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Home/Biblioteca/Demonologia/72 Daemons da Ars Goetia/Vual — História, Simbolismo E Tradição Do 47º Espírito Da Ars Goetia
Templo de Lúcifer Vual
72 Daemons da Ars Goetia

Vual — História, Simbolismo E Tradição Do 47º Espírito Da Ars Goetia

By Emrys
abril 19, 2026
0

Vual ocupa a posição de 47º espírito da Ars Goetia e recebe o título de Grande, Poderoso e Forte Duque. Também é encontrado sob variantes como Uvall, Voval, Vuall, Wal e, numa tradição manuscrita relacionada, Ryall. Sua descrição reúne uma aparência animal incomum, transformação em forma humana, conhecimento do passado, presente e futuro, capacidade de favorecer relações entre pessoas e uma origem angelical explicitamente associada à ordem das Potestades, ou Powers.

À primeira vista, Vual parece relativamente simples quando comparado a entidades como Vine, Bifrons ou Shax. Sua entrada é curta, suas funções são poucas e sua caracterização apresenta grande estabilidade entre Johann Weyer e a Ars Goetia. Entretanto, uma comparação cuidadosa revela alterações importantes.

Em Weyer, Vual ocupa a posição nº 66. Na Goetia, passa para nº 47. Weyer afirma que, em forma humana, fala a língua egípcia com voz grave ou profunda. A Goetia transforma essa informação e passa a dizer que ele fala egípcio “não perfeitamente”. Weyer e a Goetia concordam em atribuir-lhe 37 legiões, mas Collin de Plancy posteriormente registra apenas 36. Além disso, uma tradição manuscrita preservada no Folger V.b.26 apresenta Ryall, uma figura extremamente próxima de Vual, associada ao dromedário, ao amor, à amizade e à transformação das relações com inimigos.

Vual é, portanto, um excelente exemplo de personagem que parece permanecer estável, mas cuja identidade muda em detalhes decisivos quando passamos de uma fonte para outra.

VUAL NA ARS GOETIA

Na Ars Goetia, Vual é o 47º espírito. O Sloane 3825 apresenta-o como um Grande e Poderoso Duque que surge inicialmente sob a forma de um grande dromedário. Depois de algum tempo assume aparência humana e fala aquilo que o manuscrito chama de língua egípcia, acrescentando que não o faz perfeitamente.

Sua função é favorecer o amor das mulheres, revelar acontecimentos passados, presentes e futuros e produzir amizade entre amigos e inimigos. O texto também afirma que Vual pertenceu anteriormente à ordem das Potestades e governa 37 legiões de espíritos. A Goetia ainda acrescenta seu selo próprio, elemento inexistente na descrição impressa de Weyer.

Quase todos esses elementos já existiam antes da Goetia. A principal diferença não está nas funções fundamentais, mas na maneira como algumas palavras foram reinterpretadas.

DE Nº 66 PARA Nº 47

Johann Weyer apresenta Vual muito próximo do final de sua Pseudomonarchia Daemonum. Ele aparece como o espírito §66, imediatamente antes de Haagenti, Phoenix e Stolas.

Na reorganização do Lemegeton, Vual sofre um deslocamento enorme e passa a ocupar a posição:

nº 47.

A comparação fica:

Weyer: nº 66.

Ars Goetia: nº 47.

Poucos espíritos desta parte do catálogo são deslocados tanto.

Essa alteração demonstra novamente que a numeração dos 72 espíritos não deve ser projetada retrospectivamente como se sempre tivesse acompanhado cada entidade. Vual não era originalmente “o demônio nº 47” na tradição impressa de Weyer. O número 47 pertence à organização posterior da Goetia.

VUAL, VUALL, WAL, UVALL OU VOVAL?

As grafias variam significativamente.

A edição de Weyer utilizada por Peterson apresenta:

Vual.

A tradução de Reginald Scot registra:

Vuall.

Uma edição das obras completas de Weyer de 1660 registra:

Wal.

Na tradição goética aparecem principalmente:

Vual

e, nas edições posteriores:

Uvall

e:

Voval.

A tabela comparativa dos manuscritos da Goetia mostra essa diversidade de maneira bastante clara.

Não há razão documental para tratar esses nomes como espíritos independentes.

São variantes pertencentes à mesma linhagem textual.

A ETIMOLOGIA DE VUAL

Ao contrário de Bifrons, cujo nome possui significado latino claro, Vual não apresenta uma etimologia segura.

As formas:

Vual,

Vuall,

Wal,

Uvall,

Voval,

Ryall

demonstram que o nome sofreu considerável instabilidade durante sua transmissão.

Existem tentativas modernas de relacioná-lo a palavras de línguas muito diferentes apenas pela semelhança sonora. Esse método não é suficiente para estabelecer etimologia histórica.

Para demonstrar uma origem seria necessário reconstruir uma sequência documental ou linguística plausível entre formas mais antigas e posteriores.

No caso de Vual, essa cadeia permanece incerta.

Por isso, a formulação historicamente mais responsável é simples:

o significado original do nome Vual não é conhecido com segurança.

VUAL EM JOHANN WEYER

A entrada latina de Weyer é curta, mas extraordinariamente importante porque quase toda a descrição posterior deriva dela.

Vual é classificado como:

Dux magnus & fortis.

Grande e Forte Duque.

Ele aparece como:

um grande e terrível dromedário.

Depois assume forma humana.

Nessa forma, fala a língua egípcia com uma voz descrita pelo advérbio latino:

graviter.

Em seguida, Weyer afirma que Vual, mais que outros, favorece especialmente o amor das mulheres. Conhece acontecimentos presentes, passados e futuros e promove o favor ou amizade entre amigos e inimigos.

A entrada termina declarando que pertenceu à ordem das Potestades e governa 37 legiões.

A Goetia não precisou criar a identidade de Vual. Ela herdou praticamente toda a personagem.

REGINALD SCOT PRESERVA A VOZ GRAVE

Reginald Scot traduz a passagem de Weyer dizendo que Vual, quando assume forma humana:

fala a língua egípcia com uma:

base voice.

No inglês do período, a expressão indica uma voz baixa ou grave.

Essa tradução corresponde muito bem ao latim graviter.

Isso é importante porque permite reconstruir com bastante segurança a intenção da frase original.

Weyer não está avaliando a qualidade linguística de Vual.

Está descrevendo:

como sua voz soa.

A GOETIA TRANSFORMA A VOZ EM UM PROBLEMA DE IDIOMA

No Sloane 3825 ocorre uma mudança.

Vual continua falando a língua egípcia, mas o texto acrescenta:

“but not perfectly”

— “mas não perfeitamente”.

Joseph H. Peterson chama atenção diretamente para o problema e observa que essa leitura parece resultar de uma interpretação incorreta da frase latina de Weyer.

Temos então uma transformação muito clara:

Weyer: fala egípcio com voz grave.

Scot: fala egípcio com voz baixa ou profunda.

Goetia: fala egípcio, mas de maneira imperfeita.

É uma diferença pequena na aparência, mas enorme no significado.

VUAL NÃO FALA “EGÍPCIO RUIM” EM WEYER

Isso precisa ser enfatizado porque a versão goética tornou-se muito mais famosa.

Weyer não afirma que Vual:

comete erros gramaticais,

conhece pouco a língua,

fala com dificuldade,

ou possui vocabulário limitado.

Nada disso está no texto latino.

A característica original é vocal.

Vual possui uma voz grave.

E A FAMOSA NOTA SOBRE CÓPTICO?

Na edição Mathers/Crowley, a frase sobre a língua egípcia recebeu uma famosa nota editorial afirmando que Vual seria capaz de conversar em “Coptic”, isto é, copta. Essa observação não pertence à entrada antiga. Trata-se de comentário editorial da edição moderna.

Portanto, não devemos transformar essa nota em parte da tradição de Weyer ou do manuscrito original da Goetia.

A fonte antiga diz apenas:

língua egípcia.

Não apresenta uma classificação linguística moderna.

VUAL E A LÍNGUA EGÍPCIA

A referência é culturalmente interessante.

O Egito ocupou posição extremamente importante no imaginário esotérico europeu, especialmente por sua associação com sabedoria antiga, hieróglifos, Hermes Trismegisto e conhecimentos considerados primordiais.

Entretanto, a entrada de Vual não explica por que ele fala egípcio.

Não afirma que:

nasceu no Egito,

foi adorado por egípcios,

era uma divindade egípcia,

ou recebeu seus conhecimentos naquele país.

Qualquer narrativa dessa natureza seria posterior.

VUAL NÃO É UM DEUS EGÍPCIO DOCUMENTADO

A língua falada pela entidade não demonstra origem religiosa.

Uma personagem falar determinado idioma não significa ter sido divindade da cultura associada a esse idioma.

Não existe na principal tradição documental uma identificação segura de Vual com um deus egípcio específico.

Portanto, tentativas de relacioná-lo diretamente a:

Anúbis,

Set,

Thoth,

Amon,

ou outra divindade egípcia

precisam de evidência independente.

A entrada de Weyer não fornece essa ligação.

A FORMA DE DROMEDÁRIO

A primeira manifestação de Vual é uma das mais características de todo o catálogo.

Ele aparece como:

um grande e terrível dromedário.

Não como cavalo.

Não como camelo bactriano de duas corcovas.

Não como criatura híbrida com corpo humano.

A forma textual é especificamente:

dromedário.

A Goetia preserva essa imagem quase sem alteração.

POR QUE UM DROMEDÁRIO?

As fontes não explicam.

É tentador relacionar a forma animal à língua egípcia, pois o dromedário é fortemente associado às paisagens do Norte da África e do Oriente Médio.

Essa combinação cria uma imagem cultural coerente para um leitor europeu:

dromedário,

Egito,

língua estrangeira.

Mas coerência iconográfica não prova que essa tenha sido a intenção original do compilador.

Precisamos distinguir:

aquilo que combina simbolicamente

daquilo que podemos demonstrar historicamente.

O DROMEDÁRIO COMO ANIMAL DE VIAGEM

O dromedário possui uma característica simbólica especialmente interessante: resistência em longos deslocamentos por ambientes áridos.

Essa associação permite uma leitura moderna ligada a:

resistência,

perseverança,

travessia,

economia de recursos.

No entanto, nada disso aparece explicitamente como interpretação no grimório.

É possível utilizá-lo simbolicamente, desde que a leitura seja apresentada como contemporânea.

DA FORMA ANIMAL À FORMA HUMANA

Vual segue um padrão recorrente entre os espíritos goéticos.

Primeiro:

forma animal.

Depois:

forma humana.

Em Weyer, a passagem é relativamente direta. Ele surge como dromedário e, em forma humana, fala a língua egípcia.

Na Goetia, a transformação recebe maior desenvolvimento. O manuscrito diz que, depois de algum tempo, assume aparência humana.

A conhecida edição Mathers/Crowley acrescenta de maneira mais explícita que isso ocorre por comando do exorcista.

A FORMA HUMANA NÃO É DESCRITA

Não sabemos:

idade,

altura,

vestimenta,

cor dos cabelos,

barba,

armadura,

coroa,

traços faciais.

Representações modernas que apresentam Vual como:

príncipe oriental,

homem egípcio,

guerreiro,

nobre do deserto

são interpretações artísticas.

A fonte apenas registra:

forma humana.

RYALL NO MANUSCRITO FOLGER

Uma das conexões manuscritas mais importantes de Vual encontra-se no Folger V.b.26, conhecido modernamente através de estudos relacionados ao Book of Oberon.

Ali encontramos uma figura chamada:

Ryall.

A própria edição de Peterson relaciona essa personagem a Vual.

Ryall aparece entre os espíritos associados a Paimon.

Sua descrição afirma que, quando assume forma humana, consegue responder dúvidas e revelar coisas. Também pode:

conceder o amor das mulheres,

obter amigos,

mudar o coração dos inimigos,

e aparece como um dromedário.

Além disso, “fala tristemente” ou de maneira grave e solene.

As correspondências são extraordinárias.

RYALL E VUAL

Compare as duas figuras.

RYALL

Dromedário.

Forma humana.

Responde dúvidas.

Revela coisas.

Favorece o amor das mulheres.

Consegue amigos.

Muda o coração dos inimigos.

Fala de modo sombrio ou grave.

VUAL EM WEYER

Dromedário.

Forma humana.

Conhece presente, passado e futuro.

Favorece especialmente o amor das mulheres.

Produz favor entre amigos e inimigos.

Fala língua egípcia com voz grave.

A proximidade dificilmente pode ser ignorada.

RYALL É VUAL?

Peterson trata Ryall como correspondente de Vual na comparação dos Offices of Spirits. Além disso, a anotação moderna presente no próprio manuscrito o relaciona ao nº 65/66 da tradição de Vual.

Ainda assim, metodologicamente é útil falar em:

forma manuscrita relacionada ou antecedente paralelo.

Os nomes Ryall e Vual não são idênticos, mas suas funções são próximas demais para tratá-los como personagens completamente independentes.

RYALL PRESERVA UMA VOZ “TRISTE”

A descrição do Folger é particularmente interessante porque diz que Ryall:

speaketh sadely.

Essa formulação pode ser entendida como falar de maneira séria, grave ou sombria.

Isso se aproxima muito mais do graviter latino de Weyer que da leitura posterior:

“fala egípcio, mas não perfeitamente”.

Assim, a tradição de Ryall reforça a ideia de que o aspecto original estava relacionado ao tom da fala, não à incompetência linguística.

VUAL EM OUTRAS TESTEMUNHAS MANUSCRITAS

Peterson observa ainda que uma lista no manuscrito Additional 36674 inclui Vual entre um pequeno conjunto de espíritos. Os nomes nessa testemunha aproximam-se das formas encontradas em Scot, mesmo quando as descrições aparecem em latim.

Isso confirma que Vual não depende exclusivamente da impressão da Pseudomonarchia Daemonum.

Seu nome e tradição circularam em manuscritos relacionados aos chamados Offices of Spirits.

O LIVRE DES ESPERITZ E UMA CONFUSÃO COM “VAAL”

Existe uma cautela importante.

O Livre des esperitz possui uma figura chamada Vaal ou forma semelhante. Entretanto, a comparação de Jean-Patrice Boudet relaciona esse Vaal ao posterior Balam, não a Vual. Na mesma tabela, Vual aparece separadamente como o nº 66 de Weyer.

Portanto, não é seguro afirmar simplesmente:

“Vaal do Livre des esperitz é Vual.”

A semelhança do nome pode induzir ao erro.

No estado atual da documentação, o paralelo manuscrito mais forte para Vual é Ryall, não o Vaal medieval relacionado a Balam.

O AMOR DAS MULHERES

Uma das principais funções de Vual é descrita por Weyer de maneira particularmente enfática.

Ele favorece:

especialmente o amor das mulheres.

A Goetia mantém a ideia e escreve que sua função é:

procure the love of women.

Esse elemento permaneceu estável durante séculos.

VUAL É UM ESPÍRITO DE AMOR?

Essa classificação é parcialmente correta, mas simplifica sua entrada.

Vual atua sobre:

amor,

amizade,

reconciliação,

conhecimento temporal.

Portanto, descrevê-lo exclusivamente como “demônio do amor” apaga uma parte importante de suas funções.

Uma formulação mais precisa seria:

Grande Duque associado a vínculos afetivos, reconciliação e conhecimento do passado, presente e futuro.

“AMOR DAS MULHERES” NÃO SIGNIFICA UMA DOUTRINA UNIVERSAL SOBRE RELACIONAMENTOS

A fonte é muito curta.

Não explica:

como a relação surge,

se envolve casamento,

se envolve atração,

se é permanente,

se existe reciprocidade espontânea.

Ela simplesmente atribui ao espírito a capacidade de favorecer o amor.

Por isso, sistemas modernos que constroem uma psicologia detalhada de Vual vão além da informação histórica disponível.

RYALL E A CONTINUIDADE DA FUNÇÃO AMOROSA

A descrição de Ryall reforça a antiguidade dessa característica dentro da linhagem manuscrita relacionada.

Ryall:

“can give love of women”.

Isso demonstra que a relação com amor não é uma adição tardia da Goetia.

Já existia numa testemunha manuscrita próxima à tradição de Weyer.

VUAL E A AMIZADE ENTRE AMIGOS E INIMIGOS

A segunda função relacional é ainda mais interessante.

Weyer afirma que Vual concede favor:

a amigos e inimigos.

Scot traduz isso em termos de:

amor de amigos e inimigos.

A Goetia utiliza:

friendship between friends and foes.

A ideia geral permanece:

Vual consegue transformar relações sociais.

AMIZADE ENTRE AMIGOS PARECE REDUNDANTE?

À primeira vista, sim.

Por que seria necessário produzir amizade entre pessoas que já são amigas?

A expressão provavelmente deve ser entendida de maneira mais ampla como aumento de favor, concórdia ou boa vontade.

Em Weyer, a palavra latina utilizada é:

gratia.

Ela pode envolver:

favor,

boa vontade,

graça social.

Assim, Vual pode fortalecer relações existentes e reconciliar relações hostis.

AMIGOS E INIMIGOS

A inclusão dos dois extremos é importante.

Vual não atua apenas sobre atração romântica.

Também atua sobre relações sociais mais amplas.

Sua função pode ser descrita em termos de:

aproximação,

conciliação,

favor.

Isso cria uma figura muito diferente de entidades cuja função amorosa se limita a desejo ou sexualidade.

VUAL E SALEOS

A comparação com Saleos é útil.

Saleos é descrito principalmente como pacífico e capaz de produzir amor entre homens e mulheres.

Vual apresenta um campo mais amplo.

Além do amor das mulheres, conhece passado, presente e futuro e atua sobre amizade entre aliados e adversários.

Assim, embora ambos sejam associados a vínculos afetivos, não possuem funções idênticas.

VUAL E ZEPAR

Zepar também possui uma função amorosa, mas sua tradição é muito mais específica e corporal, ligada à união entre mulheres e homens e, em Weyer, à infertilidade.

Vual não possui essa dimensão fisiológica.

Sua atuação está mais próxima de:

amor,

favor,

amizade,

reconciliação.

Essa distinção impede que todas as entidades amorosas da Goetia sejam reduzidas a uma única categoria.

VUAL E GREMORY

Gremory também está associada ao amor das mulheres, além de tesouros e conhecimento temporal.

Nesse aspecto, existe uma sobreposição real.

Entretanto, Gremory possui iconografia e funções próprias.

Vual destaca-se principalmente pela:

reconciliação,

antiga ordem das Potestades,

forma de dromedário.

VUAL COMO FIGURA DA RECONCILIAÇÃO

Separada da reconstrução histórica, essa função permite uma interpretação contemporânea mais construtiva.

Uma relação rompida pode necessitar:

diálogo,

escuta,

negociação,

reconstrução de confiança.

A verdadeira reconciliação não significa simplesmente apagar o conflito.

Exige compreender suas causas.

RECONCILIAÇÃO NÃO É SUBMISSÃO

Uma leitura moderna responsável precisa distinguir duas coisas.

Reconciliação pode ser saudável quando existe:

respeito,

consentimento,

segurança.

Não significa obrigar alguém a permanecer numa relação prejudicial.

Esse princípio é especialmente importante quando reinterpretamos simbolicamente antigos textos sobre “produzir amor” ou “transformar inimigos em amigos”.

VUAL COMO SÍMBOLO DA MEDIAÇÃO

Em termos contemporâneos, sua função pode ser aproximada simbolicamente da mediação.

Duas partes possuem interesses diferentes.

Existe conflito.

Um terceiro processo ajuda a encontrar terreno comum.

A finalidade não precisa ser criar intimidade.

Pode simplesmente produzir:

cooperação,

respeito,

acordo.

VUAL E O PASSADO, PRESENTE E FUTURO

Weyer afirma que Vual conhece:

praesentia, praeterita & futura.

Presente, passado e futuro.

A Goetia preserva exatamente essa tríade.

Isso coloca Vual entre várias figuras goéticas associadas ao conhecimento temporal.

CONHECER O PASSADO

O passado permite entender:

origens,

causas,

decisões,

erros.

Numa disputa, compreender o passado pode ser essencial para a reconciliação.

Isso cria uma coerência simbólica interessante entre:

conhecimento temporal

e

relações humanas.

CONHECER O PRESENTE

Resolver conflitos exige compreender o estado atual.

Uma relação pode ter começado de determinada maneira e depois mudado.

O que aconteceu no passado não define completamente a condição presente.

CONHECER O FUTURO

Na tradição sobrenatural, Vual recebe capacidade de conhecer acontecimentos futuros.

No mundo real, não possuímos acesso infalível ao futuro.

Temos:

previsão,

planejamento,

cenários,

probabilidades.

Uma interpretação contemporânea pode transformar essa função em capacidade de considerar consequências antes de agir.

PASSADO, PRESENTE E FUTURO NUM CONFLITO

Essa combinação oferece um modelo útil.

Perguntar:

o que aconteceu?

o que está acontecendo?

o que acontecerá se continuarmos assim?

Essas três perguntas frequentemente revelam mais que simplesmente decidir quem está “certo”.

Vual pode simbolicamente representar essa visão temporal ampliada das relações.

VUAL ERA DAS POTESTADES

Este é um dos elementos mais importantes e estáveis de sua tradição.

Weyer afirma:

De ordine fuit potestatum.

Ele foi da ordem das:

Potestades.

A Goetia preserva:

he was of the order of Potestates.

A edição Mathers/Crowley esclarece para leitores ingleses:

Potestates or Powers.

Nesse caso, a antiga ordem angelical não é conjectura moderna.

Está explicitamente registrada.

O QUE SÃO AS POTESTADES?

Na hierarquia angelical associada a Pseudo-Dionísio, as Powers, tradicionalmente traduzidas em latim como Potestates, pertencem à segunda ou intermediária hierarquia celestial.

Essa hierarquia reúne:

Dominações,

Virtudes,

Potestades.

A primeira hierarquia é composta por:

Serafins,

Querubins,

Tronos.

A terceira reúne:

Principados,

Arcanjos,

Anjos.

Assim, a afirmação de Weyer coloca a condição pré-demonológica de Vual dentro de uma posição celestial relativamente elevada.

POTESTADES NÃO SIGNIFICA SIMPLESMENTE “ANJOS PODEROSOS”

É uma categoria técnica dentro da hierarquia pseudo-dionisiana.

Pseudo-Dionísio descreve as Powers como parte da ordem intermediária, associada a poder ordenado e regulado, distinta das Dominações e Virtudes embora integrada à mesma hierarquia.

Portanto, quando Weyer diz que Vual pertenceu às Potestades, não está usando apenas um adjetivo genérico.

Está fazendo referência a uma categoria angelológica reconhecível.

VUAL ERA UM ANJO CAÍDO?

Dentro da cosmologia cristã adotada pela tradição demonológica, essa é uma conclusão muito mais direta que em entidades cuja antiga ordem não é informada.

A frase de Weyer pressupõe:

uma condição celestial anterior.

Contudo, não fornece uma biografia completa.

Não sabemos:

qual era sua função individual,

qual era seu nome anterior,

por que caiu,

quando caiu,

qual papel teria desempenhado numa rebelião celestial.

Esses detalhes não aparecem na entrada.

VUAL NÃO RECEBE UMA HISTÓRIA DA QUEDA

Esse é um erro recorrente em páginas modernas.

A fonte diz:

“foi da ordem das Potestades”.

Ela não diz:

“Vual comandou determinada tropa contra Miguel”,

“Vual caiu ao lado de determinado príncipe”,

ou

“Vual recebeu determinada função antes da queda”.

Narrativas desse tipo pertencem a desenvolvimentos posteriores quando não estão acompanhadas de uma fonte específica.

A ANTIGA ORDEM E SUA FUNÇÃO DE RECONCILIAÇÃO

Simbolicamente, existe uma combinação interessante.

As Potestades representam ordem e poder regulado na angelologia pseudo-dionisiana. Vual, depois, é associado a:

relações,

favor,

amizade,

transformação de hostilidade.

Uma interpretação contemporânea poderia relacionar esses elementos a poder exercido através de equilíbrio e negociação, em vez de força bruta.

Essa leitura, entretanto, é autoral.

Weyer não estabelece diretamente essa conexão simbólica.

VUAL E AS 37 LEGIÕES

Weyer atribui a Vual:

37 legiões.

A Goetia preserva exatamente:

37 legiões.

Mathers/Crowley também mantém 37.

Assim, diferentemente de Bifrons e Vine, o número apresenta grande estabilidade na principal linha Weyer–Goetia.

COLLIN DE PLANCY DIZ 36

No Dictionnaire Infernal, porém, encontramos uma divergência.

Collin de Plancy apresenta a entidade como:

Wall.

Chama-a de grande e poderoso Duque do império sombrio, descreve sua forma de alto e terrível dromedário, menciona a aparência humana e a língua egípcia, preserva o conhecimento do presente, passado e futuro e a antiga pertença à ordem das Potestades.

Mas atribui apenas:

36 legiões.

Temos então:

Weyer: 37.

Goetia: 37.

Mathers/Crowley: 37.

Collin de Plancy: 36.

QUAL NÚMERO POSSUI MELHOR CONTINUIDADE?

37.

É encontrado já em Weyer e permanece na Goetia.

A leitura de 36 pertence à versão posterior de Collin de Plancy.

Portanto, se precisarmos apresentar um número principal acompanhado de contexto histórico, 37 possui a cadeia documental mais forte.

COLLIN DE PLANCY E WALL

A entrada de 1863 é curta.

Wall é Grande e Poderoso Duque.

Aparece como um dromedário alto e terrível.

Na forma humana, fala egípcio.

Conhece presente, passado e futuro.

Pertenceu às Potestades.

Comanda 36 legiões.

Curiosamente, Collin de Plancy omite duas funções centrais de Weyer:

o amor das mulheres,

e a amizade entre amigos e inimigos.

Isso modifica consideravelmente a percepção da personagem.

UMA FIGURA AMOROSA TORNA-SE PRINCIPALMENTE DIVINATÓRIA

Em Weyer e na Goetia, relações humanas ocupam grande parte da entrada.

Em Collin de Plancy, sobram principalmente:

aparência,

língua,

conhecimento temporal,

antiga ordem,

legiões.

A função amorosa desaparece do breve verbete.

Isso demonstra como uma simples seleção editorial pode mudar a identidade de uma entidade sem necessariamente alterar cada informação restante.

A ILUSTRAÇÃO DE WALL

A sexta edição do Dictionnaire Infernal apresenta também uma conhecida ilustração de Wall.

Como nas demais gravuras associadas à edição de 1863, essa representação pertence ao século XIX.

Ela não é:

imagem medieval,

ilustração de Weyer,

retrato do manuscrito da Goetia.

É uma etapa posterior da iconografia demonológica.

VUAL POSSUI SELO?

Sim.

A Ars Goetia associa Vual nº 47 a um selo próprio e instrui que seja utilizado como lâmina dentro do sistema ritual do manuscrito.

Weyer não apresenta esse selo na Pseudomonarchia Daemonum.

Assim, como ocorre com muitos espíritos da série:

a personagem textual é anterior ao sigilo goético atualmente conhecido.

O SELO DE VUAL É EGÍPCIO?

Não existe evidência disso.

A associação com língua egípcia não transforma o selo numa escrita ou símbolo do Egito antigo.

Não existe base histórica para apresentá-lo como:

hieróglifo,

símbolo faraônico,

marca de culto egípcio.

O selo pertence à tradição mágico-cerimonial europeia posterior.

VUAL APARECE NA BÍBLIA?

Não.

Vual não é personagem bíblico.

Wal, Uvall, Voval ou Ryall também não aparecem como entidades demonológicas reconhecíveis nos textos bíblicos canônicos.

Sua tradição documentada pertence aos catálogos europeus de espíritos.

VUAL ERA UMA DIVINDADE PAGÃ?

Não existe atualmente uma divindade antiga específica cuja transformação em Vual esteja documentalmente demonstrada.

Sua forma de dromedário e o idioma egípcio podem incentivar comparações com religiões do Norte da África ou Oriente Próximo.

Mas associação geográfica não demonstra genealogia religiosa.

VUAL É UMA DIVINDADE EGÍPCIA DEMONIZADA?

Não há evidência suficiente.

Esse tipo de afirmação exigiria mostrar:

um nome antigo correspondente,

uma função correspondente,

uma cadeia histórica de transmissão,

e uma transformação reconhecível nas fontes.

No caso de Vual, não possuímos essa sequência.

VUAL E PAIMON

A tradição de Ryall introduz uma conexão importante.

No manuscrito Folger, Ryall aparece entre espíritos ligados a Paimon, identificado ali com uma das grandes autoridades espirituais.

Isso permite afirmar que uma tradição relacionada a Vual circulou em contexto subordinado ou associado a Paimon.

Não permite afirmar automaticamente que:

Vual é o dromedário pessoal de Paimon,

Vual transporta Paimon,

ou ambos formam uma única entidade.

Essas interpretações aparecem em especulações modernas, mas não são declaradas pelo manuscrito.

PAIMON TAMBÉM POSSUI UM DROMEDÁRIO?

Na conhecida tradição goética, Paimon aparece montado sobre um dromedário.

Isso cria uma coincidência visual extremamente interessante.

Vual:

é um dromedário.

Paimon:

monta um dromedário.

Ryall:

aparece entre espíritos associados a Paimon.

É compreensível que leitores modernos tentem unir esses elementos.

Mas a fonte não identifica explicitamente o dromedário de Paimon como Vual.

A hipótese pode ser mencionada como especulação, não como fato.

SEMELHANÇA NÃO É IDENTIDADE

Esse princípio tem aparecido constantemente nesta série.

Duas entidades podem compartilhar:

animal,

função,

número,

título,

nome semelhante.

Ainda assim, precisam de evidência textual para serem identificadas como a mesma personagem.

A disciplina histórica consiste justamente em resistir a conexões excessivamente fáceis.

VUAL E A CULTURA POPULAR

Vual aparece hoje em:

jogos,

RPGs,

romances,

arte digital,

comunidades esotéricas.

Nessas adaptações, frequentemente recebe:

roupas egípcias,

ornamentos dourados,

símbolos solares,

características de camelo humanoide,

personalidade romântica,

funções de sedução.

Essas representações são criativas.

Não devem ser tratadas como descrição de Weyer.

VUAL NÃO É EXPLICITAMENTE DESCRITO COM ROUPAS EGÍPCIAS

A língua egípcia não determina sua vestimenta.

A forma humana não é detalhada.

Qualquer figurino é posterior.

VUAL NÃO POSSUI COR ESPECÍFICA

Weyer não atribui:

cor de pele,

cor do dromedário,

cor das roupas,

cor de aura.

Sistemas modernos podem estabelecer correspondências próprias, mas não devem ser projetados retrospectivamente.

VUAL E AS CORRESPONDÊNCIAS ASTROLÓGICAS

Como acontece com outros espíritos goéticos, sistemas posteriores relacionaram Vual a:

signos,

decanatos,

planetas,

metais,

cores,

Tarô,

anjos do Shem ha-Mephorash.

Essas correspondências não aparecem na entrada de Weyer.

Também não fazem parte da descrição principal do Sloane 3825.

Precisam ser estudadas como ocultismo posterior.

VUAL E O SHEM HA-MEPHORASH

A conhecida associação moderna de Vual a determinado anjo pertence a sistemas que emparelham os 72 espíritos goéticos com 72 nomes angelicais.

Essa organização é posterior à tradição de Weyer.

A entrada histórica não diz:

“este é o anjo oposto de Vual”.

Portanto, o emparelhamento não pode ser apresentado como elemento original.

VUAL É UM ESPÍRITO DE SEDUÇÃO?

A expressão é excessivamente estreita.

A função de favorecer o amor das mulheres possui base textual.

Entretanto, Vual também:

conhece passado, presente e futuro,

produz favor entre amigos e inimigos,

possui antiga origem nas Potestades.

Uma descrição mais completa seria:

Duque ligado a relações afetivas, reconciliação e conhecimento temporal.

VUAL CONTROLA A VONTADE DAS PESSOAS?

As fontes usam linguagem típica da magia amorosa pré-moderna, mas não fornecem uma teoria psicológica detalhada.

No Folger, Ryall pode “turn the hearts of enemies”.

Em Weyer, Vual concede favor de amigos e inimigos.

Não existe uma descrição técnica de:

controle mental,

hipnose,

possessão psicológica.

Essas expressões modernas podem exagerar aquilo que os textos realmente dizem.

VUAL COMO FIGURA DA INFLUÊNCIA

Em uma interpretação contemporânea, podemos separar influência de coerção.

Influência saudável pode ocorrer através de:

comunicação,

credibilidade,

empatia,

negociação.

Uma pessoa consegue aproximar posições sem retirar a autonomia das demais.

Essa leitura oferece uma maneira profissional de reinterpretar simbolicamente a função relacional de Vual.

VUAL COMO SÍMBOLO DA INTELIGÊNCIA SOCIAL

Conhecer fatos não é suficiente para lidar com pessoas.

Relacionamentos exigem compreender:

interesses,

emoções,

histórico,

contexto.

Vual reúne de maneira incomum:

conhecimento temporal

e

relações.

Isso permite interpretá-lo como figura da inteligência social informada pelo contexto.

ENTENDER O PASSADO ANTES DE TENTAR RECONCILIAR

Um conflito não desaparece apenas porque alguém pede paz.

É necessário compreender:

como começou,

quais limites foram ultrapassados,

quais expectativas foram quebradas.

O conhecimento do passado de Vual fornece uma boa metáfora para essa etapa.

ENTENDER O PRESENTE

Depois é necessário reconhecer a situação atual.

Talvez as partes já não desejem o mesmo que desejavam antes.

Talvez o conflito tenha mudado.

Talvez determinada solução já não seja possível.

Vual simbolicamente pode representar essa atualização de contexto.

CONSIDERAR O FUTURO

Finalmente, uma solução precisa ser sustentável.

Um acordo que resolve apenas a discussão de hoje pode criar nova crise amanhã.

A dimensão futura completa a tríade.

VUAL COMO SÍMBOLO DA NEGOCIAÇÃO

Uma boa negociação não busca apenas vitória imediata.

Procura identificar:

interesses,

limites,

alternativas,

consequências.

Isso combina muito bem com a figura que conhece três dimensões temporais e modifica relações entre adversários.

VUAL COMO SÍMBOLO DA DIPLOMACIA

A transformação de inimigos em relações menos hostis oferece uma comparação natural com diplomacia.

Diplomacia não exige que Estados ou grupos passem a gostar uns dos outros.

Exige que consigam:

comunicar,

negociar,

reduzir conflito,

coexistir.

Nesse sentido, “amizade entre amigos e inimigos” pode ser reinterpretada modernamente como construção de cooperação.

VUAL COMO SÍMBOLO DA REPUTAÇÃO

Favor também depende de reputação.

Uma pessoa tecnicamente competente pode ter pouca influência se ninguém confia nela.

Por outro lado, confiança sem competência também é frágil.

Vual pode simbolicamente representar a necessidade de reunir:

conhecimento,

comunicação,

relacionamento.

A VOZ GRAVE COMO PRESENÇA

A correção filológica sobre graviter também oferece uma interessante leitura simbólica.

A tradição mais antiga não apresenta Vual como alguém que fala mal.

Apresenta-o como alguém cuja fala possui peso vocal.

Uma voz grave pode ser associada culturalmente a:

solenidade,

autoridade,

calma.

Essas associações não são uma doutrina de Weyer, mas permitem interpretação.

FALAR COM PESO NÃO SIGNIFICA FALAR ALTO

Comunicação eficaz não depende necessariamente de volume.

Clareza.

Confiança.

Precisão.

Contexto.

Uma fala pode ter autoridade sem agressividade.

A voz de Vual oferece uma boa metáfora para essa presença controlada.

VUAL COMO SÍMBOLO DA COMUNICAÇÃO ENTRE CULTURAS

A língua egípcia acrescenta outra dimensão.

Falar outro idioma significa atravessar uma fronteira cultural.

Em um mundo contemporâneo globalizado, essa imagem pode representar capacidade de:

adaptar linguagem,

compreender contexto,

negociar entre culturas.

Essa leitura é moderna, mas especialmente coerente com sua tradição.

A GOETIA TRANSFORMA DIFERENÇA CULTURAL EM IMPERFEIÇÃO

Aqui surge uma ironia textual interessante.

Weyer diz:

fala outra língua com voz grave.

A Goetia passa a dizer:

fala essa língua de maneira imperfeita.

Uma simples mudança altera completamente a impressão.

Isso mostra como traduções não apenas transportam informação.

Também podem criar caracterização.

VUAL COMO SÍMBOLO DA IMPORTÂNCIA DA TRADUÇÃO

Uma única palavra mudou:

tom vocal

em

competência linguística.

Esse exemplo demonstra por que traduções precisam ser verificadas quando precisão importa.

A mesma regra vale para:

contratos,

documentação técnica,

pesquisa histórica,

legislação.

Uma palavra pode alterar obrigação, sentido ou interpretação.

VUAL COMO SÍMBOLO DA COMUNICAÇÃO PROFISSIONAL

Uma mensagem precisa preservar o significado original durante a transmissão.

Quanto mais intermediários existem, maior a possibilidade de alteração.

Weyer.

Scot.

Goetia.

Três etapas já produziram uma mudança relevante.

Isso é praticamente um estudo de caso sobre perda de informação.

O DROMEDÁRIO COMO SÍMBOLO DA RESISTÊNCIA

Separada da história, a forma animal permite outra interpretação.

O dromedário é culturalmente associado a viagens longas em condições difíceis.

Pode simbolizar:

persistência,

autonomia,

reserva,

resistência.

Essa imagem combina de maneira interessante com relações humanas duradouras.

RELACIONAMENTOS EXIGEM RESISTÊNCIA, NÃO APENAS INTENSIDADE

Um vínculo pode começar intensamente.

Manter confiança exige outra capacidade.

Consistência.

Paciência.

Capacidade de atravessar períodos difíceis.

O dromedário oferece uma metáfora mais adequada à duração que à impulsividade.

VUAL COMO SÍMBOLO DA TRAVESSIA

Conflitos também são travessias.

Existe um estado inicial.

Uma região difícil.

Depois uma possível nova condição.

A função de reconciliação combina simbolicamente com o animal capaz de atravessar ambientes hostis.

A TRANSFORMAÇÃO DE DROMEDÁRIO EM HOMEM

Essa mudança pode ser interpretada como passagem:

da resistência física

para

a comunicação.

Primeiro:

suportar a travessia.

Depois:

falar.

É uma interpretação contemporânea, não uma estrutura explicitamente declarada pelo grimório.

VUAL COMO SÍMBOLO DO EQUILÍBRIO ENTRE RESISTÊNCIA E DIÁLOGO

Persistir sem conversar pode prolongar conflito.

Conversar sem resistência emocional pode fazer alguém abandonar toda negociação diante da primeira dificuldade.

As duas qualidades precisam coexistir.

Vual reúne simbolicamente:

dromedário,

voz,

reconciliação.

VUAL COMO SÍMBOLO DE CONFLITOS EM EQUIPES

Em ambientes profissionais, conflitos surgem por:

prioridades,

recursos,

comunicação,

responsabilidades.

Ignorá-los geralmente não resolve.

Uma abordagem madura procura:

histórico,

estado atual,

impactos futuros.

Novamente, as três dimensões temporais de Vual oferecem um modelo simbólico útil.

VUAL COMO SÍMBOLO DA GESTÃO DE STAKEHOLDERS

Projetos complexos possuem pessoas com interesses diferentes.

Diretoria.

Equipe técnica.

Clientes.

Fornecedores.

Usuários.

Gerenciar stakeholders significa construir cooperação suficiente entre pessoas que não necessariamente compartilham todos os objetivos.

Isso se aproxima simbolicamente da capacidade de produzir favor entre amigos e adversários.

NÃO É NECESSÁRIO QUE TODOS SEJAM AMIGOS

Uma equipe profissional não precisa de unanimidade emocional.

Precisa de:

regras,

objetivos,

comunicação,

respeito.

Essa distinção permite reinterpretar a “amizade” de Vual de maneira mais funcional.

VUAL COMO SÍMBOLO DA RESTAURAÇÃO DE CONFIANÇA

Quando uma relação é rompida, confiança não retorna apenas com palavras.

É construída por:

comportamento consistente,

transparência,

tempo.

A conexão com passado, presente e futuro torna-se novamente relevante.

A confiança depende do histórico, é testada no presente e precisa demonstrar sustentabilidade no futuro.

VUAL COMO SÍMBOLO DE LIDERANÇA RELACIONAL

Liderar não é apenas dar ordens.

Envolve construir cooperação.

Uma pessoa tecnicamente superior pode fracassar como líder se não consegue:

escutar,

negociar,

explicar,

resolver conflitos.

Vual simbolicamente representa esse campo menos visível do poder.

POTESTADES E PODER REGULADO

Sua antiga pertença às Potestades oferece uma última camada simbólica importante.

Na tradição pseudo-dionisiana, Powers pertencem a uma ordem associada a autoridade organizada e regulada.

Em uma interpretação contemporânea, isso permite pensar em:

poder que não depende apenas de imposição,

mas de estrutura.

Uma instituição forte não funciona porque uma pessoa grita mais alto.

Funciona porque existe:

autoridade,

processo,

legitimidade,

coordenação.

PODER E RELAÇÃO

Vual possui título de Duque.

Antiga origem nas Potestades.

Mas suas principais funções não são:

destruir cidades,

matar inimigos,

derrubar muralhas.

São:

amor,

amizade,

conhecimento.

Isso produz uma figura de poder exercido através de relações.

INFLUÊNCIA PODE SER MAIS EFICAZ QUE FORÇA

Muitas decisões não podem ser implementadas apenas pela autoridade formal.

É necessário conseguir adesão.

Convencer.

Criar confiança.

Alinhar interesses.

Vual simbolicamente representa essa forma de poder.

VUAL E A CULTURA DA COOPERAÇÃO

Uma organização pode possuir pessoas excelentes individualmente e ainda fracassar se elas não conseguem trabalhar juntas.

Competência individual não substitui colaboração.

A função reconciliadora de Vual oferece uma metáfora especialmente clara para essa questão.

CONFIANÇA É INFRAESTRUTURA SOCIAL

Servidores dependem de rede.

Empresas dependem de confiança.

Sem confiança, cada decisão exige verificação excessiva.

Cada negociação torna-se lenta.

Cada erro transforma-se em conflito.

Construir confiança reduz custo social.

MAS CONFIANÇA NÃO SIGNIFICA AUSÊNCIA DE CONTROLE

A lição de Shax permanece relevante.

Relações saudáveis combinam:

confiança,

limites,

verificação quando necessário.

Vual pode representar a construção da relação. Shax recorda que reputação sem verificação pode ser enganosa.

As duas figuras oferecem leituras complementares.

VUAL COMO SÍMBOLO DA INTEROPERABILIDADE HUMANA

Em tecnologia, sistemas diferentes precisam comunicar-se através de protocolos comuns.

Pessoas também.

Equipes utilizam vocabulários diferentes.

Desenvolvedor.

Gestor.

Professor.

Cliente.

Cada grupo possui sua própria “língua”.

A referência à língua egípcia pode simbolizar essa necessidade de tradução entre contextos.

TRADUZIR NÃO É APENAS TROCAR PALAVRAS

É preservar sentido.

Isso vale para idiomas e para áreas profissionais.

Um especialista precisa adaptar sua comunicação sem destruir precisão.

Esse equilíbrio é difícil.

A própria história textual de Vual demonstra o que acontece quando a tradução muda o sentido.

VUAL COMO SÍMBOLO DA PERSPECTIVA TEMPORAL

Talvez sua combinação mais importante seja:

relações humanas

tempo.

Conflitos raramente existem apenas no presente.

Possuem história.

Produzem futuro.

Uma decisão emocional tomada hoje pode definir anos de relação.

Vual pode simbolicamente representar a necessidade de ampliar o horizonte.

VUAL EXISTE?

Historicamente, Vual existe claramente como tradição documental.

Podemos localizar:

Vual,

Vuall,

Wal,

Uvall,

Voval,

e a forma relacionada Ryall.

Podemos comparar:

manuscritos dos Offices of Spirits,

Weyer,

Scot,

Ars Goetia,

Collin de Plancy.

Podemos observar mudanças de posição, grafia, formulação linguística e número de legiões.

Isso demonstra a existência histórica da tradição.

A existência objetiva de uma entidade sobrenatural correspondente a essas descrições é uma questão diferente e não é demonstrada simplesmente pela presença nos documentos.

POR QUE VUAL É IMPORTANTE PARA O ESTUDO DA GOETIA?

Vual é particularmente valioso porque apresenta uma estrutura muito estável acompanhada por pequenas alterações extremamente reveladoras.

A forma de dromedário permanece.

A forma humana permanece.

O amor das mulheres permanece na principal linha Weyer–Goetia.

O conhecimento temporal permanece.

A reconciliação permanece.

As Potestades permanecem.

As 37 legiões permanecem.

Mas sua posição muda radicalmente:

66 para 47.

Sua voz grave transforma-se em:

egípcio imperfeito.

Ryall demonstra que uma tradição manuscrita relacionada já preservava o dromedário, o amor e a transformação de inimigos.

Collin de Plancy reduz as legiões para 36 e omite as funções amorosas.

Vual mostra, portanto, que não é necessário mudar metade de uma descrição para transformar uma personagem. Às vezes basta mudar uma única palavra.

VUAL EM JOHANN WEYER

Na Pseudomonarchia Daemonum, Vual ocupa a posição nº 66. É Grande e Forte Duque e aparece como grande e terrível dromedário. Em forma humana fala a língua egípcia com voz grave. Favorece especialmente o amor das mulheres, conhece acontecimentos presentes, passados e futuros e produz favor entre amigos e inimigos. Pertenceu à ordem das Potestades e governa 37 legiões.

VUAL EM REGINALD SCOT

Scot preserva praticamente toda essa estrutura. Sua contribuição é particularmente importante para esclarecer a frase referente à língua. Em vez de interpretá-la como domínio imperfeito do egípcio, traduz o latim como fala em uma “base voice”, isto é, voz baixa ou grave. Também preserva amor, conhecimento temporal, amigos e inimigos, Potestades e 37 legiões.

RYALL NO FOLGER V.B.26

Ryall aparece entre os espíritos associados a Paimon. Surge como dromedário, possui também forma humana, consegue responder dúvidas, favorece o amor das mulheres, obtém amigos e altera a disposição dos inimigos. Sua fala é descrita como grave ou sombria. A semelhança funcional faz dessa figura um dos paralelos manuscritos mais importantes para Vual.

VUAL NA ARS GOETIA

No Sloane 3825, Vual é reorganizado como nº 47. Continua Grande e Poderoso Duque, aparece como dromedário e posteriormente assume forma humana. A frase sobre a voz, entretanto, transforma-se na afirmação de que fala a língua egípcia “não perfeitamente”. Suas funções continuam sendo favorecer o amor das mulheres, conhecer passado, presente e futuro e produzir amizade entre amigos e inimigos. A antiga pertença às Potestades e as 37 legiões são mantidas. A entrada acrescenta ainda seu selo.

UVALL/VUAL/VOVAL EM MATHERS E CROWLEY

A edição de 1904 populariza as formas Uvall, Vual ou Voval. Mantém o dromedário, a forma humana, o egípcio “imperfeito”, amor, conhecimento temporal, amizade, Potestades e 37 legiões. Também acrescenta uma nota editorial associando a língua ao copta, observação que não pertence à tradição mais antiga.

WALL EM COLLIN DE PLANCY

No Dictionnaire Infernal, Wall é Grande e Poderoso Duque do império sombrio. Aparece como alto e terrível dromedário e fala egípcio quando assume forma humana. Conhece presente, passado e futuro e teria pertencido à ordem das Potestades. Collin de Plancy, entretanto, atribui-lhe 36 legiões, uma a menos que Weyer e a Goetia, e deixa de mencionar suas principais funções amorosas e reconciliadoras.

FICHA HISTÓRICA DE VUAL

Nome principal: Vual.

Variantes: Vuall, Wal, Uvall, Voval.

Tradição relacionada: Ryall.

Posição em Johann Weyer: nº 66.

Posição na Ars Goetia: nº 47.

Título: Grande e Forte/Poderoso Duque.

Forma inicial: grande e terrível dromedário.

Forma posterior: humana.

Língua em Weyer: egípcia.

Modo de fala em Weyer: voz grave ou profunda.

Scot: preserva a voz baixa ou grave.

Goetia: transforma a passagem em “fala egípcio, mas não perfeitamente”.

Função amorosa: favorecer especialmente o amor das mulheres.

Função relacional: produzir favor, amizade ou reconciliação entre amigos e inimigos.

Conhecimento: passado, presente e futuro.

Antiga ordem angelical: Potestades/Powers.

Legiões em Weyer: 37.

Legiões na Goetia: 37.

Legiões em Mathers/Crowley: 37.

Legiões em Collin de Plancy: 36.

Origem bíblica: não documentada.

Origem egípcia religiosa: não demonstrada.

Etimologia: incerta.

Selo: pertence à tradição goética posterior.

PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE VUAL

Quem é Vual na Ars Goetia?

Vual é o 47º espírito da Ars Goetia. É um Grande e Poderoso Duque que aparece inicialmente como dromedário, assume forma humana, favorece o amor das mulheres, conhece passado, presente e futuro, promove amizade entre amigos e inimigos e governa 37 legiões.

Vual sempre foi nº 47?

Não. Em Johann Weyer ocupa a posição nº 66.

Vual e Uvall são a mesma entidade?

Sim. Uvall é uma variante posterior do mesmo nome.

Vual e Voval são a mesma entidade?

Sim. Voval aparece em edições goéticas posteriores.

Vual e Wal são a mesma entidade?

Sim. Uma edição das obras de Weyer registra a forma Wal.

Quem é Ryall?

Ryall aparece no manuscrito Folger V.b.26 e possui funções extremamente próximas às de Vual. Peterson relaciona as duas tradições.

Ryall é definitivamente Vual?

É uma correspondência textual muito forte. Para máxima precisão, pode ser tratado como forma ou tradição manuscrita relacionada.

Vual é um dromedário?

Sua forma inicial é descrita dessa maneira.

Vual é um camelo?

Dromedários pertencem à família dos camelídeos, mas a fonte utiliza especificamente a imagem do dromedário.

Vual assume forma humana?

Sim.

Como é sua forma humana?

As principais fontes não fornecem descrição física detalhada.

Vual fala egípcio?

Weyer, Scot e a Goetia afirmam que fala uma língua identificada como egípcia.

Vual fala egípcio mal?

Essa é a versão da Goetia. Weyer não diz isso. O texto latino afirma que fala egípcio com voz grave.

De onde surgiu “mas não perfeitamente”?

Provavelmente de uma interpretação defeituosa da frase latina de Weyer durante a transmissão goética. Peterson chama atenção para essa diferença.

Vual fala copta?

A associação explícita ao copta aparece numa nota editorial da edição moderna Mathers/Crowley, não na descrição original de Weyer.

Vual era egípcio?

As fontes não dizem.

Vual era uma divindade egípcia?

Não existe identificação histórica demonstrada.

Vual favorece o amor das mulheres?

Sim. É uma de suas funções mais antigas e estáveis.

Vual é apenas um espírito de amor?

Não. Também conhece passado, presente e futuro e atua sobre relações entre amigos e inimigos.

Vual reconcilia inimigos?

A tradição atribui-lhe a capacidade de produzir favor ou amizade entre amigos e inimigos.

Vual conhece o passado?

Sim.

Vual conhece o presente?

Sim.

Vual conhece o futuro?

Sim, segundo a tradição demonológica.

Vual era das Potestades?

Sim. Weyer e a Goetia afirmam isso explicitamente.

O que são as Potestades?

São uma ordem angelical pertencente à segunda hierarquia de Pseudo-Dionísio, junto às Dominações e Virtudes.

Vual era um anjo caído?

Dentro da cosmologia demonológica das fontes, sua antiga pertença às Potestades implica uma condição angelical anterior.

Por que Vual caiu?

As principais fontes não explicam.

Qual era seu nome angelical?

Não é informado.

Quantas legiões Vual governa?

Weyer e a Goetia dizem 37. Collin de Plancy diz 36.

Qual número possui melhor apoio histórico?

37, porque aparece em Weyer e permanece na principal tradição goética.

Vual está ligado a Paimon?

Ryall, figura fortemente relacionada a Vual, aparece no Folger entre espíritos ligados a Paimon.

Vual é o dromedário de Paimon?

As fontes não afirmam isso. É uma hipótese moderna baseada na associação de ambos ao dromedário e na posição de Ryall no manuscrito Folger.

Vual aparece na Bíblia?

Não.

Vual possui selo?

Sim. A Ars Goetia associa-lhe um selo próprio.

O selo de Vual é egípcio?

Não existe evidência de origem egípcia antiga.

O que significa o nome Vual?

A etimologia permanece incerta.

INTERPRETAÇÃO SIMBÓLICA DE VUAL

Separada da reconstrução histórica, Vual possui uma estrutura simbólica particularmente coerente.

O dromedário representa resistência e travessia. A forma humana representa comunicação. A língua estrangeira representa passagem entre culturas. A voz grave representa presença. O amor representa aproximação. A amizade entre inimigos representa reconciliação. O conhecimento do passado representa memória. O presente representa contexto. O futuro representa consequência. As Potestades representam autoridade organizada.

Quando esses elementos são reunidos, Vual pode ser interpretado como figura da capacidade de atravessar diferenças, compreender contextos e reconstruir relações sem perder de vista a história e as consequências futuras.

Essa interpretação é autoral e não constitui doutrina explícita das fontes históricas.

VUAL COMO SÍMBOLO DA RECONCILIAÇÃO INFORMADA

Uma reconciliação superficial pode apenas adiar o próximo conflito.

Uma reconciliação real exige compreensão.

O passado explica a ferida.

O presente mostra o estado atual.

O futuro revela aquilo que está em risco.

Vual reúne simbolicamente essas três dimensões.

VUAL COMO SÍMBOLO DA COMUNICAÇÃO

A língua egípcia acrescenta uma imagem poderosa.

Comunicar não significa apenas falar.

Significa ser compreendido.

Em ambientes profissionais, grande parte dos conflitos nasce não porque as pessoas desejam resultados incompatíveis, mas porque utilizam:

linguagens diferentes,

prioridades diferentes,

referências diferentes.

Traduzir entre esses contextos é uma competência.

VUAL COMO SÍMBOLO DA TRADUÇÃO PRECISA

Sua própria história demonstra o risco de tradução imperfeita.

Uma voz grave tornou-se um idioma mal falado.

A diferença nasceu de poucas palavras.

Em sistemas críticos, um erro semelhante pode ocorrer em:

contratos,

requisitos,

documentação,

políticas.

Preservar sentido é tão importante quanto transmitir palavras.

VUAL COMO SÍMBOLO DA MEDIAÇÃO

O mediador não precisa concordar com todos.

Precisa compreender suficientemente cada lado para reduzir a distância entre eles.

Vual pode representar simbolicamente essa função.

Amigos.

Inimigos.

Favor.

Reconciliação.

VUAL COMO SÍMBOLO DA DIPLOMACIA ORGANIZACIONAL

Empresas possuem conflitos entre:

segurança e facilidade de uso,

custo e qualidade,

velocidade e estabilidade,

negócio e tecnologia.

Esses lados não são necessariamente inimigos.

Possuem prioridades diferentes.

A competência está em encontrar soluções que preservem objetivos essenciais.

VUAL COMO SÍMBOLO DA RESISTÊNCIA

O dromedário não representa velocidade extrema.

Representa capacidade de atravessar grandes distâncias em ambiente difícil.

Muitas situações profissionais exigem exatamente isso.

Projetos longos.

Mudanças organizacionais.

Recuperações.

Nem todo problema é resolvido com intensidade.

Alguns exigem constância.

VUAL COMO SÍMBOLO DA PACIÊNCIA ESTRATÉGICA

Paciência não significa passividade.

Significa saber quando continuar, quando ajustar e quando economizar recursos.

Essa leitura combina bem com a figura do dromedário.

VUAL COMO SÍMBOLO DA CONFIANÇA

Amizade e reconciliação dependem de confiança.

Confiança, por sua vez, depende de:

histórico,

comportamento presente,

expectativa futura.

A tríade temporal de Vual encaixa-se de maneira extraordinária nessa estrutura.

O PASSADO DA CONFIANÇA

Confiamos com base em histórico.

Promessas cumpridas.

Erros.

Reparações.

O passado fornece evidência.

O PRESENTE DA CONFIANÇA

Mesmo um bom histórico precisa ser confirmado pelo comportamento atual.

Pessoas mudam.

Empresas mudam.

Sistemas mudam.

Confiança não deve ser congelada no passado.

O FUTURO DA CONFIANÇA

Uma relação sustentável precisa demonstrar que consegue continuar funcionando.

Isso exige:

previsibilidade,

limites,

responsabilidade.

Vual simbolicamente representa essa continuidade.

VUAL COMO SÍMBOLO DO PODER RELACIONAL

Sua antiga origem nas Potestades e seu título de Duque sugerem poder.

Mas suas funções principais mostram poder de outra natureza.

Não destruição.

Não guerra.

Não riqueza.

Relações.

Isso permite uma interpretação importante:

poder também pode consistir na capacidade de fazer pessoas cooperarem.

AUTORIDADE FORMAL E INFLUÊNCIA SÃO DIFERENTES

Um chefe pode possuir autoridade e nenhuma influência.

Um especialista sem cargo pode possuir enorme influência.

Vual simbolicamente pode representar a segunda dimensão.

VUAL COMO SÍMBOLO DA LIDERANÇA QUE CONECTA

Liderança madura não exige apenas decisão.

Exige alinhar.

Explicar.

Negociar.

Resolver diferenças.

Construir confiança.

Essas competências costumam ser menos visíveis que conhecimento técnico, mas frequentemente determinam se um projeto funciona.

VUAL COMO SÍMBOLO DA INTEROPERABILIDADE

Dois sistemas podem ser excelentes isoladamente e incapazes de comunicar-se.

Pessoas também.

A linguagem diferente de Vual pode simbolizar a necessidade de uma camada de tradução.

Protocolos.

APIs.

Padrões.

No campo humano:

vocabulário comum.

VUAL COMO SÍMBOLO DA TRAVESSIA ENTRE MUNDOS

Dromedário e língua estrangeira criam uma imagem de deslocamento.

Não necessariamente deslocamento físico.

Pode ser:

cultural,

social,

profissional.

Entrar num novo contexto exige aprender seus códigos.

VUAL COMO SÍMBOLO DA ADAPTAÇÃO

Adaptar-se não significa perder identidade.

Significa conseguir funcionar num ambiente diferente.

O dromedário é adaptado ao ambiente.

A forma humana permite comunicação.

Essas duas imagens produzem uma metáfora interessante para flexibilidade.

VUAL COMO SÍMBOLO DE NEGOCIAÇÃO EM SEGURANÇA DIGITAL

Em segurança, equipes frequentemente enfrentam um conflito aparente.

Segurança deseja restringir.

Usuários desejam facilidade.

Negócio deseja velocidade.

Uma política eficaz precisa equilibrar essas necessidades sem eliminar controles essenciais.

Isso é mediação técnica.

VUAL COMO SÍMBOLO DO GESTOR DE INFRAESTRUTURA

Administrar infraestrutura também exige negociar.

Janelas de manutenção.

Custos.

Downtime.

Prioridades.

Risco.

O melhor administrador não é apenas aquele que sabe executar comandos.

É aquele que consegue explicar por que determinada mudança precisa ser feita e obter cooperação para realizá-la.

VUAL COMO SÍMBOLO DA VISÃO DE LONGO PRAZO

Conhecer passado, presente e futuro pode ser reinterpretado profissionalmente como:

histórico,

telemetria,

planejamento.

Uma organização que trabalha apenas no presente vive reagindo.

Uma organização madura aprende com o passado e prepara o futuro.

O DROMEDÁRIO NÃO ATRAVESSA O DESERTO OLHANDO APENAS PARA O PRÓXIMO PASSO

Uma jornada longa exige:

direção,

recursos,

ritmo.

O mesmo vale para estratégia.

Vual pode simbolicamente representar essa visão prolongada.

VUAL COMO SÍMBOLO DA RECONCILIAÇÃO SEM APAGAMENTO

Resolver um conflito não significa negar aquilo que aconteceu.

Uma reconciliação saudável preserva memória suficiente para evitar repetição.

Nesse sentido, conhecimento do passado é fundamental.

PERDOAR NÃO SIGNIFICA ESQUECER O PADRÃO

Essa distinção é particularmente importante.

Uma pessoa pode escolher reconstruir uma relação e ainda manter limites.

Reconciliação não elimina aprendizado.

VUAL COMO SÍMBOLO DA CONVERSA DIFÍCIL

Algumas relações só melhoram quando aquilo que estava sendo evitado finalmente é discutido.

A voz grave de Vual oferece uma imagem adequada.

Não comunicação superficial.

Uma conversa séria.

A VOZ GRAVE COMO RESPONSABILIDADE

Falar seriamente também significa assumir responsabilidade pelo que é dito.

Promessas.

Compromissos.

Acordos.

Palavras possuem consequências.

VUAL COMO SÍMBOLO DA PRESENÇA

Uma voz firme não precisa dominar.

Pode transmitir estabilidade.

Em momentos de crise, equipes precisam de comunicação:

clara,

calma,

precisa.

Isso talvez seja uma das leituras contemporâneas mais úteis da correção graviter.

CONCLUSÃO

Vual ocupa a posição nº 47 da Ars Goetia, mas sua história conhecida é anterior e profundamente ligada aos catálogos de espíritos que circularam antes da organização final do Lemegeton.

Johann Weyer apresenta Vual como nº 66.

Grande e Forte Duque.

Grande e terrível dromedário.

Depois, homem.

Na forma humana, fala a língua egípcia com voz grave.

Favorece especialmente o amor das mulheres.

Conhece presente, passado e futuro.

Produz favor entre amigos e inimigos.

Pertenceu à ordem das Potestades.

E governa 37 legiões.

Reginald Scot preserva praticamente todo esse perfil.

Sua tradução é particularmente importante porque confirma que graviter foi compreendido como característica vocal.

Vual fala com uma voz baixa ou profunda.

A Goetia muda a frase.

A voz desaparece.

Surge um novo detalhe:

Vual fala egípcio, mas não perfeitamente.

Essa pequena transformação tornou-se uma de suas características mais famosas, embora não esteja no texto de Weyer.

A tradição de Ryall no manuscrito Folger torna a história ainda mais interessante.

Ryall aparece como dromedário.

Assume forma humana.

Favorece o amor das mulheres.

Consegue amigos.

Transforma o coração de inimigos.

Fala de maneira grave ou sombria.

Os paralelos demonstram que grande parte da identidade de Vual circulava em material manuscrito relacionado antes da Goetia.

Sua antiga pertença às Potestades também merece destaque.

Não é uma atribuição moderna.

Weyer afirma explicitamente que Vual pertenceu a essa ordem.

A Goetia preserva a informação.

Na hierarquia pseudo-dionisiana, as Potestades integram a segunda hierarquia, ao lado das Dominações e Virtudes.

Assim, dentro da narrativa demonológica, Vual possui uma condição angelical anterior claramente identificada.

O número das legiões apresenta estabilidade incomum.

Weyer:

Goetia:

Mathers/Crowley:

Somente Collin de Plancy reduz para 36.

A entrada do Dictionnaire Infernal também remove amor e reconciliação, transformando Wall principalmente numa figura divinatória associada ao dromedário, à língua egípcia e à antiga ordem angelical.

Historicamente, não existe evidência suficiente para transformar Vual numa antiga divindade egípcia.

A língua egípcia não prova origem religiosa.

O dromedário também não.

Sua etimologia permanece incerta.

A conexão com Paimon através de Ryall é documentalmente interessante, mas a hipótese moderna de que Vual seria literalmente o dromedário montado por Paimon não é afirmada pelas fontes.

Do ponto de vista simbólico, Vual apresenta uma estrutura excepcionalmente coerente.

O dromedário atravessa ambientes difíceis.

A forma humana comunica.

A língua estrangeira atravessa culturas.

A voz grave transmite presença.

O conhecimento temporal oferece contexto.

O amor aproxima.

A amizade reduz conflito.

As Potestades representam autoridade organizada.

Tudo converge para uma mesma ideia:

atravessar diferenças.

Uma relação precisa atravessar mal-entendidos.

Uma negociação precisa atravessar interesses divergentes.

Uma equipe precisa atravessar linguagens profissionais diferentes.

Uma organização precisa atravessar mudanças.

E nenhuma dessas travessias ocorre apenas pela força.

Exige:

resistência,

comunicação,

contexto,

confiança.

Talvez seja essa a interpretação contemporânea mais consistente de Vual.

Ele não é uma figura de demolição como Raum.

Não é a tempestade de Focalor.

Não é a fortificação de Sabnach.

Não é o engano de Shax.

Vual representa simbolicamente aquilo que permite que lados diferentes consigam continuar no mesmo caminho.

Sua função sobre passado, presente e futuro reforça essa ideia.

Nenhuma reconciliação verdadeira acontece apenas no presente.

Precisamos compreender aquilo que ocorreu.

Reconhecer aquilo que existe agora.

E decidir aquilo que queremos produzir depois.

Historicamente, Vual permanece o Grande Duque nº 66 de Weyer, reorganizado como nº 47 da Ars Goetia, associado ao dromedário, à forma humana, à língua egípcia, ao amor, à reconciliação, ao conhecimento temporal, às Potestades e a 37 legiões.

Simbolicamente, entretanto, pode representar uma ideia mais ampla:

a força que realmente transforma relações não está apenas em vencer uma diferença, mas em atravessá-la sem perder a capacidade de compreender quem está do outro lado.

REFERÊNCIAS HISTÓRICAS E BIBLIOGRÁFICAS

WEYER, JOHANN. De Praestigiis Daemonum. Obra inicialmente publicada em 1563 e ampliada em edições posteriores.

WEYER, JOHANN. Pseudomonarchia Daemonum. Apresenta Vual como nº 66, Grande e Forte Duque em forma de grande dromedário, posteriormente humano, falante da língua egípcia com voz grave, associado ao amor das mulheres, ao conhecimento do presente, passado e futuro, ao favor entre amigos e inimigos, às Potestades e a trinta e sete legiões.

SCOT, REGINALD. The Discoverie of Witchcraft. Londres, 1584. Importante transmissão inglesa de Vual, especialmente relevante por preservar corretamente a descrição da voz grave.

FOLGER SHAKESPEARE LIBRARY, MS V.b.26. Manuscrito mágico elisabetano que preserva Ryall, figura relacionada a Vual em forma de dromedário, associada ao amor das mulheres, amizade, mudança da disposição dos inimigos e conhecimento.

ADDITIONAL MS 36674. Testemunha manuscrita que preserva Vual numa pequena lista de espíritos relacionados à tradição dos Offices of Spirits.

LEMEGETON CLAVICULA SALOMONIS. Tradição manuscrita posteriormente conhecida como The Lesser Key of Solomon, especialmente sua primeira parte, Ars Goetia.

BRITISH LIBRARY, SLOANE MS 3825. Importante testemunho da Ars Goetia, no qual Vual ocupa a posição nº 47, recebe seu selo e é descrito como falante imperfeito da língua egípcia.

MATHERS, S. L. MACGREGOR; CROWLEY, ALEISTER. The Goetia: The Lesser Key of Solomon the King. 1904. Populariza as formas Uvall, Vual e Voval e preserva as trinta e sete legiões.

COLLIN DE PLANCY, JACQUES. Dictionnaire Infernal. Sexta edição, Paris, 1863. Apresenta Wall como Grande e Poderoso Duque em forma de dromedário, falante do egípcio, conhecedor do tempo, antigo membro das Potestades e comandante de trinta e seis legiões.

PSEUDO-DIONÍSIO AREOPAGITA. De Coelesti Hierarchia. Fonte fundamental para contextualizar as Potestades como integrantes da segunda hierarquia angelical, junto às Dominações e Virtudes.

BOUDET, JEAN-PATRICE. “Les who’s who démonologiques de la Renaissance et leurs ancêtres médiévaux”. Estudo comparativo essencial para distinguir Vual de figuras nominalmente próximas existentes em tradições anteriores.

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Emrys

Emrys é autor, editor e pesquisador responsável pelo Templo de Lúcifer. Seu trabalho concentra-se em Luciferianismo, história das religiões, demonologia, simbolismo, ocultismo e esoterismo, com ênfase na análise e contextualização de fontes. Conheça o autor e a metodologia editorial →

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