILITAR

Esse detalhe cria uma conexão interessante com Tvueries.

No manuscrito medieval:

o próprio espírito aparece como cavaleiro.

Em Weyer:

essa descrição explícita enfraquece, embora o cavalo continue e a transformação em soldado seja introduzida.

Na Goetia:

Cimeies volta a ser explicitamente um soldado ou guerreiro valente.

A iconografia medieval retorna.

“VALIANT SOLDIER”

A formulação inglesa significa:

guerreiro valente,

soldado corajoso,

combatente de grande valor.

Não significa necessariamente que Cimejes use:

armadura medieval completa,

elmo,

escudo,

lança.

A fonte não fornece esses detalhes.

Representações com armaduras específicas são escolhas artísticas.

A ARMA NÃO É INFORMADA

Apesar de sua aparência de guerreiro, a entrada goética não determina uma arma obrigatória.

Não existe ali uma referência necessária a:

espada,

lança,

machado,

arco.

Por isso, qualquer armamento específico pertence à iconografia posterior.

CIMEJES NÃO É CLASSIFICADO COMO ESPÍRITO DA GUERRA

A aparência militar não deve ser confundida com seu ofício.

Sua principal função não consiste em:

provocar guerras,

destruir cidades,

matar adversários.

Seu perfil é predominantemente:

educacional,

investigativo,

transformacional.

Isso o diferencia claramente de Andras, Glasya-Labolas e outras figuras associadas diretamente à violência.

GRAMÁTICA

A primeira disciplina do trivium é a gramática.

No contexto medieval, gramática significava muito mais que simplesmente corrigir erros de ortografia.

Ela envolvia conhecimento estruturado da linguagem e, tradicionalmente, forte domínio do latim.

Era uma ferramenta fundamental para acessar textos acadêmicos, jurídicos, religiosos e filosóficos.

Cimejes é, portanto, apresentado como professor de uma competência central para todo o sistema educacional de seu período.

LÓGICA

A lógica organiza relações entre proposições, inferências e argumentos.

Em contextos medievais, podia aparecer sob a categoria de dialética.

A presença dessa disciplina aproxima Cimejes de um tipo de formação que envolve:

análise,

distinção,

argumentação.

Ele não é apenas uma figura militar.

É também um professor de raciocínio estruturado.

RETÓRICA

A terceira disciplina é a retórica.

Retórica envolve construção e apresentação eficaz do discurso.

Assim, o conjunto pode ser resumido como uma formação em:

linguagem,

raciocínio,

comunicação.

Essa tríade torna Cimejes particularmente interessante quando comparado a Naberius, Ronove e Forneus, que também possuem funções ligadas à retórica e à linguagem.

CIMEJES ENSINA O TRIVIUM COMPLETO

Essa é uma distinção importante.

Naberius enfatiza retórica e artes.

Ronove trabalha com retórica e línguas.

Forneus trabalha com retórica, reputação e línguas.

Cimejes apresenta explicitamente:

gramática,

lógica,

retórica.

Ou seja, o conjunto completo do trivium.

O TRIVIUM COMO BASE DO PENSAMENTO FORMAL

Historicamente, as três disciplinas formavam uma preparação para estudos mais avançados.

Primeiro aprender a compreender e organizar a linguagem.

Depois aprender a raciocinar.

Depois aprender a comunicar aquilo que foi pensado.

Essa sequência continua intelectualmente relevante.

TESOUROS

Cimeries descobre:

tesouros.

Essa função já aparece em Tvueries e permanece até a Goetia.

Não existe indicação de que crie riqueza do nada.

Seu papel é:

descobrir.

COISAS OCULTAS

Weyer acrescenta ou preserva uma categoria mais ampla:

occulta.

Coisas ocultas.

Isso significa que sua função investigativa ultrapassa tesouros materiais.

Pode revelar aquilo que permanece escondido.

COISAS PERDIDAS

A Ars Goetia amplia explicitamente essa função para:

things lost or hidden.

Coisas:

perdidas

ou

escondidas.

Essa é uma diferença importante em relação à formulação de Weyer, que destaca tesouros e coisas ocultas.

A Goetia transforma Cimejes numa figura de recuperação, não apenas descoberta.

PERDIDO E ESCONDIDO SÃO CATEGORIAS DIFERENTES

Algo perdido pode não ter sido deliberadamente ocultado.

Algo escondido possui uma relação específica com visibilidade.

Essa diferença amplia simbolicamente a esfera de Cimejes.

Encontrar aquilo que ninguém sabe onde está.

Encontrar aquilo que alguém não quer que seja visto.

São problemas diferentes.

CIMEJES E VALAC

Valac também localiza tesouros ocultos.

Cimejes, porém, acrescenta:

coisas perdidas,

trivium,

transformação militar.

Valac acrescenta:

serpentes.

Os dois compartilham a função de descoberta, mas seus perfis gerais são muito diferentes.

CIMEJES E PURSON

Purson possui capacidade muito mais ampla relacionada a coisas escondidas e tesouros, além de passado, presente, futuro e questões cosmológicas.

Cimejes possui uma área intelectual mais definida.

Ele é professor do trivium.

CIMEJES E GREMORY

Gremory também revela tesouros escondidos.

Sua tradição, porém, inclui conhecimento temporal e relações amorosas.

Cimejes permanece mais próximo de:

educação,

investigação,

disciplina militar.

A TRANSFORMAÇÃO EM SOLDADO

Weyer fornece uma das frases mais curiosas da entrada.

Cimeries pode fazer uma pessoa parecer:

transformada rapidamente em soldado.

A Goetia reformula essa atribuição dizendo que pode fazer uma pessoa parecer:

um soldado de sua própria semelhança.

Essa é uma transformação visual ou aparente dentro da linguagem da obra.

A FONTE DIZ “PARECER”

Isso merece atenção.

Weyer utiliza uma construção envolvendo:

videatur, “pareça” ou “seja visto como”.

A Goetia também usa linguagem equivalente a:

make a man seem like a soldier.

Portanto, a formulação pode indicar alteração de aparência ou percepção, não necessariamente uma transformação ontológica completa do corpo.

NÃO DEVEMOS AFIRMAR QUE CIMEJES TRANSFORMA BIOLOGICAMENTE UMA PESSOA

A fonte é mais cuidadosa.

Faz parecer soldado.

Esse tipo de nuance diferencia Cimejes de outras transformações goéticas descritas com linguagem mais direta.

SOLDADO DE SUA PRÓPRIA SEMELHANÇA

A versão goética acrescenta uma ideia particularmente interessante:

o soldado pode parecer:

como o próprio Cimejes.

Isso reforça retroativamente sua própria aparência militar.

O espírito não apenas cria uma aparência genérica.

Produz um reflexo de seu modelo guerreiro.

A FUNÇÃO MEDIEVAL ERA DIFERENTE

Tvueries não apresenta essa transformação.

Em vez disso, faz uma pessoa atravessar:

mares

e

rios

muito rapidamente.

A mudança é notável.

Velocidade de deslocamento torna-se velocidade de transformação.

A linguagem relacionada à rapidez sobrevive.

O resultado muda.

COLLIn DE PLANCY REINTERPRETA A PASSAGEM

No século XIX ocorre uma nova transformação textual.

Collin de Plancy afirma que Cimeries:

torna o homem leve na corrida

e

dá aos burgueses a aparência ou postura garbosa dos militares.

Essa versão parece decompor os componentes da frase mais antiga.

A velocidade transforma-se em capacidade de correr.

A transformação em soldado torna-se aquisição de aparência militar.

É uma leitura particularmente interessante da tradição.

“BURGUESES” NÃO APARECEM EM WEYER

Essa categoria é uma elaboração de Collin de Plancy.

Weyer fala simplesmente:

do homem.

A Goetia também.

A referência específica aos burgueses pertence ao século XIX.

CIMEJES NÃO TRANSFORMA AUTOMATICAMENTE ALGUÉM EM GUERREIRO COMPETENTE

A tradição fala principalmente de aparência.

Isso é diferente de:

treinamento militar,

força física,

habilidade de combate.

Alguns resumos modernos transformam “parecer soldado” em “tornar-se guerreiro extraordinário”.

Essa expansão ultrapassa a formulação principal.

A ÁFRICA

A referência às “partes africanas” é uma das características mais enigmáticas de Cimeries.

Weyer escreve:

imperans in partibus Africanis.

Ou seja, governando:

nas partes africanas.

A Goetia preserva uma versão muito semelhante.

O manuscrito Sloane 3825 apresenta uma pequena variação textual em “part/parts”, enquanto outros manuscritos comparados por Peterson concordam com Weyer na leitura plural:

parts.

NÃO É PRECISO TRADUZIR COMO “GOVERNA TODA A ÁFRICA”

Essa é uma ampliação frequente em páginas modernas.

Weyer não diz literalmente:

“todo o continente africano”.

Também não afirma governar:

todos os povos africanos.

A formulação é muito mais limitada:

governa em partes ou regiões africanas.

A GOETIA FALA EM ESPÍRITOS

Na tradição goética, a frase é interpretada como autoridade sobre:

espíritos

existentes nessas partes da África.

Isso é diferente de afirmar governo sobre populações humanas.

A distinção precisa ser preservada.

QUAIS PARTES DA ÁFRICA?

A fonte não informa.

Não encontramos na entrada nomes como:

Egito,

Etiópia,

Magrebe,

Núbia,

Congo,

Guiné.

Qualquer identificação específica seria especulação.

CIMEJES POSSUI ORIGEM AFRICANA?

A frase de Weyer não demonstra isso.

Governar em determinada região não significa necessariamente ter surgido nela.

Não existe na principal entrada uma genealogia que diga:

Cimeries nasceu,

foi cultuado

ou

originou-se

na África.

NÃO HÁ BASE DOCUMENTAL PARA IDENTIFICÁ-LO COM UMA DIVINDADE AFRICANA ESPECÍFICA

O interesse moderno pela passagem geográfica produziu diferentes tentativas de conectar Kimaris a divindades egípcias ou africanas.

Essas teorias precisam de documentação intermediária.

A breve referência de Weyer às partes africanas não é suficiente para demonstrar uma origem religiosa concreta.

A ÁFRICA NOS MAPAS MENTAIS EUROPEUS

Para autores europeus medievais e renascentistas, “África” também funcionava dentro de estruturas geográficas, bíblicas e clássicas herdadas da Antiguidade e da Idade Média.

A presença do continente num catálogo demonológico deve ser compreendida dentro desse ambiente textual antes de receber interpretações modernas.

A entrada, entretanto, é curta demais para determinar exatamente qual concepção geográfica seu compilador possuía em mente.

CIMEJES EM COLLIN DE PLANCY

O Dictionnaire Infernal apresenta Cimeriès como um grande e poderoso demônio e Marquês do império infernal.

Sua relação com a África é preservada.

Também preserva:

gramática,

lógica,

retórica,

tesouros,

coisas ocultas,

cavalo negro,

vinte legiões.

Mas a transformação militar é reinterpretada.

Cimeriès torna uma pessoa rápida na corrida e oferece aos civis uma aparência marcial ou militar.

COLLIn DE PLANCY NÃO ALTERA O NÚMERO DE LEGIÕES

Aqui há forte estabilidade.

Weyer:

Scot:

Goetia:

Collin de Plancy:

A única divergência importante conhecida na linhagem antiga é Tvueries:

CIMEJES NÃO POSSUI ANTIGA ORDEM ANGELICAL INFORMADA

Weyer não afirma que Cimeries pertenceu a:

Serafins,

Querubins,

Tronos,

Dominações,

Virtudes,

Potestades,

Principados,

Arcanjos

ou

Anjos.

A Ars Goetia também não acrescenta essa informação.

Portanto, qualquer antiga classificação celestial pertence a sistemas posteriores.

CIMEJES APARECE NA BÍBLIA?

Não.

Cimejes, Cimeries, Cimeies, Kimaris e Tvueries não aparecem como personagens demonológicas identificáveis nas Escrituras canônicas.

Sua tradição documentada pertence à literatura mágica europeia.

CIMEJES ERA UMA DIVINDADE ANTIGA?

Nenhuma divindade específica foi demonstrada documentalmente como sua origem.

A referência à África não autoriza automaticamente uma derivação:

egípcia,

cartaginesa,

núbia

ou de qualquer outra tradição.

É necessário distinguir comparação simbólica de genealogia histórica.

O SELO DE CIMEJES

A Ars Goetia associa ao espírito nº 66 um selo específico.

Esse desenho tornou-se elemento fundamental das representações modernas de Cimejes.

Tvueries, entretanto, já existia no século XV.

Weyer também possui Cimeries sem apresentar o conhecido sigilo goético em sua entrada.

Assim, a personagem é documentalmente:

mais antiga que o selo atualmente associado a ela.

O SELO NÃO COMPROVA A ORIGEM AFRICANA

Alguns sistemas modernos procuram interpretar formas do sigilo como símbolos geográficos, planetários ou culturais.

Não existe documentação suficiente para utilizar o desenho como prova de origem africana.

CORRESPONDÊNCIAS MODERNAS

Posteriormente, ocultistas associaram Cimeries ou Kimaris a:

decanatos,

signos,

cartas de Tarô,

planetas,

anjos,

números

e grafias hebraizadas.

Essas correspondências pertencem a sistematizações posteriores e não devem ser misturadas silenciosamente com o Cimeries de Weyer ou o Tvueries medieval.

KIMARIS NA CULTURA OCULTISTA MODERNA

A grafia Kimaris ganhou forte circulação em sistemas contemporâneos.

Isso demonstra mais uma vez como a forma mais popular de um nome não precisa ser a mais antiga.

Para compreender a personagem historicamente, a sequência:

Tvueries → Cimeries → Cimeies/Cimejes → Kimaris

é mais informativa que escolher uma única grafia como se todas as épocas a utilizassem.

INTERPRETAÇÃO SIMBÓLICA DE CIMEJES

Separada da reconstrução documental, Cimejes apresenta uma combinação simbólica excepcionalmente coerente.

Ele une:

linguagem,

lógica,

retórica,

descoberta,

disciplina militar,

movimento.

Esses elementos permitem interpretá-lo como figura da organização intelectual transformada em capacidade de ação.

Essa interpretação é autoral e não constitui doutrina explícita dos grimórios.

GRAMÁTICA COMO ESTRUTURA

Gramática organiza linguagem.

Sem estrutura, palavras podem existir e ainda assim não produzir significado claro.

O mesmo princípio vale para muitos sistemas.

Dados sem estrutura são difíceis de utilizar.

Processos sem estrutura tornam-se inconsistentes.

CIMEJES COMO SÍMBOLO DA COMUNICAÇÃO PRECISA

Num ambiente profissional, uma explicação tecnicamente correta pode falhar se estiver:

confusa,

mal organizada,

ambígua.

Clareza é competência.

A LÓGICA COMO VERIFICAÇÃO

Lógica pergunta se a conclusão realmente decorre das premissas.

Esse princípio é essencial em investigação.

Um servidor caiu depois de uma atualização.

Isso não prova automaticamente que a atualização causou a falha.

É necessário demonstrar a relação.

CORRELAÇÃO NÃO É CAUSA

Essa distinção parece elementar.

Mesmo assim, erros de diagnóstico frequentemente começam exatamente aí.

RETÓRICA COMO TRANSMISSÃO

Uma conclusão correta precisa ser comunicada de maneira compreensível.

Especialistas trabalham com públicos diferentes.

Técnicos.

Gestores.

Clientes.

Cada um precisa receber a informação em linguagem adequada.

CIMEJES COMO SÍMBOLO DA COMUNICAÇÃO TÉCNICA

Uma vulnerabilidade crítica pode ser explicada tecnicamente em termos de:

CVE,

RCE,

privilégios.

Para a gestão, talvez seja necessário explicar:

impacto,

probabilidade,

custo,

prioridade.

A verdade é a mesma.

A retórica organiza sua apresentação.

RETÓRICA NÃO PRECISA SIGNIFICAR MANIPULAÇÃO

Retórica pode ser utilizada para enganar.

Também pode ser utilizada para explicar bem.

A ética está no uso.

CIMEJES COMO SÍMBOLO DO TRIVIUM MODERNO

Uma adaptação contemporânea poderia representar o trivium da seguinte maneira:

gramática:

compreender linguagem e estrutura.

lógica:

avaliar raciocínio.

retórica:

comunicar conclusão.

Essas três competências continuam fundamentais em praticamente qualquer profissão baseada em conhecimento.

O GUERREIRO COMO DISCIPLINA

A aparência militar permite uma interpretação adicional.

Um bom guerreiro, no sentido simbólico, não depende apenas de força.

Precisa de:

preparação,

disciplina,

estratégia,

controle.

Essa leitura combina surpreendentemente bem com o trivium.

CIMEJES NÃO REPRESENTA APENAS FORÇA

Sua própria tradição coloca educação antes ou ao lado da aparência militar.

Isso produz uma figura em que:

pensamento

e

ação

não estão separados.

SABER E AGIR

Uma pessoa pode compreender perfeitamente um problema e ainda não executar a solução.

Outra pode agir rapidamente sem compreender aquilo que está fazendo.

Profissionalismo exige os dois.

CIMEJES COMO SÍMBOLO DA PRONTIDÃO

A transformação em soldado pode ser interpretada simbolicamente como passagem de:

observador

para

agente preparado.

Não basta conhecer a situação.

É necessário estar pronto para agir.

APARÊNCIA NÃO É COMPETÊNCIA

Ao mesmo tempo, a própria formulação histórica contém uma advertência.

Cimeries faz alguém:

parecer soldado.

Isso não significa necessariamente:

ser soldado.

Essa diferença oferece uma metáfora particularmente valiosa.

UNIFORME NÃO CRIA HABILIDADE

Um título não cria competência.

Uma certificação não cria automaticamente experiência.

Uma ferramenta não cria especialista.

A aparência precisa ser acompanhada de capacidade real.

CIMEJES COMO SÍMBOLO DO PROFISSIONALISMO AUTÊNTICO

Parecer preparado e estar preparado são coisas diferentes.

A melhor formação aproxima as duas.

CIMEJES COMO SÍMBOLO DA PESQUISA

A função de encontrar tesouros e coisas ocultas aproxima a personagem de investigação.

Pesquisa consiste frequentemente em localizar algo que não está imediatamente visível.

Documento.

Padrão.

Causa.

Evidência.

O TESOURO PODE SER INFORMAÇÃO

Numa interpretação contemporânea, o valor escondido não precisa ser material.

Pode ser:

conhecimento,

dado,

evidência,

oportunidade.

CIMEJES COMO SÍMBOLO DA RECUPERAÇÃO DE INFORMAÇÃO

A Goetia acrescenta especificamente:

coisas perdidas.

Esse detalhe permite uma metáfora ainda mais atual.

Informação existe.

O problema é localizá-la.

BUSCA É UMA COMPETÊNCIA

Saber pesquisar documentação, logs, bancos de dados e arquivos pode ser tão importante quanto memorizar informação.

CIMEJES COMO SÍMBOLO DA FORENSE DIGITAL

Uma investigação forense procura:

arquivos,

vestígios,

atividades,

relações.

Frequentemente, aquilo que importa está:

perdido

ou

escondido.

ENCONTRAR NÃO BASTA

A lógica entra depois.

O artefato realmente prova aquilo que pensamos?

A gramática entra para compreender seu conteúdo.

A retórica entra para apresentar a conclusão.

A combinação do trivium com descoberta torna Cimejes simbolicamente muito adequado ao trabalho investigativo.

CIMEJES COMO SÍMBOLO DO OSINT

Pesquisa em fontes abertas exige exatamente essas competências.

Encontrar informação.

Avaliar relação.

Organizar.

Comunicar.

MUITO DADO NÃO É O MESMO QUE INTELIGÊNCIA

O valor surge quando dados são interpretados corretamente.

CIMEJES COMO SÍMBOLO DO TROUBLESHOOTING

Diagnóstico técnico segue estrutura semelhante.

Sintoma.

Evidência.

Hipótese.

Teste.

Conclusão.

Comunicação.

A lógica é central.

CIMEJES COMO SÍMBOLO DO LOG ANALYSIS

Logs podem conter “tesouros” de informação escondidos em grandes volumes de texto.

Encontrar a linha certa é apenas o início.

É necessário compreender contexto.

CIMEJES COMO SÍMBOLO DA DOCUMENTAÇÃO

A gramática e retórica também apontam para uma competência frequentemente subestimada:

escrever bem.

Documentação ruim aumenta dependência de indivíduos.

Documentação clara transforma conhecimento pessoal em patrimônio compartilhado.

CIMEJES COMO SÍMBOLO DO RUNBOOK

Um runbook bem escrito transforma experiência em procedimento.

Isso aproxima:

linguagem

e

ação.

Exatamente a combinação encontrada simbolicamente em Cimejes.

CIMEJES COMO SÍMBOLO DA RESPOSTA A INCIDENTES

Incidentes exigem disciplina quase militar.

Papéis claros.

Comunicação.

Prioridades.

Execução.

Mas também exigem análise.

A combinação é muito próxima de sua estrutura simbólica.

AGIR RÁPIDO NÃO SIGNIFICA AGIR SEM PENSAR

Velocidade sem método pode ampliar o incidente.

TVUERIES E O MOVIMENTO RÁPIDO

O antecedente medieval atravessa mares e rios rapidamente.

Essa antiga função permite outra leitura simbólica.

Capacidade de atravessar obstáculos.

O rio representa barreira.

O mar representa distância.

Tvueries supera ambos.

CIMERIES TRANSFORMA MOVIMENTO EM PREPARAÇÃO MILITAR

A mudança textual é curiosamente coerente em termos simbólicos.

No manuscrito medieval:

movimento rápido.

Em Weyer:

transformação rápida em soldado.

Nos dois casos existe:

prontidão.

CIMEJES COMO SÍMBOLO DA ADAPTAÇÃO RÁPIDA

Ambientes profissionais mudam.

Um especialista precisa conseguir assumir novos contextos sem abandonar fundamentos.

RAPIDEZ NÃO DEVE SACRIFICAR PRECISÃO

Esse equilíbrio é fundamental.

Velocidade.

Lógica.

As duas pertencem simbolicamente ao mesmo personagem.

CIMEJES E A ÁFRICA COMO LIMITE DA INTERPRETAÇÃO

A referência geográfica também oferece uma lição metodológica.

Existe um fato documental:

“partes da África”.

Existe uma pergunta:

por quê?

A fonte não responde.

NÃO PREENCHER O SILÊNCIO DA FONTE COM CERTEZA INVENTADA

Essa regra é fundamental em pesquisa histórica.

Podemos construir hipóteses.

Precisamos chamá-las de hipóteses.

CIMEJES COMO SÍMBOLO DA DISCIPLINA NA PESQUISA

O pesquisador precisa reconhecer:

o que sabe,

o que infere,

o que permanece desconhecido.

Essa separação é uma forma de rigor lógico.

CIMEJES COMO SÍMBOLO DA ARGUMENTAÇÃO PROFISSIONAL

A melhor conclusão é aquela que outra pessoa consegue examinar.

Fonte.

Evidência.

Raciocínio.

Conclusão.

Isso torna a análise auditável.

CIMEJES COMO SÍMBOLO DA CAPACIDADE DE EXPLICAR

Conhecimento que não pode ser comunicado possui alcance limitado.

Uma pessoa pode resolver um problema.

Uma boa explicação permite que uma equipe aprenda.

ENSINAR MULTIPLICA CONHECIMENTO

Essa dimensão combina diretamente com a função pedagógica de Cimeries.

Ele:

ensina.

Não apenas responde.

CIMEJES COMO SÍMBOLO DA FORMAÇÃO DO ANALISTA

Um analista profissional precisa dominar três etapas semelhantes ao trivium.

Ler corretamente.

Pensar corretamente.

Explicar corretamente.

CIMEJES E ANDREALPHUS

Andrealphus trabalha com:

geometria,

mensuração,

astronomia,

argumentação.

Cimejes trabalha com:

gramática,

lógica,

retórica.

Juntos, simbolicamente, representam duas partes importantes da educação clássica.

Estrutura quantitativa.

Estrutura linguística.

CIMEJES E VAPULA

Vapula representa ofício e aplicação técnica.

Cimejes representa linguagem e raciocínio.

Um profissional completo precisa frequentemente de ambos.

CIMEJES E NABERIUS

Naberius possui especial relação com retórica.

Cimejes possui retórica dentro de uma estrutura mais ampla que inclui lógica e gramática.

A diferença é importante.

CIMEJES E RONOVE

Ronove também oferece retórica e conhecimento de línguas.

Cimejes não enfatiza línguas diferentes.

Enfatiza a estrutura intelectual do trivium.

CIMEJES E FORNEUS

Forneus torna alguém excelente em retórica e concede conhecimento linguístico e reputação.

Cimejes oferece um perfil mais acadêmico e analítico.

CIMEJES E VALAC

Valac revela tesouros e ameaças serpentinas.

Cimejes revela tesouros e coisas ocultas, além de preparar intelectualmente.

Um representa descoberta e contenção.

O outro descoberta e formação.

CIMEJES E ANDRAS

Andras utiliza a figura militar para representar discórdia e violência.

Cimejes utiliza a figura militar enquanto possui funções predominantemente intelectuais.

Isso mostra por que aparência nunca deve substituir leitura do ofício.

CIMEJES EXISTE?

Historicamente, existe uma tradição textual muito clara.

No século XV temos:

Tvueries.

Depois encontramos:

Cimeries em Johann Weyer e Reginald Scot.

No Lemegeton aparece:

Cimeies, além de variantes relacionadas.

Posteriormente circulam:

Cimejes

e

Kimaris.

Essa continuidade pode ser estudada objetivamente através dos documentos.

A existência objetiva de uma entidade sobrenatural correspondente às descrições é uma questão diferente e não é demonstrada apenas pela existência dos manuscritos.

POR QUE CIMEJES É IMPORTANTE PARA O ESTUDO DA GOETIA?

Cimejes é especialmente importante porque sua tradição permite observar uma continuidade medieval excepcional.

No século XV já encontramos em Tvueries:

Marquês.

Cavaleiro.

Cavalo negro.

Gramática.

Lógica.

Retórica.

Tesouros.

Coisas ocultas.

Trinta legiões.

Apenas algumas funções mudam substancialmente.

Tvueries consegue atravessar mares e rios rapidamente.

Weyer elimina essa atribuição.

Em seu lugar surge a capacidade de fazer uma pessoa parecer rapidamente transformada em soldado.

As trinta legiões tornam-se vinte.

Weyer também deixa de afirmar explicitamente que o próprio Cimeries aparece como cavaleiro, embora conserve o grande cavalo negro.

A Ars Goetia reintroduz claramente:

o guerreiro valente.

Preserva o cavalo.

Preserva o trivium.

Preserva os tesouros.

Amplia as coisas ocultas para:

coisas perdidas ou escondidas.

Preserva vinte legiões.

Acrescenta seu selo.

Collin de Plancy reorganiza novamente o material.

O cavalo vira palafrém negro.

A transformação militar é dividida em duas capacidades.

Cimeries torna alguém rápido na corrida e concede aos civis um porte militar.

Cada versão mantém a identidade.

Cada versão também a modifica.

FICHA HISTÓRICA DE CIMEJES

  • Nome usado neste artigo: Cimejes. Forma principal em Weyer: Cimeries. Outras variantes importantes: Cimeies, Kimaris e Tvueries. Antecedente medieval: Tvueries, Clm 849, século XV. Título: Grande e Forte/Poderoso Marquês. Posição em Weyer: nº 60. Posição na Ars Goetia: nº 66. Forma medieval: cavaleiro montado em cavalo negro. Forma goética: valente guerreiro sobre belo cavalo negro. Disciplinas: gramática, lógica e retórica. Funções investigativas: revelar tesouros, coisas ocultas e, na Goetia, coisas perdidas ou escondidas. Função medieval desaparecida: atravessar mares e rios rapidamente. Função de Weyer/Goetia: fazer uma pessoa parecer soldado ou guerreiro. Geografia: autoridade associada a partes da África. Legiões de Tvueries: 30. Legiões em Weyer: 20. Legiões na Goetia: 20. Legiões em Collin de Plancy: 20. Antiga ordem angelical: não informada. Origem bíblica: não documentada. Origem africana religiosa específica: não demonstrada. Etimologia: incerta. Selo: desenvolvimento da tradição goética posterior.

CONCLUSÃO

Cimejes ocupa a posição nº 66 da Ars Goetia, mas sua tradição documentada começa muito antes do Lemegeton.

No século XV já encontramos:

Tvueries.

Não possuímos apenas um nome semelhante.

Possuímos uma personagem reconhecível.

Marquês.

Cavaleiro.

Cavalo negro.

Gramática.

Lógica.

Retórica.

Tesouros.

Coisas escondidas.

Trinta legiões.

E uma função que posteriormente desaparecerá:

atravessar mares e rios com extrema rapidez.

Johann Weyer transforma essa tradição em:

Cimeries nº 60.

O título permanece.

O cavalo permanece.

O trivium permanece.

Os tesouros permanecem.

As coisas ocultas permanecem.

Mas as trinta legiões tornam-se:

vinte.

E a travessia acelerada de mares e rios desaparece.

Em seu lugar encontramos uma nova capacidade:

fazer uma pessoa parecer rapidamente transformada em:

soldado.

A mudança é especialmente curiosa porque uma parte da ideia de velocidade parece sobreviver enquanto seu resultado se transforma completamente.

A Ars Goetia reorganiza-o como:

Cimeies nº 66.

Agora sua aparência militar é novamente explícita.

Ele é:

um guerreiro valente.

Monta:

um belo cavalo negro.

A tradição goética também amplia sua função investigativa para coisas:

perdidas

e

escondidas.

A transformação em soldado permanece e passa a ser descrita como transformação na semelhança do próprio espírito.

As vinte legiões permanecem.

O selo aparece.

Collin de Plancy cria outra leitura no século XIX.

Seu Cimeriès monta um palafrém negro, continua ensinando o trivium e descobrindo o oculto, mas a estranha frase de Weyer sobre transformação rápida recebe uma interpretação diferente.

Agora Cimeriès:

torna as pessoas rápidas na corrida

e

lhes concede aparência militar.

Essas diferenças demonstram novamente que tradição não é repetição perfeita.

É transmissão.

E transmissão produz mudança.

Outro ponto essencial é a África.

A frase existe.

Não deve ser omitida.

Mas também não deve ser ampliada além daquilo que a fonte realmente afirma.

Weyer relaciona Cimeries a:

partes da África.

A Goetia preserva autoridade sobre espíritos nessas regiões.

Não existe explicação detalhada.

Não existe povo específico.

Não existe divindade africana identificada.

Não existe narrativa de origem.

Por isso, uma pesquisa responsável precisa manter exatamente esse limite.

Historicamente, Cimejes é uma das figuras mais intelectuais entre os espíritos de aparência militar.

Seu corpo narrativo é o de um guerreiro.

Seu principal currículo é:

o trivium.

Isso cria uma combinação muito mais sofisticada do que a simples imagem de um cavaleiro demoníaco.

A gramática organiza linguagem.

A lógica organiza pensamento.

A retórica organiza comunicação.

Depois vem a descoberta.

Tesouros.

Coisas ocultas.

Coisas perdidas.

E, finalmente, a aparência do soldado.

Simbolicamente, essa sequência pode ser interpretada como um modelo de preparação.

Primeiro:

compreender.

Depois:

raciocinar.

Depois:

comunicar.

Depois:

investigar.

Finalmente:

agir.

Nesse sentido, Cimejes não representa força sem pensamento.

Representa quase o contrário.

A ação é sustentada por estrutura intelectual.

Essa interpretação possui aplicação direta em tecnologia e segurança.

Um incidente exige rapidez.

Mas rapidez sem lógica pode produzir novos erros.

Uma investigação exige encontrar evidências.

Mas evidência sem interpretação pode ser mal compreendida.

Uma conclusão precisa ser comunicada.

Mas comunicação sem precisão pode criar decisão errada.

O profissional precisa combinar todas essas dimensões.

Há ainda uma lição especialmente importante na capacidade de fazer alguém:

parecer soldado.

A fonte não diz necessariamente que a pessoa se torna uma combatente competente.

Diz que parece.

Essa diferença permite uma interpretação moderna extremamente útil.

Parecer profissional não é o mesmo que ser profissional.

Possuir uma certificação não é o mesmo que dominar uma atividade.

Utilizar ferramentas sofisticadas não é o mesmo que compreender aquilo que elas fazem.

Vestir a aparência do especialista é fácil.

Construir competência exige:

estudo,

prática,

lógica,

comunicação,

experiência.

O verdadeiro desenvolvimento profissional acontece quando a aparência e a capacidade começam a coincidir.

A antiga função de Tvueries acrescenta uma dimensão complementar.

Ele atravessa obstáculos.

Mares.

Rios.

Depois a tradição transforma essa mobilidade em prontidão militar.

Em ambos os casos existe movimento.

Superar distância.

Mudar de estado.

Estar preparado.

Isso permite compreender Cimejes simbolicamente como uma personagem da transição entre conhecimento e ação.

O estudante aprende.

O analista investiga.

O especialista explica.

O profissional executa.

Historicamente, Cimejes permanece o Tvueries Marquês do Manual de Munique do século XV, consolidado como Cimeries nº 60 da Pseudomonarchia Daemonum e reorganizado como Cimeies/Cimejes nº 66 da Ars Goetia, ligado ao cavaleiro ou guerreiro sobre cavalo negro, ao ensino perfeito de gramática, lógica e retórica, à descoberta de tesouros e coisas ocultas, à transformação aparente em soldado, às partes da África e a uma tradição de 30 legiões em Tvueries e 20 em Weyer e na Goetia.

Simbolicamente, Cimejes pode representar uma regra especialmente valiosa para estudo, investigação e trabalho profissional:

conhecimento só se transforma em capacidade real quando linguagem, raciocínio e comunicação deixam de ser disciplinas isoladas e passam a trabalhar juntas para descobrir aquilo que está oculto, compreender corretamente o que foi encontrado e transformar compreensão em ação disciplinada.

REFERÊNCIAS HISTÓRICAS E DOCUMENTAIS

KIECKHEFER, RICHARD. — Forbidden Rites: A Necromancer’s Manual of the Fifteenth Century. Estudo e edição do manuscrito Clm 849. A tabela comparativa preserva Tvueries como Marquês, cavaleiro sobre cavalo negro, professor do trivium, revelador de tesouros e coisas ocultas, capaz de fazer uma pessoa atravessar rapidamente mares e rios e governante de trinta legiões.
Forbidden Rites — JSTOR / Penn State University Press

PETERSON, JOSEPH H. — edição da Pseudomonarchia Daemonum. Peterson registra explicitamente Tvueries → Cimeries entre as correspondências do Clm 849 e apresenta o texto latino e a tradução histórica da entrada nº 60 de Weyer.
Pseudomonarchia Daemonum — edição de Joseph H. Peterson

WEYER, JOHANN. — Pseudomonarchia Daemonum. Fonte central para Cimeries nº 60. Apresenta-o como Grande e Forte Marquês, governando em partes africanas, professor perfeito de gramática, lógica e retórica, descobridor de tesouros e coisas ocultas, capaz de fazer uma pessoa parecer rapidamente transformada em soldado, montado sobre grande cavalo negro e governando vinte legiões.

SCOT, REGINALD. — The Discoverie of Witchcraft, 1584. A tradição inglesa preserva Cimeries como Grande e Forte Marquês, a referência às partes da África, o trivium, tesouros, coisas ocultas, transformação em soldado, grande cavalo negro e vinte legiões.
The Discoverie of Witchcraft — textos mágicos do Livro XVI

BRITISH LIBRARY, SLOANE MS 3825 — Ars Goetia. Reorganiza a personagem como Cimeies nº 66. Apresenta-a explicitamente como valente guerreiro montado sobre belo cavalo negro, preserva o domínio relacionado às partes da África, gramática, retórica, lógica e vinte legiões e amplia a função investigativa para tesouros e coisas perdidas ou escondidas. A edição comparativa de Peterson também registra que outros manuscritos apoiam a leitura plural “parts” da passagem africana.
Ars Goetia — edição comparativa de Joseph H. Peterson

COLLIN DE PLANCY, JACQUES. — Dictionnaire Infernal, 6ª edição, 1863, verbete “Cimeriès”. Apresenta Cimeriès como Grande e Poderoso Marquês, preserva a relação africana, gramática, lógica, retórica, tesouros, coisas ocultas e vinte legiões. Reinterpreta a transformação militar ao afirmar que torna as pessoas leves na corrida e concede aos burgueses um porte militar, mantendo-o montado sobre grande palafrém negro.
Dictionnaire Infernal — Cimeriès

Tags:

72 DaemonsCimejesKhepriKimarisLuciferianismo
Author

Emrys

Emrys é autor, editor e pesquisador responsável pelo Templo de Lúcifer. Seu trabalho concentra-se em Luciferianismo, história das religiões, demonologia, simbolismo, ocultismo e esoterismo, com ênfase na análise e contextualização de fontes. Conheça o autor e a metodologia editorial →

Follow Me
Other Articles
Templo de Lúcifer Andrealphus
Previous

Andrealphus — História, Simbolismo E Tradição Do 65º Espírito Da Ars Goetia

Templo de Lúcifer Amdusias
Next

Amdusias: história, música e simbolismo do 67º espírito da Ars Goetia

No Comment! Be the first one.

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

  • Atendimento Espiritual e Ritualístico
  • Aviso Legal e Limitação de Responsabilidade
  • Como o Templo de Lúcifer Aborda o Luciferianismo
  • Política de Privacidade
  • Código de ética
  • Política de Doações
  • Política Editorial e Metodologia de Pesquisa
  • Termo de Uso
  • Transparência
  • Rituais
Templo de Lúcifer. All rights reserved.
[email protected]
Copyright 2026 — Templo de Lúcifer . All rights reserved.
DMCA.com Protection Status
Utilizamos cookies para melhorar sua experiência. Ao aceitar, você concorda com nossa política de privacidade. Saiba mais